Chegadas e partidas

Acabo de encontrar-me com uma grande amigo de longa data. Estava em plena fila de embarque no Aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro quando uma pessoa logo atrás de mim encostou o seu carrinho em minha perna. Apenas ouvi um rápido: Opa! Me desculpe … nem olhei para trás. Passados mais alguns segundos, eis que novamente o carrinho bate em minha perna e imediatamente ouço mais um pedido de desculpas … achei estranho, mas continuei conversando com o meu gerente comercial que estava embarcando junto para mais uma viagem pelo país.

Até para não constranger quem por duas vezes consecutivas havia me incomodado, permaneci sem olhar para trás. Instantes depois, com uma simpatia além do normal, o “atropelador” começou a rir e a dizer que numa terceira vez já seria demais … virei-me para trás e me surpreendi ao ver quem era aquela pessoa que insistia em chamar a minha atenção. Nada mais nada menos do que o meu grande amigo e muitas vezes mentor, Asaph Borba. Quanta surpresa!

Nos abraçamos demoradamente, trocamos os cumprimentos de praxe e começamos a conversar aguardando pelo atendimento no balcão da companhia aérea. O interessante é que menos de uma semana atrás havíamos nos encontrado em Canela/RS durante a Festa Nacional da Música, inclusive participamos de uma mesa de debate sobre a música gospel, mas naquela oportunidade infelizmente não tivemos tempo para colocar o papo em dia.

O Asaph é aquele amigo que você fica anos sem ver, mas a intimidade, o carinho e respeito permanecem os mesmos, independente da distância. Tivemos muitas experiências juntos. Participamos de inúmeros eventos pelo país quando o segmento evangélico ainda engatinhava décadas atrás. O Asaph Borba durante muitos anos foi o ministro de louvor dos eventos promovidos pela VINDE, presidida pelo pastor Caio Fábio e eu, muito jovem, já trabalhava e participa ativamente destes congressos. Então, mais do que amizade, temos muitas experiências juntos e isso consolidou-nos numa relação de respeito mútuo que permanece até os dias de hoje.

Aproveitando todo o tempo disponível para conversarmos seguimos para o embarque em nossos respectivos vôos. Ele seguia para sua cidade, Porto Alegre. Eu, iria para o lado oposto do país, a linda cidade do Recife. Ainda na fila, fui presenteado pelo primeiro livro publicado do recém-formado jornalista, Asaph Borba. O livro trata do tema da “Adoração”, não a adoração somente relacionada à música, mas a adoração como um estilo de vida e de conduta, baseada nos conceitos bíblicos.

Papo vai, papo vem, Asaph passa a nos contar sobre a maratona de eventos que  estava enfrentando naqueles dias em função do lançamento de seu livro. Com um entusiasmo impressionante, o cantor e agora escritor vem lançando seu livro em eventos de norte a sul no país e nos próximos dias embarcará para o Chile e depois Espanha, sempre apresentando suas músicas e agora seu livro.

Há alguns anos atrás, num trabalho de faculdade, Asaph me pediu para conceder uma entrevista falando sobre o mercado fonográfico. Pra falar sinceramente, nem me recordava muito bem sobre este episódio, mas ele fez questão de me recordar e ainda ressaltar que havia tirado a nota máxima naquele trabalho. Na entrevista, já há alguns anos atrás, eu mencionava a importância da mudança de postura do artista na sua relação com a gravadora. Uma atitude mais participativa, mais atuante, pró-ativa em busca de resultados comuns.  E era justamente sobre esse conceito que o Asaph nos dizia ser sua forma de trabalhar: parceria.

“Não posso ficar parado esperando que outras pessoas ou empresas façam o que eu posso e devo fazer. Temos que trabalhar em conjunto!” – confesso que ouvi aquilo como a confirmação in loco do que realmente acredito e gostaria que boa parte dos artistas de nosso meio compreendessem em vez de ficarem se lamuriando pelos cantos e, pior, muitas das vezes nas redes sociais!

O Asaph Borba é o exemplo mais bem acabado da longevidade no meio artístico gospel. Mesmo com inúmeros sucessos em sua carreira, nunca foi um avassalador vendedor de discos. Ainda assim, sempre trabalhou muito. Sua agenda é uma das mais concorridas e intensas do meio. É o único artista gospel brasileiro que efetivamente mantém uma carreira internacional, especialmente no mercado latino. É uma referência em nosso meio e unanimidade, algo muito raro na área artística, seja gospel ou secular.

Ainda no saguão de embarque, em meio as nossas conversas, eis que chega a jovem cantora Gabriela Rocha com um semblante que não disfarçava o cansaço e sono. Apresentei-a ao Asaph e ele fez questão de recepcioná-la com extrema simpatia. Conversamos mais um pouco e minutos depois, o vôo para Porto Alegre teve início o seu embarque. Nos despedimos já marcando novo encontro no Rio de Janeiro para o mês de dezembro.

Continuamos conversando, eu, Gabriela e Sidnei. Perguntei a ela sobre os recentes eventos em que esteve participando, sobre a agenda dos próximos dias. Fiquei muito feliz de ver que o trabalho desta jovem cantora que está apenas começando, está fluindo muito bem. Sempre faço questão de lembrá-la sobre a importância de sempre deixar as portas abertas. De sempre semear, especialmente neste momento de largada na carreira artística. E, principalmente, de manter o foco e não deixar-se seduzir pela soberba e pela ansiedade que caminham lado a lado e são responsáveis por derrubar inúmeros artistas, sejam jovens ou maduros.

A vida é assim. Uns chegam, outros vão. No aeroporto encontramos pessoas felizes pela chegada, outros com a dor da saudade e da partida. Todos juntos, num mesmo ambiente, motivos e desejos distintos, objetivos e metas singulares. Num mesmo saguão, me despeço de Asaph Borba, anos e anos de estrada. Exemplo de retidão, de uma pessoa que encontrou e entendeu o verdadeiro significado de levar a Palavra de Deus através da música e de seu testemunho pessoal. Vejo também a jovem Gabriela Rocha, 18 anos de vida, expectativas mil, sonhos, desejos, metas, um longo caminho pela frente, vibrando porque acaba de ser aprovada no teste para tirar sua carteira de motorista … a vida é assim, uns chegam, outros vão … o que importa de verdade, não é o seu tempo de estrada, mas como você pretende seguir a viagem … o destino, no fim são apenas dois … opte por seguir o caminho estreito que nos leva para os braços do Pai, nosso lugar de refúgio, segurança e paz.

Se você é artista ou não, de verdade não importa, pois Deus não nos chama para sermos artistas, mas para O adorá-Lo, em espírito e verdade. De qualquer forma, sigamos de modo que sejamos irrepreensíveis aos olhos de Deus e dos homens.

Pra terminar, queria indicar a todos os nossos 44 leitores assíduos do blog para que assistam ao filme “CORAJOSOS”, recém lançado no Brasil pela Sony Music. O filme já é um sucesso nos EUA e agora também no Brasil e trata, entre outros assuntos, de nosso compromisso com Deus, com a família e com a sociedade em que vivemos. De preferência, assista a este filme ao lado de toda sua família! É um daqueles filmes que nos fazem mudar de atitude … fica a dica!

 

Deus nos abençoe!

 

Mauricio Soares, pai, esposo, jornalista, publicitário.

 

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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