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Como devo lançar minhas músicas em tempos digitais?

Viagem mega produtiva. Dois textos produzidos em dois vôos pelo Brasil … parece que a vontade de escrever vai voltando aos poucos. E isso é muito bom! Tenho alguns orgulhos na minha vida profissional e estar à frente deste modesto blog é uma de minhas atividade mais prazerosas e ao mesmo tempo que mais me dão orgulho ultimamente justamente pelos inúmeros testemunhos que recebo de diferentes pessoas, de diferentes lugares do país e, incrível … até mesmo de pessoas que residem em outros país. Tive a surpresa de encontrar uma pessoa de Honduras durante a Expolit em Miami, que me confessou ser um dos 69 leitores de nosso blog … fiquei bastante surpreso e feliz!

O texto de hoje vai ser mega prático e espero que sirva como um norte para muitos artistas que neste momento estão em dúvida sobre a melhor forma de lançarem seus conteúdos nas plataformas digitais. Antigamente era mais padrão, os artistas se internavam num estúdio de gravação, ficavam ali por 60 dias em média e depois de muito confinamento saíam de lá com um disco de 14 faixas em média. Entre as músicas se definia a música principal, a popular “música de trabalho” e a partir daí apostava-se todas as fichas de que aquela canção seria capaz de ‘carregar todo o projeto nas costas’. Quando o disco era um sucesso retumbante, além da primeira ‘música de trabalho’, mais uma ou duas outras faixas tornavam-se populares. No entanto, o padrão mesmo era que uma música se destacasse do projeto como um todo. Depois, alguns artistas passaram a diminuir o número de faixas e por um tempo, 10 músicas chegou a ser uma tendência do mercado. Alguns consumidores chegavam a reclamar dizendo que estavam se sentindo lesados pelo preço do CD com 10 faixas manter-se no mesmo patamar dos correlatos com 14 faixas, no melhor estilo “paguei por 14 levei apenas 10” como se a arte fosse medida por seu peso e não por seu valor agregado, mas enfim … especialmente nas redes sociais, fala-se o que quer não é mesmo?

Só que aí veio a revolução digital e subverteu por completo tudo o que era antes padrão no mercado da música … de repente, não tínhamos mais um disco com 10 ou 14 músicas, nos deparamos com os EPs e singles … versões diminutas das produções musicais e aí tudo mudou e reparamos que os artistas, a indústria e mesmo os consumidores ficaram meio que perdidos em meio a tantas novidades. Por um tempo, a indústria da música repetiu as fórmulas do outrora dominante mercado físico. Ou seja, os álbuns passaram a ser lançados na íntegra, muitas das vezes com um delay, um atraso de “caso pensado” a fim de proteger o formato físico. A ideia de então era, se lançarmos o álbum nas plataformas (nesta época, basicamente era o iTunes e Rdio) antes do produto nas lojas, podemos prejudicar muito as vendas físicas. Neste momento as vendas digitais não representavam mais do que 20% das receitas do mercado.

De pouco em pouco as receitas digitais foram crescendo … as estratégias de lançamento foram mudando e os produtos físicos foram gradualmente perdendo espaço no gosto do consumidor, nas prateleiras das lojas e na relevância do mercado. E com isso, também as formas de lançamento se alteraram. Com a chegada das plataformas de áudio streaming como Spotify e Deezer, tudo mudou! Surgiram com força os singles e com eles as novas formas de lançamento de conteúdo para os consumidores. Houve uma fase em que os artistas passaram a lançar apenas singles … alguns inclusive revolucionaram o mercado no Brasil oferecendo aos consumidores um single por semana de um álbum com 14 faixas, ou seja, por mais de 3 meses, de forma ininterrupta se lançou músicas de um mesmo artista e projeto. Houve casos de um artista emplacar 8 músicas entre as mais ouvidas no streaming em sequência, algo que inclusive influenciou a estratégia de muitos artistas, especialmente no meio secular.

Depois as estratégias de lançamento se alteraram para 1 a 2 singles antes de se lançar o álbum completo. Também teve (e há) artistas que optaram em lançar singles a cada 30, 45 dias sem mais se preocuparem com um álbum em si … enfim, há uma infinidade de formas de se lançar conteúdos hoje em dia. E vou tentar aqui, apresentar uma forma que neste momento se mostra a mais eficaz para lançamentos e ainda alguns análises que eu creio podem ajudar aos artistas no processo de decisão.

Como diz uma amiga minha, no meio digital hoje, as estratégias são escritas à lápis e, de fato, é o que eu creio. Não podemos mais decretar que esta ou aquela é a melhor estratégia e deve se seguida como uma regra pétrea. Muitas das vezes, o que funciona para um artista não se adequa a outro, mesmo que ambos projetos sejam lançados numa mesma época. Há públicos e formas de consumo muito distintas! O desafio do profissional de marketing é justamente identificar estas tendências e adequar seu plano da melhor forma possível.

Mas voltando ao formato ideal de lançamento neste momento …

Espera aí!!!!!! No melhor estilo daqueles programas populares e sensacionalistas que querem segurar a atenção do telespectador para saber se o cara é ou não o pai daquela criança descrito no teste de DNA … antes de falar do formato, quero ressaltar alguns aspectos … Hoje em dia manter a atenção do público consumidor aos projetos, novidades e conteúdos é o grande desafio aos artistas. O público se distrai facilmente, está sempre em busca de novidades e não mantém mais laços firmes com os artistas … isso é fato! Além disso, há uma oferta ilimitada de conteúdos, de músicas a cada dia nas plataformas digitais, enfim, o artista precisa se manter em permanente estágio de atenção e trabalhar incessantemente para manter-se interessante ao público. E por isso mesmo, manter uma estratégia de lançamentos adequada é fundamental! Então qual seria a melhor forma de se lançar as músicas?

Primeiramente, eu acho que o formato ideal é trabalhar com o conceito de EP, ou seja, um pequeno álbum com até 6 faixas. Em casos de se produzir um álbum com 10 ou 12 faixas, eu prefiro desmembrar esse projeto em 2 EPs. Lembrem-se estamos aqui diante de opiniões pessoais, não se trata de um formato padrão, nada disso! É apenas um modelo que tenho aplicado nos projetos em que atuo como gestor e que particularmente têm sido bastante exitosos. Longe de mim ter a arrogância de cravar esta como a melhor ou a única forma de se trabalhar … ok? Então, partindo da premissa de que teremos um EP em mãos, minha dica é para que o artista lance um primeiro single, preferencialmente com um vídeo clipe ou um Lyric Video. Passadas 2 a 3 semanas no máximo, um segundo single deve ser lançado e novamente, mais 2 a 3 semanas depois, pode-se lançar o restante do EP. Com isso garantimos no mínimo 45 a 60 dias de muito trabalho de divulgação e promoção dos conteúdos. Neste período o artista deve trabalhar como um psicopata divulgando seus conteúdos! E aí … há um erro que está se tornando bem comum em nosso meio, ou seja, passado este período de maior foco e divulgação ensandecida, muitos artistas voltam às suas vidinhas e suas postagens nada a ver com música … este é um erro gravíssimo! Mas gravíssimo mesmo! Não se pode abandonar a divulgação de um projeto até que um novo projeto surja no caminho! Simples assim.

Por exemplo, digamos que o artista tenha seguido minhas dicas e tenha desmembrado seu álbum em 2 EPs, como ele deve lançar a segunda parte do projeto? Em primeiro lugar … a distância entre o lançamento do primeiro e segundo EP pode ficar entre 45 e 60 dias, no máximo 75 dias. Assim o artista consegue manter um bom pique de divulgação para o primeiro projeto e quando começar a cair os streams, já anuncia um novo EP pela frente. E aí, a estratégia se repete mais uma vez com o primeiro single, o segundo e semanas depois o EP completo. Esta é uma forma que tem funcionado. Espero que sirva para vocês também!

Outro erro mega comum: lançar um primeiro single no afã, no entusiasmo da gravação … e aí, por não ter um segundo single já finalizado … a distância entre o primeiro single (que fica como um astronauta vagando pelo espaço sideral) ficou tão grande que todo o esforço do primeiro, ficou pelo meio do caminho. A figura de linguagem que costumo usar é de que depois de subir a ladeira com o primeiro single, o artista terá novamente que pedalar tudo de novo para voltar exatamente ao mesmo lugar, quando na verdade, se tivesse programado e planejado da melhor forma seus lançamentos, o mesmo partiria sempre de uma posição bem mais à frente, não tendo que pedalar por lugares que antes já havia passado. Ou seja, desperdício de tempo, de investimento e de esforços!

Ressalto que todo conteúdo em áudio, tem melhor performance se vier acompanhado de versão em vídeo. No entanto, os clipes e afins devem ser tratados como ferramentas e não como objetivos finais! Atente a este comentário! Muita gente errando no nosso meio priorizando os conteúdos de YouTube quando na verdade deveriam (e devem!) priorizar os conteúdos das plataformas de áudio streaming entre outros motivos, por ser o ambiente ideal de consumo de música e também por remunerar até 17 vezes mais do que a plataforma de vídeo streaming. Não me canso de repetir isso! Divulguem sim seus vídeos, mas instruam seu público a consumir música nas plataformas de áudio streaming!

Piloto já comunicando procedimento de descida no aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro. É hora de dar tchau! Espero que este texto tenha sido proveitoso a todos vocês, meus seletos 69 leitores! Aproveitando estes poucos minutos antes da comissária de bordo me convidar a desligar o computador para convidar a todos para mais uma Expo Cristã que acontecerá de 27 a 30 de setembro no Pavilhão do Anhembi em São Paulo. Espero encontrar todos vocês lá!

Pronto … já me pediram ‘gentilmente’ para desligar … bye!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, pai de 3 rapazes e alguém que acha “Ousado Amor” uma linda canção, mas que por força de ter sido gravada por 854 cantores num espaço de 90 dias, não aguentar mais ouvir esta música. Por favor! Se você quer mostrar seu talento para mim como A&R, escolha outra música, ok?

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

One Comment

  • Paulo Sérgio

    20/09/2018 at 15:54

    Muito bom Maurício, seus textos me ajudam muito! Desde o dia do festival Eagle pra cá só te admiro cada vez mais. Estou me preparando pra gravar meus singles, espero poder apresentá-los assim que ficarem prontos kkk e conto com sua ajuda além desses textos maravilhosos aqui em! kkk Deus abençoe você e sua família querido! tchau, tchau ..

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