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Competição saudável pra não errar o foco!

Aos poucos vou tentando recuperar minha performance à frente deste blog. Depois de muitos dias atarefado na maravilhosa atribuição de pai full time, na sequência já tive dias intensos no retorno para o escritório. Em 2 semanas trabalhei tanto que já estou pensando em tirar mais uns dias de férias. Neste momento estou seguindo para a cidade de Curitiba, uma das mais agradáveis capitais do país e como sempre, aproveitando o tempo de vôo para escrever algumas linhas para o Observatório Cristão.

Dias atrás estava conferindo algumas fotos de amigos no Instagram. Definitivamente este é meu ambiente virtual do momento para cultivar as notícias dos meus amigos. Cada vez mais mantenho-me distante do twitter, que na minha opinião acabou transformando-se numa trincheira onde adolescentes melequentos e gente mal educada insiste em distribuir suas raivas, ódios, inveja e toda sorte de opiniões descabidas. Então, num sentimento de auto-preservação, minha presença no twitter vem tornando-se cada vez mais rara. Além do mais, no Instagram optei por manter um perfil privado onde seleciono com quem irei conviver. Não aceito quem eu não conheço e mesmo que as solicitações insistentes apareçam no meu perfil, mantenho-me firme nesse propósito. Mas voltando ao assunto, em uma destas passagens pelo Instagram encontrei um comentário de um grande amigo, referência de cristão e alguém muito especial para mim, o cantor Marcus Salles. No seu comentário, Salles dizia que algumas pessoas ao encontrá-lo falavam que ele estava meio sumido da mídia. Em resposta, Salles dizia que estava sumido porque primeiramente estava cuidando de sua igreja. Em tempo – Salles é um dos poucos artistas do meio gospel que eu conheço que não só tem o título de pastor, mas que verdadeiramente exerce o ministério de pastor local. Ele ainda destacava que dedicava-se à sua família e ao chamado pastoral que ele recebeu. Em suma, explicitava que seu maior foco e razão de existir era tão somente sua vontade de fazer a obra que Deus havia lhe confiado e que estar presente na mídia era o que menos importava!

É por estas e outras atitudes que o Marcus Salles para mim é uma pessoa diferenciada! Longe de querer fazer do meu blog uma tribuna para incensar essa ou aquela pessoa, acho importante destacar pessoas que entenderam o verdadeiro sentido do que é ser separado para o trabalho em prol da evangelização no mundo. Mas dando prosseguimento ao meu texto de hoje, esse fato me estimulou a abordar um assunto que há muito tempo tenho vontade de comentar por aqui, mas que por diferentes motivos acabava ficando de lado. Tenho observado, especialmente nos últimos dois anos, que a competitividade no meio artístico gospel vem assumindo proporções inimagináveis e com isso trazendo resultados desastrosos.

Já mencionei diversas vezes que profissionalmente procuro ser o melhor, fazer o melhor, crescer intelectualmente, destacar-me em meio a todos os outros executivos do mercado. Faço isso desde a minha juventude buscando meu aprimoramento e continuarei seguindo nesta mesma estratégia para os próximos anos. Isso é lícito, saudável e importante. Creio que todo artista deve buscar a excelência. Um dos grandes focos deste blog é justamente contribuir para o desenvolvimento dos profissionais do que hoje chamamos de mercado gospel. Ao longo destes quase 4 anos de existência do Observatório Cristão muitos e muitos textos focaram sobre a necessidade dos profissionais buscarem o melhor para seus projetos. O problema é que tenho percebido claramente que essa busca pela excelência tem se tornado numa busca desenfreada em sentir-se superior ao outro.

Há neste momento em nosso meio artístico uma corrida desenfreada em fazer de tudo para sobrepujar a concorrência. E quando falo de tudo, é tudo mesmo! E esse espírito competitivo vem criando uma cultura nefasta que está causando muitos problemas e decepções. Sei de histórias comprovadas de artistas que não querem conversar com determinada gravadora enquanto no cast estiver aquela artista que canta no mesmo estilo musical. Ou de artistas que não aceitam de forma alguma participar de shows com esse ou aquele nome, ainda mais se for para cantar antes da apresentação do desafeto. Tem ainda aquele artista que se grava com um produtor, isso acaba determinando que este profissional aderiu ao lado negro da força. Ou seja, o produtor precisa decidir-se entre um ou outro artista. Não dá para atender aos dois! Típica mentalidade futebolística onde duas torcidas não se unem de forma alguma!

Ultimamente percebo nas redes sociais uma profusão de fotos de artistas comprovando que seus eventos estão lotados de pessoas. Quando o evento não ‘bomba’ na audiência, a foto resume-se a um registro do palco, ressaltando que o foco nestes casos é a partir da plateia em direção ao artista. Essa atitude para alguns pode ser só um registro fotográfico, mas para outros é mesmo uma forma de mostrar sua força e de que os concorrentes precisam respeitá-lo ou pior, temê-lo.

Nesta mesma viagem para Curitiba, ouvi de um diretor de rádio que tempos atrás foi procurado por um divulgador de uma gravadora onde este pedia para que se deixasse na geladeira as músicas de uma determinada artista que naquele momento estava em outra gravadora. Não satisfeito em querer que a emissora tocasse seus produtos, o dito cujo queria bloquear a divulgação da concorrência! Na mesma linha, sabemos de artistas que promovem uma verdadeira cruzada contra os seus desafetos nas redes sociais e para isso utilizam-se de seus séquitos de fãs atacando a todos sem dó nem piedade. É uma carnificina só!

Posso elencar mais uma dezena de atitudes estranhas a quem se diz seguidor de Cristo em se tratando de ‘competitividade artística’. Mas não convém seguir destilando todas as estratégias de guerrilha que esta turma vem se utilizando. Até para não dar mais ideias a alguns! O que eu realmente gostaria de alertar é que estamos muitas das vezes focando no inimigo errado! Infelizmente vejo que alguns artistas, alguns com bastante experiência de mercado, estão hoje em dia mais preocupados com o sucesso deste ou daquele artista do que em reorganizar sua própria carreira e corrigir seus defeitos. Vejo claramente que alguns artistas que já tiveram relevância no passado, hoje estão mais focados em falar dos outros do que em seu próprio trabalho.

Soube dias atrás de um caso onde uma cantora resolveu atacar uma outra artista. Ela dizia que era em tudo copiada pela sua “concorrente”. A briga deixou de ser apenas nos bastidores para chegar às redes sociais e no meio artístico, todos ficaram sabendo da confusão. E como não estava a par desta guerra de egos, resolvi pesquisar um pouco sobre a carreira atual da artista que dizia estar sendo prejudicada. Visitei seu site e vi que sua agenda estava congelada no ano de 2012. Certamente ela não dava a devida atenção à atualização de seu site. Ouvi um de seus últimos trabalhos e percebi o quanto estava fora de sintonia. Seu repertório era desatualizado, os arranjos repetitivos, ou seja, fora do tempo e do espaço! Em resumo, a artista que se sentia prejudicada, apenas estava transferindo seus problemas para outro foco. Em minha modéstia opinião, a isso podemos chamar de desespero!

Vou terminando meu texto querendo mais uma vez alertar aos nossos seletos artistas do meio gospel que nosso adversário é outro! Preste atenção no que digo: nosso adversário é outro e não O outro! Temos que combater o mesmo adversário, mesmo que em estratégias e com armas diferentes. Mas no fim, nosso adversário deve ser só um! Querer ser o melhor é lícito, mas o motivador desse “querer ser melhor” é apenas o de dar a Deus nossos dons e talentos com qualidade, nosso sacrifício, nossa adoração plena. Que o motivador seja somente este e não satisfazer o nosso ego, nosso prazer próprio, nossa auto-estima.

Cada vez mais teremos espaço para dar o nosso testemunho perante à sociedade. Isso é fato! Com isso, também aumenta e muito, nossa responsabilidade em marcar e fazer diferença. Se agirmos de forma incoerente com o que pregamos e acreditamos, como poderemos fazer diferença? Querer ser e fazer o melhor, sem dúvida! Mas ressaltando que em tudo devemos nos esforçar para agradar a Ele, tão somente a Ele.

Mauricio Soares, publicitário, um ser com paciência além da conta, buscando cada dia melhorar como pai, profissional, marido e cristão, jornalista, blogueiro, consultor.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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