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Comprometimento – se errar o foco, a coisa desanda!

Outro dia conversando com uma jovem profissional do mercado gospel falamos a respeito de algumas questões relativas ao comprometimento. Na verdade, tivemos um bom momento de avaliação sobre as questões que envolvem o “vestir a camisa da empresa” e o assumir a personalidade da empresa, incluindo aí suas mazelas e defeitos.

Em cima deste bate papo, resolvi dedicar alguns minutos para expor minhas opiniões sobre esta questão que pode servir como parâmetro importante para os jovens leitores do Observatório Cristão. Sei que grande parte dos 46 leitores deste blog são jovens a caminho do mercado de trabalho. Como já mencionei em outro texto, um dos meus maiores objetivos neste blog é colaborar, mesmo de forma absolutamente humilde, para a formação profissional, principalmente para aqueles que pretendem um dia ter algum envolvimento no potencial e emergente mercado gospel.

Mas vamos ao que interessa. No decorrer deste bom papo, começamos a falar de determinadas pessoas que confundiram “comprometimento” com o que defini num bom português de “ranço”. Isso mesmo! Palavrinha das mais feias do nosso vocabulário, mas que em toda sua plenitude linguística-estética, denota com primor o seu real sentido. No Wikipédia, a palavra ranço é definida da seguinte forma:

Ranço ou rançoso é o nome dado a um alimento quando este apresenta uma alteração de sabor produzida pelo contato com o ar nas substâncias gordurosas. O ranço se caracteriza pela presença de um odor forte e sabor amargo ou acre. Normalmente esse sabor está ligado à formação de ácido butanoico no alimento, devido à oxidação.

Parafraseando esta definição, eu diria que o “profissional rançoso” é aquele que apresenta uma alteração de comportamento, discurso, indumentária, cor do cabelo, penteado, gosto pessoal e até mesmo atributos físico-psicológicos pelo contato com chefes, superiores e mesmo cultura de uma empresa. O ranço profissional se caracteriza pela exacerbação dos defeitos, falhas, ideologias, cacoetes, pensamentos e até mesmo presunção de que aquele é o nirvana máximo da condição profissional.

Particularmente sou uma pessoa de comprometimentos muito fortes, não só nas questões profissionais como também em questões pessoais! Pra quem acompanha minha trajetória ao longo destes 20 e poucos anos, já deve ter percebido que sou um profissional intenso nos meus projetos. Não consigo me envolver com nenhum projeto sem viver intensamente e buscar os melhores resultados. No entanto, sempre busquei manter minha identidade própria e meus conceitos bem claros.

Infelizmente percebo claramente que algumas pessoas confundem “comprometimento” com a perda de senso crítico! E isso pode gerar problemas seriíssimos no futuro de uma carreira e mesmo na rede de relacionamentos pessoais. Vejo que algumas pessoas vestem não somente a camisa, mas trocam a própria pele e o cérebro para amoldarem-se à cultura de determinada empresa. Isso é muito triste e imagino que muitas pessoas neste perfil acabam fechando as portas para si no mercado.

O mercado é feito de relacionamentos, de parcerias, de respeito mútuo. Quando determinado profissional assume as questões corporativas como pessoais, sinceramente, imagino como uma pessoa apostando todas as suas economias na Grécia. Qual a segurança nesta estratégia? Nenhuma! Infelizmente vejo algumas pessoas confundindo as estações! As pessoas precisam entender que independente das empresas, há uma relação pessoal no mercado e isso deve ser preservado e incentivado.

Todos precisamos defender nossos empregos. Temos que buscar sempre o melhor para nós como profissionais e para nossos empregadores. No entanto, nunca devemos nos esquecer de que a sua marca pessoal é tão ou mais importante que a marca de uma empresa.

Faço estas ponderações com conhecimento de causa. Sou um entusiasta do mercado gospel no país. Nunca me furto de participar de eventos que sirvam para debater o mercado ou mesmo em palestras e eventos em prol de uma maior capacitação dos profissionais do meio. Dias atrás estive participando de um evento sobre o segmento evangélico no Brasil e lá pelas tantas, fui abordado por uma pessoa que jamais havia visto antes. Com muita educação e polidez, esta pessoa se apresentou como consultor de empresas e fez questão de me parabenizar por estar doando meu tempo para aquele evento. Longe de querer jactar-me por este fato, apenas uso esta experiência para reafirmar meu compromisso pessoal de dividir conhecimento e ampliar as relações interpessoais.

Com estes anos de estrada posso elencar inúmeras pessoas que confundiram-se entre comprometimento e ranço. Em sua avassaladora maioria, estas pessoas simplesmente desapareceram do mercado catapultadas por sua antipatia perante todo o meio. Então, fica aqui uma dica: trabalhe com afinco, determinação, honestidade, foco e principalmente comprometimento pelos resultados, mas jamais incorpore a personalidade de uma empresa como sendo a sua, principalmente as falhas que esta empresa venha a ter. Mantenha sua imagem própria independente da empresa. Mantenha seus relacionamentos e contatos devidamente próximos independente da empresa. Enfim, viva sua vida e não confunda-se com a vida dos donos ou gestores de sua empresa. Cada um tem seus objetivos muito claros. Defina os seus objetivos pessoais e mãos à obra!

 Mauricio Soares, consultor, publicitário, jornalista. E saiba que um simples bate papo informal com este ”observador” pode ser utilizado como idéia básica para um texto no Observatório Cristão. Portanto, muito cuidado com as palavras!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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