Considerações de fim de ano: Concorrência e Mercado Gospel

2011

Recentemente conversando com um grande amigo que atualmente reside nos EUA ele fez um comentário que simplesmente achei antológico e que traduz exatamente o que acontece no nosso país e em especial no que denominamos como “mercado gospel”.

Por ele ser um profissional com anos dedicados ao mercado cristão no país, sua observação é bastante pertinente. Esta pessoa já atua no meio gospel com ênfase na área editorial há mais de 20 anos e mesmo depois de tanto tempo na labuta ainda se sente estimulado a melhorar e, somente por isso, optou por um longo período de estudos com os experts norte-americanos.

O comentário que tanto me impressionou e que tem ressoado em minha mente nestes dias de recesso é mais ou menos o seguinte: “Os americanos realmente são focados em resultados e para alcançar ou realizar algum projeto que gere lucratividade são capazes de se associar até mesmo entre concorrentes! Já no Brasil, percebemos que amigos rompem alianças para não terem que dividir seus parcos ganhos!”

E infelizmente é exatamente isso o que percebo por aqui. Temos uma enorme arrogância de afirmar que o mercado gospel está em franco crescimento, que em breve seremos metade da população brasileira e por aí vai, mas efetivamente ainda estamos anos-luz de distância de um mercado maduro, com players fortes e principalmente com profissionais de qualidade focados em resultados!

Ainda completando o pensamento de meu querido amigo eu diria que no nosso mercado, principalmente o fonográfico, a concorrência é vista como inimizade, algo que precisa ser simplesmente extirpado! Na verdade é uma visão completamente deturpada afinal cada gravadora tem seu portfólio próprio e artistas do cast. É diferente de quem vende tomate, afinal tomate é sempre tomate e vários fornecedores podem oferecer um produto similar. Já entre gravadoras, somente a Sony Music detém o último CD da Cassiane, a MK tem a discografia de Fernanda Brum, assim como a Graça Music tem os lançamentos de André Valadão e por aí vai. Portanto, somos apenas concorrentes e nosso inimigo na verdade é apenas a “não-vontade” do consumidor em obter nossos produtos, somente isso!

Neste fim de ano, recebi a ligação de um outro grande amigo que acabou de ingressar numa gravadora evangélica. Profissional gabaritado, este amigo além de desejar-me um ano novo de sucesso, acertou de se encontrar comigo no retorno do dolce far niente para que ações em parceria pudessem ser realizadas entre as empresas que dirigimos. Belíssima notícia para finalizar o ano de 2010 que trouxe tantas notícias alvissareiras!

Não sou efetivamente nenhum paladino do mercado ou um líder sindical, mas efetivamente minha vida profissional sempre foi pautada para o bem comum do mercado. Nunca me furtei de ajudar (muita consultoria 0800, sem dúvida!) a pessoas que demonstraram boa vontade em realizar coisas positivas. Efetivamente espero que no próximo ano, as gravadoras que atuam neste mercado gospel desarmem-se de sua arrogância e que estas mesmas empresas trabalhem em prol do fortalecimento do próprio mercado. No mínimo, espero que atuem de forma ética, só isso já será um super passo! Feliz 2011 com muita música, paz, saúde e sucesso!
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Mauricio Soares, tricampeão brasileiro, atualmente curtindo merecido descanso em algum lugar do planeta Terra.

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