Crescer e superar o medo ou estagnar na zona de conforto

Ufa! A Expo Cristã acabou e mais uma vez fica aquela sensação de que eu deveria fazer algo a mais, falado com mais pessoas, assistido a mais shows, conhecido mais gente. No entanto, é certo que aproveitamos ao máximo os 6 dias desta feira que está no calendário anual do mundinho gospel. E por mais que todos reclamem do frio, do calor, do preço do estacionamento, da praça de alimentação, dos corredores apinhados de gente (e de lixo também!), do barulho ensurdecedor de alguns expositores aloprados e de tudo mais, o certo é que na segunda-feira sentimos uma ponta de saudades por tudo o que rola naquele pavilhão.
Começo a escrever esse post em mais uma sala de embarque. Agora rumo ao Rio de Janeiro onde espero poder curtir um pouco mais de minha família e reorganizar minha mesa depois de mais de uma semana ausente do escritório. Antes de escrever sobre o tema deste post propriamente dito, não posso deixar de agradecer ao carinho de centenas (não é uma contagem evangelástica! É real mesmo!) de pessoas que me abordaram nos corredores da Expo e mesmo em nosso stand para falar sobre a relevância do Observatório Cristão em suas vidas pessoais, profissionais e artísticas. Recebi também inúmeras mensagens pelas redes sociais e outras através de minha caixa postal eletrônica. Recebi relatos de jovens que utilizam o OBC como cartilha de aprendizado. Outros simplesmente como um lugar onde podem dar boas risadas, até porque, esse é um blog que tem como característica usar de muito bom humor na análise do mercado e de tudo que vira assunto no post. Jamais imaginei que tivesse que explicar esse estilo, mas como já disse antes, infelizmente algumas pessoas, que certamente não se encontram entre os meus seletos 44 leitores do blog, não entenderam a forma de escrita e resolveram criar um levante nas redes sociais. Felizmente esse movimento não durou mais do que um dia. Página virada!
Então, mais uma vez quero agradecer ao carinho de todos vocês! Vamos tentar manter a qualidade de nossos textos e mesmo uma certa periodicidade, o que é um suplício para esse abnegado editor. De qualquer forma, creio que teremos muitos assuntos interessantes nas semanas seguintes. Quero também aproveitar e deixar um canal de sugestões sobre temas e assuntos que vocês queiram ver abordados em nosso blog.

“Podemos recuar em direção à segurança ou avançar em direção ao crescimento. A opção pelo crescimento tem que ser feita repetidas vezes. 
E o medo tem que ser superado a cada momento” – Abraham Maslow 
Li este texto hoje cedo pelo meu Facebook. Achei essa frase o retrato perfeito do que tenho vivido nestes últimos anos. Nestes dias de Expo recebi muitos tapinhas nas costas (e no meu rim esquerdo, ui!), ouvi elogios sobre a performance de minha equipe e projeto, tive momentos muito agradáveis de feedback de clientes, profissionais, artistas e pessoas que jamais vi em minha vida, mas que simplesmente e de forma gratuita nos parabenizavam pelo trabalho. Muito deste nosso desenvolvimento profissional deve-se a atitudes e decisões de “avançar”, mesmo que as perspectivas num primeiro momento fossem assustadoramente complicadas!
Jamais tive medo de trabalho e desafios. Acho que tenho um dom meio kamikaze de jogar-me em alguns projetos mais audaciosos. Isso não deve ser uma regra! Isso é muito importante que fique claro. Ninguém deve sempre viver seguindo atrás de projetos mirabolantes pela simples adrenalina. Não é disso que estou falando. Na verdade, temos que acreditar em nossa capacidade e potencial de enfrentar grandes desafios. Muitos não têm no DNA esse gene de sair da área de conforto em busca de saltos espetaculares. Isso não é inerente a todos os seres humanos. No meu caso, confio muito em minha experiência e capacidade de traçar estratégias vencedoras. Mas antes de qualquer coisa, tenho um ímpeto de “avançar” e isso tem sido minha mola propulsora ao longo dos últimos anos. Tenho outros amigos de mercado que estão confortavelmente em suas posições, em suas baias de trabalho, em sua rotina, mesmo que o ambiente não seja tão agradável ou estimulante como devesse. Simplesmente optaram pela segurança e esta é uma opção que cada profissional ou indivíduo tem direito pleno de escolher.
Em especial na vida artística, o “avançar” deve ser mais constante. É da natureza artística superar-se a cada dia, a cada projeto. O artista que opta pela segurança, talvez de forma inconsciente, decide na verdade, pelo recuo, pela queda, pela perda de vitalidade, muito mais do que pela simples estagnação. Estagnar significa manter-se no mesmo patamar, no mesmo estado. Isso não existe na vida artística! Ou se procura o crescimento, o “avançar”, ou então em menor ou maior escala, opta-se pelo ostracismo puro e simples.
Existem certos artistas que conseguem estabelecer muito claramente suas metas e perspectivas futuras. Outros já são míopes neste quesito e vivem no melhor estilo “sem lenço, sem documento”. Recentemente conversei com uma artista que está prestes a decidir por manter-se numa gravadora completamente desatualizada, sem possibilidades de crescimento e com estratégias nada ortodoxas ou então em mudar-se para uma nova empresa comprovadamente mais focada, organizada e atuante. No fundo, esta artista sabe que sua carreira precisa de um upgrade e que a participação da gravadora tem um peso enorme nesse processo. O que está gerando dúvidas sobre sua decisão é tão somente a mudança de uma área de conforto para um novo ambiente, novos ares, o que gera, sem dúvida, algumas inseguranças e incertezas. Mas quem foi que disse que para conquistar e crescer não temos que ter uma dose de investimento pessoal e risco?
Estava eu no stand da gravadora durante a Expo. Aquilo lá parecia um centro de imprensa de Copa do Mundo com inúmeros jornalistas, blogueiros, apresentadores de TV, gente da mídia em geral. Como já falei em meu twitter, nada mais paulistano do que um engarrafamento em pleno stand de câmeras de TVs. E ali, no meio de todo aquele tumulto organizadíssimo, um menino de uns 12, 13 anos me perguntou se poderia falar comigo em particular. Já havia o visto rodeando o stand, sabia que era um jovem artista gospel. Inclusive já havia escutado seu CD e sabia que fazia parte do cast de uma gravadora. Ainda assim, fiquei meio surpreso de vê-lo em minha frente solicitando um tempo para falar em meio de toda aquela agitação. Chamei-o para um canto do stand e passei a ouvir atentamente o que ele queria falar-me.

” – Senhor Mauricio, é que eu sou um artista, você sabe? Sou contratado da gravadora tal e eu estou aqui na feira pra trabalhar! Mas não tem ninguém aqui da gravadora. Eu estou andando de um lado para o outro e ninguém vem falar comigo. Eu ainda não dei entrevista para nenhuma mídia … estou muito triste. Te confesso até que chorei antes de falar contigo, mas eu não quero ficar assim desanimado. Eu acredito que tenho talento e que posso ser uma artista grande, só que eu preciso de ajuda. O senhor pode me ajudar?”
Confesso a vocês que fiquei meio aturdido com aquela cena e desabafo. O que poderia fazer para ajudar a um artista de uma outra gravadora, ainda mais com tanto trabalho em meio àquele stand. Passados alguns segundos e reconhecendo a atitude positiva do jovem infante, resolvi convocar todas as mídias presentes para incluí-lo na agenda de entrevistas. Em poucos minutos o menino começou a sorrir e a dar entrevistas para todo mundo que apareceu no stand (e não foram poucos não!).
O que tiro como lição neste caso é que ele, mesmo sendo uma criança, decidiu romper com a inércia, com a vergonha, com o (des) conforto e enfrentou sua situação. Ele decidiu crescer, arriscou-se em falar com alguém que não conhecia e que para muitos seria um obstáculo e acabou conseguindo uma excelente oportunidade. Recebi muitos CDs na Expo, acho que um pouco menos do que no ano passado (talvez alguns tenham lido minhas dicas do blog). Algumas destas pessoas encontraram-me nos corredores, enfrentaram as filas e cordões de isolamento e entraram no stand. Até mesmo (eu disse para não fazerem isso, mas enfim!) no banheiro eu ganhei um CD para ouvir com carinho depois de lavar bem as mãos. Estas pessoas, de uma forma ou de outra, demonstraram vontade de crescer.
Ao fim daquele dia de muitas entrevistas, o jovem cantor me agradeceu pela ajuda e perguntou na maior calma:
” – A que horas eu devo voltar amanhã? Pode ser já às dez da manhã?”

Mauricio Soares, jornalista, blogueiro publicitário, líder isolado do Brasileirão, pai do Fernando, Leonardo e do pequeno Benjamim. Aproveito também para agradecer aos amigos, mídias e profissionais que tanto nos prestigiaram nestes dias. 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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