Crescer, expandir, ampliar, mas sem negociar o inegociável!

Existem certas conversas, palavras que são recebidas, às vezes até mesmo simples gestos, que ficam ressoando em nossa mente. Dias atrás, participando de um culto em minha igreja local, o meu pastor disse uma frase durante sua pregação que até agora está me instigando. Na verdade, aquela expressão simplesmente me deu um insight tão forte que agora às 2h16 da madrugada de uma quinta-feira, estou em frente ao computador para tentar de alguma forma desenvolver um texto sobre esse momento tão marcante.

Geralmente os temas do Observatório Cristão são voltados ao mundo da música, ao universo artístico, às vezes, falamos de tecnologia, em outras oportunidades focamos em marketing e coisas do gênero. Mas quero pedir licença aos 40 e tanto leitores deste blog para aventurar-me a comentar sobre um assunto diferente. Permissão concedida, espero que você me acompanhe em seguida.

Antes de dizer qual foi a frase que tanto me impactou, acho que devo dizer que frequento uma igreja da linha histórica. Só que é uma igreja bastante contemporânea, que tem uma leveza bem diferenciada em sua liturgia, que foca no trabalho junto às famílias, utiliza-se do sistema de células e cultos nos lares. Diria que para os tradicionais, a minha comunidade é mais avivada e já para os mais avivados, o nosso estilo é bem tradicional. Então, com muito equilíbrio e bom senso, posso dizer que frequento uma igreja de pessoas com vontade de acertar. Já acho isso um excelente objetivo.

“Um cristão verdadeiro. Aquele que realmente segue os conceitos e preceitos bíblicos jamais, eu digo jamais, será considerado nos moldes da atual sociedade, alguém politicamente correto! É incompatível você ser um cristão verdadeiro e ser aceito integralmente pela sociedade!”

Creio que foi mais ou menos isso o que foi dito naquele púlpito e que me fez refletir sobre tantas coisas a dizer. Talvez tenha modificado um pouco o texto original, mas o cerne, o conceito principal da mensagem é exatamente este o que estou trazendo aqui.

Quando ouvi essa afirmação imediatamente comecei a pensar sobre a necessidade que o povo evangélico brasileiro tem de ser aceito pela sociedade. Parece que há embutido no DNA de grande parte dos crentes tupiniquins uma necessidade inerente de aceitação, de reconhecimento. Talvez, motivado por algum sentimento de baixa estima. Essa sensação de que precisamos ser reconhecidos, principalmente pela mídia, é algo muito comum no nosso meio.

 

Só que a verdade, é que não seremos de fato aceitos pela sociedade mantendo como inegociáveis alguns dos nossos pontos de vista e bandeiras. Não se iludam com relação a isso! Para sermos realmente aceitos, precisamos abrir mão de aspectos e dogmas que do ponto de vista bíblico cristão são simplesmente inegociáveis. Ou será que seremos bem vistos mantendo nossa ferrenha oposição ao homossexualismo? Somos contrários não só a esta causa, mas também à pedofilia, à pornografia, ao abuso infantil, à exploração de mão de obra escrava, à prática da avareza, à falta de amor ao próximo, ao consumo desenfreado, à corrupção, à mentira, à valorização do ter em detrimento de ser, entre tantas outras questões.

Com o crescimento do evangélico em nosso país, onde algumas pesquisas apontam que daqui há alguns anos pode representar cerca de 50% da população do Brasil, é muito natural que o interesse por esse nicho seja aumentado. É aceitável que as mídias passem a dar mais atenção aos fatos e acontecimentos desse mercado. É natural que os grandes líderes sejam procurados por partidos políticos, por empresários e afins, para desenvolverem projetos e parcerias. Esta é uma movimentação natural de mercado. Isso é algo esperado e mantendo-se as devidas precauções, deve até mesmo trazer reais benefícios para o Evangelho e o setor como um todo.

Entretanto, a questão que gostaria de enfatizar é que nossas expectativas não devem ser ilusórias! Mesmo com toda a força. Mesmo com toda a representatividade. Mesmo tornando-se um pujante mercado consumidor, nada disso será suficiente para que a sociedade aceite todas as nossas convicções, dogmas e objetivos! Não mesmo! E aí é que corremos um risco muito sério! Reconhecendo que nossos conceitos não serão aceitos pela sociedade, a expectativa é de que a verdadeira mudança assuma sentido contrário, ou seja, que mudem os conceitos e valores dos cristãos.

No texto de Hebreus 10, a partir do versículo 19, Paulo nos apela à perseverança, ao compromisso de nossa fé genuína e inabalável. No versículo 22 ele enfatiza: “aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé” – plena convicção de fé, ou seja, ciente do que cremos, do que pregamos. No versículo seguinte ele fala ainda mais claramente: “Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel” – apegar com firmeza, significa não ser influenciado por qualquer outro pensamento. Por fim, ele destaca a importância de vivermos em comunidade, de nos incentivarmos mutuamente neste objetivo. “E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor, às boas obras. Não deixemo-nos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos animar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia”

Infelizmente, esse movimento já é perceptível em muitos momentos em nosso meio. Quando observamos líderes deixando de agir como “boca de profeta” para adequar seus discursos a fim de que não haja choque e conflito em seus interesses pessoais ou quando vemos políticos evangélicos envolvidos em escândalos dos mais variados, já temos indícios claros dessa ‘contaminação’. O Evangelho nos instrui a sermos sal, a sermos luz. Para “salgarmos”, precisamos estar no meio do alimento. Só assim podemos trazer sabor à comida, misturados, numa simbiose completa, mas ainda assim, conservamos integralmente nossa essência, o sabor.

Longe de querer tornar-me um eremita, minha intenção é justamente propor uma postura de aproximação. Sem que essa aproximação transforme-se em perda de identidade. O verdadeiro cristão precisa transformar o seu ambiente. Quando abrimos mão dos conceitos e ensinamentos de Cristo, acho que tornamo-nos mais politicamente corretos. Sinceramente, meu objetivo, é ser biblicamente correto. Ser luz! O resto, é só o resto!

Mauricio Soares, jornalista, profissional de marketing, alguém buscando aprimoramento constante. Neste texto tive a maravilhosa contribuição do mais novo jornalista do mercado, meu querido amigo, irmão, companheiro de longa jornada e exemplo constante, Asaph Borba. Muito obrigado pela contribuição! 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

One Comment

  • Jessica Brito Rodrigues

    19/01/2012 at 13:12

    Que Deus continue os abençosndo meus queridos irmão, por estas palavras que são verdadeiros tesouros Espirituais para as nossas vidas.
    “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual”
    Colossenses 1:9.
    Forte abraço
    Jessica

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