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CUIDADO COM QUEM DEVERIA AJUDAR E SÓ ATRAPALHA!

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Há algum tempo atrás era bem comum encontrar adesivado em vidros dos carros pelas grandes cidades uma campanha que dizia “Seguro, só com corretor de seguros”. Tempos depois passamos a nos deparar com outras categorias profissionais em campanhas semelhantes onde o conceito que se repetia era sempre o mesmo, ou seja, cerque-se de profissionais credenciados e de qualidade para somente assim garantir que não terá problemas futuros. Existe um ditado popular que diz: “Diga-me com quem andas e te direi quem és”. Em uma palestra ouvi do preletor a seguinte afirmação: ‘Muito pior do que ter um funcionário passivo, lento, sem iniciativa, não criativo … é ter um idiota voluntarioso, o estrago costuma ser bem maior!”

Estava conversando com um amigo profissional da indústria fonográfica, alguém com pouco mais de 10 anos de mercado, portanto já com uma relativa experiência em nosso meio e ele me relatava a respeito de uma experiência traumatizante que havia vivenciado dias atrás. No meio de um processo de renegociação de contrato, este profissional viu-se diante de uma situação constrangedora onde o artista simplesmente recusava-se a negociar diretamente com a gravadora e havia determinado um interlocutor de seu staff para tratar de todo o processo. Até aí, nada demais … muitos artistas (especialmente no meio secular) possuem empresários e managers que cuidam de todas as questões relativas a números, contratos, percentuais, venda de shows etc. Só que neste caso, o tal interlocutor imposto pelo artista era alguém completamente despreparado, sem experiência do mercado fonográfico, sem ‘tempo de estrada’, que não havia participado do processo de construção daquele projeto/artista desde o início e, o pior, com uma arrogância tamanha que praticamente inviabilizou todo o processo de conversação entre aquele artista e a gravadora.

Quase que como um terapeuta, fui ouvindo as queixas e decepções daquele profissional (que tem meu máximo respeito!) pela forma com que todo aquele processo havia sido conduzido. Era latente de que aquele artista havia errado de várias formas na condução da negociação e o principal fator neste erro, sem dúvida, foi a colocação de alguém sem a menor condição de representá-lo. E aí voltamos ao primeiro parágrafo deste texto que escrevo em meio a uma ponte aérea entre Rio e São Paulo. Há uma carência de profissionais que realmente estejam preparados para conduzir carreiras artísticas no meio gospel e católico no Brasil. Vivemos uma profusão de maridos, esposas, cunhados, primos que surgiram não se sabe de onde … filhos, vizinhos e até sogras que de uma hora para outra imaginam-se como sendo Dodi Sirena, Poladian ou outros empresários de sucesso no show business. Isto é mais comum do que se possa imaginar para tristeza daqueles (como eu!) que precisam sentar-se à mesa de negociação para tratar de contratos e do gerenciamento de carreiras. O nível de conhecimento no ambiente dos ‘empresários’ do meio gospel é perto do pré-sal e não falo isso para diminuir ninguém, mas justamente para estimular ao crescimento, ao entendimento, à maior capacitação e busca de conhecimento. Simples assim!

Meses atrás reuni-me com um destes empresários-maridos-de-cantora-gospel e o nível de desconhecimento do mercado da música, do ambiente digital, em especial, beirava o nível máximo de ‘vergonha-alheia’. O marido sequer conseguia pronunciar Spotify, Deezer, ou palavras mais comuns como views e single … quando não conseguia mencionar estas palavras, recorria ao surrado ‘essas coisas’ … e confesso que nunca ouvi tantas vezes ‘essas coisas’ numa conversa de pouco mais de 1 hora de duração. Mas aí você deve se perguntar, mas será que todo mundo nasce sabendo? Tem algum mal em ser empresário e marido da cantora? De pronto respondo que não! Não há problema alguma em unir a filiação ou o vínculo familiar com o trabalho de gestor de uma carreira artística, mas o DNA não pode ser mais importante o que o conhecimento! Jamais! Pra começo de conversa, o que mais temos hoje em dia é informação ao alcance das mãos. Basta um tempo de dedicação, pesquisa, leitura e observação in loco dos processos, para se formar conhecimento. No caso de gestores de carreiras artísticas, uma boa dica é buscar conhecer outros profissionais do meio e aprender com eles. De fato, sugar ao máximo o conhecimento e adaptar à realidade de seu artista tudo o que foi aprendido.

A verdade é que tem muita gente em nosso meio querendo ser o que de fato não é … e neste momento, contar estória já não leva ninguém a lugar algum! Ou se sabe com propriedade ou então, é melhor ficar quieto. O que não ocorreu em uma recente reunião em que participei e um jovem com seu blazer surrado disse que uma determinada artista havia trazido mais de 1.000% de lucro para a gravadora. E o rapazinho falou isso com a maior sem-cerimônia como se fosse normal um artista alcançar tal lucratividade, ou seja, deveria ter ficado calado (e comprar um blazer novo!). O ruim para ele é que nesta reunião tinham apenas profissionais mega experientes do mercado da música e aquela sua intervenção, praticamente o desabilitou no restante da reunião. Ninguém mais o levou a sério!

O mercado da música seguirá crescendo pelos próximos anos! Isso é fato! Especialmente no Brasil com um delay significativo em termos de qualidade de acesso aos conteúdos digitais. Neste momento, estar inserido no cast de uma gravadora faz toda a diferença para qualquer artista e contar com o suporte de profissionais irá garantir resultados que certamente irão contribuir e, muito, para uma carreira de sucesso e maior longevidade. Então, minha sincera dica é “Seguro, só com corretor de seguro!”

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, 30 anos de mercado gospel e alguém que não curte gente que finge que entende e na verdade não entende nada, mas que sabe fingir o que não sabe.