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Cuidado com quem está ao seu lado!

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O ditado popular afirma categoricamente que “diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és!”. Pois bem, esse é um adágio que costumamos evocar sempre associado às más companhias, comumente com a idéia negativa de quem anda junto. No entanto, se formos pensar no conceito literal dessa expressão também poderemos considerar que boas pessoas que andam juntas, irão produzir ações positivas. Toda esta introdução pseudo filosófica comportamental tem como objetivo abordar um assunto que pode ser bastante espinhoso em se tratando de meio artístico e mais especificamente do meio gospel.

Em mais de 20 anos de mercado fonográfico já tive contato com todo tipo de “empresário” de artista gospel. Do marido que jamais trabalhou em outra coisa a não ser no ‘ministério da esposa’ passando pelos pais que apostaram no rebento para que ele estourasse como um mega astro e ajudasse assim à família, gato, cachorro, sobrinhos e achegados, a subir de vida. Tem ainda aquele pastor que ‘investiu’ horas e horas de oração, em instrumentos musicais, em cursos de línguas, expressão corporal e em relacionamentos com outras lideranças para que o seu ministério de louvor se tornasse referência às nações (as metas têm que ser sempre muito grandiosas senão pode ser sintoma de pouca fé!). Tudo isso sem deixar de citar aquele amigo de infância que sofreu, que lutou, “que chorou junto” (repare só como essa expressão de “chorar junto” é comum nos agradecimentos registrados nos encartes dos CDs) e que depois tornou-se braço direito do artista.

A última coisa que um artista precisa é de alguém amador ao seu lado! E pior, uma pessoa que julga-se entendida em todos os assuntos relacionados à carreira artística e que infelizmente tem um poder enorme de influência sobre o artista. Geralmente esses ‘empresários’ são PHD em produção musical, possuem MBA em marketing, finanças, estratégia, planejamento, gerenciamento de carreira, designer, internet, fotografia e nas horas vagas também se aprofundam nos estudos sobre as melhores rotas aéreas do país.

Quando ouço um marido ou pai de artista dizendo com o peito cheio de orgulho: “Cantamos ontem e foi uma bênção! Milhares de pessoas na praça! Uma coisa linda!” Fico arrepiado porque este é um sintoma de que o artista e seu “empresário” já se tornaram uma coisa só! A expressão “cantamos” – assim na 1ª pessoa do plural – é o exemplo mais eloqüente de que o “empresário” se sente parte fundamental do projeto. E isto geralmente causa tragédias impressionantes!

Como em nosso meio, artista é levita. Música é adoração. Show é culto ao ar livre. E cachê é oferta de amor. A figura do manager , um profissional específico para cuidar de todas as ações e interesses do artista é algo impensado e mesmo desestimulado no mercado gospel. O certo é que este processo de profissionalização do mercado de música gospel no país é algo irreversível e as mudanças em diferentes áreas serão implementadas mais tempo ou menos tempo.

Ressalte-se que neste momento não estou expurgando a figura familiar do projeto artístico! Não mesmo! O que quero explicitar aqui é que todo artista que queira ter uma carreira de sucesso e longeva precisa ter pessoas capacitadas à sua volta e imbuídas de um mesmo objetivo. Se o marido é quem cuidará da agenda da cantora, então ele deve se portar como alguém que recebe educadamente as ligações, solícito e disponível 24h por dia, 7 dias da semana. Também irá abdicar de acompanhar a cantora em seu périplo pelo país. Não dá para viajar aos rincões do Brasil, por lugares onde não funcionam regularmente celular, rádio, internet e assim permanecer inacessível aos contatos dos interessados na agenda da artista. Se o marido é o agenciador, ele não poderá cuidar do repertório da cantora, muito menos do site oficial da cantora na web, ou dos ensaios, ou fazer a produção de figurinos da próxima sessão de fotos … deu pra entender?

Além de propor que as funções sejam melhor definidas no staff da artista, quero incentivar que estes “empresários” invistam em sua capacidade e conhecimento técnico sobre suas atividades. Ter que lidar com “empresários” que sequer sabem redigir um email na língua pátria é o fim! Ninguém tem culpa de não ter conseguido estudar na infância e adolescência, afinal vivemos num país onde a educação não é considerada como prioridade, mas como aceitar que pessoas que conseguiram ascender socialmente se eximam da possibilidade de reiniciarem seus estudos? Muitos destes “empresários” e mesmo artistas do meio gospel estagnaram suas vidas e apenas se isolam no mundinho religioso. Se você propuser uma conversa informal sobre política, economia, costumes, tecnologia ou outro assunto diferenciado estará arriscando a falar sozinho ou mesmo a ouvir opiniões completamente absurdas ou de senso comum.

Neste nosso blog costumeiramente temos dado dicas para os artistas e postulantes ao meio artístico gospel. Da mesma forma que incentivamos apuro nas técnicas musicais, conhecimento sobre a web e suas inúmeras possibilidades, assim também colocamos como um ponto importante para um bom desenvolvimento do trabalho artístico, a escolha do staff ou mesmo do manager para sua carreira e trajetória. Infelizmente já observamos inúmeros artistas talentosos que sucumbiram aos desmandos de pais, maridos, amigos, pastores e agregados e simplesmente afundaram suas carreiras. É muito importante que você, como principal interessado em sua vida e carreira, não assine uma “procuração plena” para que pessoas incapacitadas venham atrapalhar e mesmo decretar o fim de boas possibilidades.

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Mauricio Soares é diretor de uma gravadora multinacional e não vê a hora de poder lidar com artistas e seus managers que entendam sobre o que é uma carreira longeva e as mudanças do perfil fonográfico mundial. Todos os exemplos deste post não são mera ficção, apenas mudamos alguns detalhes porque na verdade as experiências neste quesito são bem mais escabrosas!

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