Definindo a diferença entre Selos e Gravadoras

Com a chegada de novos players ao mercado fonográfico religioso, muito tem se falado sobre as mudanças que deverão acontecer no segmento para os próximos anos. Sem dúvida, a entrada de novas empresas, de novos profissionais, novas tecnologias e principalmente de uma nova mentalidade na forma de lidar com o negócio trarão transformações bastante sensíveis num mercado que há anos vivia num marasmo crítico.

Nos EUA e na Europa já percebemos mudanças consistentes no mercado fonográfico. A tendência mais evidente, sem dúvida, é a transição gradativa da venda de música através da mídia física para digital e a ampliação do conceito de administração do modelo 360°, entre outras novidades. Outra mudança importante é a concentração de força entre poucos players do mercado. Esta concentração se dá principalmente pela dificuldade cada vez maior dos processos de vendas, administração, distribuição e marketing em grande escala. Estas atribuições são melhor desempenhadas justamente pelos grandes grupos corporativos que possuem por seu gigantismo, força capaz de lidar com as adversidades e peculiaridades de um mercado cada vez mais restritivo e competitivo.

Uma das dúvidas que tenho observado, inclusive em comentários por ‘profissionais’ que militam no mercado fonográfico através de redes sociais como o Twitter, tem a ver com o conceito de Label e Gravadora. Resumidamente, em se tratando de mercado fonográfico, o Label ou Selo são empresas que preocupam-se basicamente na produção musical artística. Geralmente os Selos, são estruturas bastante enxutas, com poucos profissionais, focadas prioritariamente em manter um estilo próprio artístico na empresa. Estes Selos são associados a Gravadoras que cuidam justamente da parte secundária do processo, ou seja, a administração, vendas, distribuição e marketing.

Um Selo sempre estará associado a uma outra empresa. Não podemos confundir Selo com pequena Gravadora, pois tamanho neste caso não é o definidor do estilo da empresa e sim, o conceito de trabalho! Com as mudanças no mercado fonográfico mundial, o conceito de Selo e Gravadora ficou cada vez mais freqüente. Hoje observamos que já existem Selos que reúnem outros Sub-Selos em sua estrutura de negócios.

Um exemplo clássico do conceito de Selo e Sub-Selos é a estrutura atual da gravadora de música gospel Provident, a maior empresa do gênero no mundo. Hoje são administradas pela Provident cerca de 25 Selos que cuidam essencialmente do processo de produção artística, cada qual mantendo um estilo principal. Entre os selos, empresas como Reunion Records, Integrity Music, Verity, RCA, Essential, só para citar algumas. A Provident é o braço de música gospel dentro da gigante mundial de entretenimento, Sony Music, portanto, dentro deste conceito, a Provident pode ser considerada um Selo (um Selo gigante, sim é verdade!) e as 25 gravadoras os Sub-Selos.

Não devemos ainda confundir, Selos com Departamentos ou Divisões de Negócios, pois só deve ser considerada como um Selo aquela empresa que possui com outro nome, outra marca dentro de uma mesma estrutura. Para continuar a falar a respeito da Sony Music, no Brasil optou-se por abrir um departamento específico de música gospel e não um selo diferenciado, mantendo-se assim, a mesma marca da empresa para atuar em diferentes mercados.

Então estamos entendidos! Gravadora é toda empresa que mantém a estrutura completa nas áreas artística, marketing, administração e distribuição, independente do seu tamanho. Já o Selo ou Label é a empresa que detém a estrutura própria na área artística e associa-se a uma terceira empresa para cuidar das áreas de marketing, administração e vendas. Em alguns casos, um Selo por reunir outros Sub-Selos em sua estrutura numa espécie de cooperativa. A história recente e analistas do mercado fonográfico apontam para o crescimento deste tipo de negócio entre gravadoras, cada vez em menor número e selos, cada vez mais específicos e segmentados. No Brasil e, em especial, no mercado gospel esta tendência será perceptível já nos próximos anos ou mesmo meses. É esperar e conferir!

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Mauricio Soares, publicitário, casado e pai de dois tricolores de encher de orgulho. Também grande incentivador para que cada vez mais artistas independentes e pequenas gravadoras mudem a forma de enxergar e agir junto ao mercado gospel e passem a cuidar exclusivamente do que fazem ou deveriam fazer bem, ou seja, a criação artística, deixando para outros players do mercado as outras atividades deste complexo segmento fonográfico.

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