Definindo conceitos e funções pra não gerar frustrações

Um dos maiores desafios de se manter um blog por tanto tempo é justamente o risco de, pela ausência de assuntos relevantes, acabar caindo na mesmice e na mais absoluta falta de qualidade dos textos. Comemorando mais de 8 anos de existência o Observatório Cristão  já tem em sua história alguns textos memoráveis, outros nem tanto, mas pelo menos há uma regra que venho seguindo rigorosamente neste tempo, ou seja, não publicar nada simplesmente pela ‘obrigação’ de se manter o blog em atividade. Ao longo deste período já convivemos com secas de algumas semanas sem nada de novo publicado e outras fases de intensa produtividade. Neste momento vivemos um período leve com um novo texto em média por semana, às vezes um pouco mais, um pouco menos.

Fui convidado e aceitei participar de um grupo de mídias do meio gospel no whatsapp. Isso aconteceu há alguns dias atrás e num primeiro momento me assustei pela intensidade das mensagens ali postadas. Por ali o ritmo é frenético, quase neurotizante! Percebi que ali se tratava de um grupo mais social do que profissional. Pelo menos nos primeiros dia não havia por ali grandes debates, grandes temas a serem discutidos, mas tudo fluía num clima de camaradagem, bom humor e uma ou outra menção ao dia a dia profissional. Se num primeiro momento fiquei um pouco decepcionado com o ambiente do grupo, ao longo dos dias fui percebendo que se tratava apenas de uma reunião de jovens (alguns nem tanto!!) que trabalhavam no mercado gospel em diferentes veículos de comunicação, cada qual com uma realidade própria, expectativas diferentes, mas que entendiam a relevância e principalmente o potencial desse mercado. Se a primeira impressão foi de que eu estava no meio de uma turma somente animada, aos poucos fui me dando conta de que entre uma e outra piada, uma e outra risada, surgiam por ali alguns temas mais profissionais e cotidianos. E é justamente em cima de um assunto pontuado neste grupo que quero aproveitar esse curto vôo entre o Rio e São Paulo para seguir neste post inédito.

Qual o papel da assessoria de imprensa?

Esta dúvida surgiu entre os profissionais do grupo dias atrás. Uns diziam que o assessor deveria opinar e orientar quanto às ações e posturas de seu contratante, no caso, um artista de música gospel. Outros afirmavam que o contratante deveria zelar pelo nome da empresa que o assessorava … “se ele se queimar, acaba prejudicando minha empresa e isso eu não posso admitir …” Até que em determinado momento resolvi entrar no papo e pontuar algumas questões que aparentemente passavam desapercebidas pela turma. O primeiro fato tem a ver com o conceito de “assessoria de imprensa”, afinal estamos vivendo uma fase em que as pessoas saem falando sem ter uma maior preocupação com a gênese e o conceito principal dos termos e palavras.

A definição clássica de uma assessoria de imprensa é comunicar de forma oficial ações ou fatos de uma determinada empresa, entidade, pessoa física ou órgão público direcionada à imprensa, mercado ou consumidor. A função primoridal da assessoria de imprensa nada mais é  do que informar. E via de regra, este trabalho deve ser desenvolvido por um profissional de jornalismo ou comunicação social.

Há uma clara distorção hoje em dia do papel do assessor de imprensa. Não é papel do assessor de imprensa elaborar estratégias de marketing, cuidar da imagem do contratante ou mesmo desenvolver ações de marketing digital ou coisas do tipo. O profissional de assessoria de imprensa deve tão somente comunicar e manter um canal permanente de relacionamento com os profissionais dos veículos de comunicação ou do mercado.

Tenho visto muita gente dizendo que possui um assessor-de-imprensa-faz-tudo, especialmente no meio gospel, mas preciso alertar que neste caso estamos diante de um outro tipo de profissional que não é o tradicional assessor de imprensa. E neste caso acho muito importante deixarmos claro o conceito porque é muito natural que tempo depois o contratante sinta-se frustrado porque seu assessor de imprensa só manda textos para as mídias e nada mais!

Entendido o papel e principalmente até onde vai o trabalho do assessor de imprensa passemos agora para a definição deste novo profissional que faz de tudo um pouco ou próximo disso. Em minha definição, um profissional que cuida da comunicação (assessor de imprensa) e também do networking, promoção, marketing e estratégia de seu contratante, podemos chamar de um profissional de comunicação.

Este tipo de profissional vem tornando-se cada vez mais importante num mercado tão intenso, competitivo e ágil, que vem mudando e transformando-se numa velocidade enorme. Hoje é praticamente indispensável que um artista conte em seu staff com alguém que desempenhe com maestria este tipo de serviço. Este profissional deve reunir as atribuições de assessoria de imprensa com diferentes outras atividades no objetivo final de projetar positivamente a imagem e conteúdo do artista no mercado como um todo, em diferentes ambientes – mídia, mercado, público.

Ainda acho que nosso mercado está carente de profissionais que consigam desempenhar com extrema qualidade este tipo de serviço, mas já observo que este é um nicho com enorme potencial de crescimento e boas cabeças pensantes de jovens profissionais surgindo. A questão neste caso é que como temos alguns jovens profissionais sérios e capacitados, de outro lado também há uma quantidade expressiva de gente completamente despreparada, desqualificada e principalmente mal intencionada prometendo o que definitivamente não entrega. É o que eu chamo de “açessores” ou os típicos “contadores de história”. E por causa dessa turma, há muito artista frustrado e se sentindo enganado, mas aí os próprios contratantes têm uma grande parcela de culpa. Assim como ninguém compra um imóvel, um automóvel ou procura um médico sem previamente fazer uma pesquisa (pelo menos é assim que deveriam fazer!), a contratação de um prestador de serviços também deve ser feita com muito cuidado e analisando-se resultados, procedência, opinião de clientes e coisas do tipo.

Infelizmente tem muito artista hoje em dia acreditando que o “açessor” pode cumprir com promessas mirabolantes de conseguir uma apresentação no Faustão, uma contratação por uma grande gravadora ou até mesmo um show no palco principal do Rock in Rio. Aí é o famoso caso do contador de estória e o artista que gosta de ouvir estória, geralmente esse encontro rende muitas dores de cabeça e frustrações.

É importante registrar que no ato da contratação dos serviços – que deve ser feito através de contrato formal estabelecendo prazos, valores, metas e tudo mais – é fundamental que as atividades que deverão ser exercidas pelo assessor sejam explicitadas. Isso é uma garantia tanto para o contratante como para o contratado. Conversando com um dos membros do grupo de mídias ele me disse que trabalha com diferentes modelos de serviços como assessoria de imprensa, marketing digital,  comunicação visual, marketing estratégico, entre outros. E claro, à medida que os serviços vão se intensificando, os valores também acompanham o crescimento.

Particularmente acho que a especialização e o foco são fundamentais para o resultado positivo do trabalho. A não ser que o assessor-faz-tudo tenha uma equipe capacitada e bem definida, ciente dos objetivos e muito bem organizada, minha preferência é pela divisão de tarefas entre diferentes empresas. Hoje em dia fala-se muito de marketing digital e posso assegurar que isto é bem mais do que programar flyers e posts bonitinhos com versículos e imagens bonitinhas nas redes sociais. Marketing digital é uma ciência, algo técnico, analítico, de observação e muita pesquisa. Há uma série de ferramentas para que o resultado das ações seja potencializado e isso faz parte do dia a dia do profissional de marketing digital. Como uma nova área do business, o marketing digital ainda tem muito a crescer e muitas transformações a caminho, por isso é fundamental a constante atualização e busca por informações. Um profissional de marketing digital é antes de mais nada alguém que não tem preguiça em estudar, ler e se especializar diariamente.

É fundamental que cada vez mais os artistas contem com pessoas ao seu redor para dar todo tipo de suporte e principalmente orientação. Me assusta saber que determinados artistas do primeiro time de nosso segmento ainda sigam sozinhos cuidando de diferentes tarefas e muitas vezes, até pior, são “açessorados” por maridos, esposas, cunhados, irmãos, tios, amigos, primo do amigo que é fã e que gosta de Facebook e afins. Ou seja, nos próximos anos, onde cada vez mais a tecnologia se fará presente no nosso cotidiano e onde as transformações serão cada vez mais intensas e rápidas, manter-se atualizado e adaptado às novas tendências, não será importante, mas vital! Certamente daqui há uns 2 ou 3 anos iremos perceber que artistas que não entenderam este recado descerão alguns patamares e serão literalmente atropelados por artistas que hoje ainda estão no início de suas carreiras, mas que entenderam a importância da busca de conhecimento e suporte técnico profissional.

Finalizo este texto já no vôo de volta para casa depois de uma noite memorável onde tivemos o prazer de reunir profissionais de mídia, lojistas, lideranças, artistas, editores e gente que vem trabalhando em áreas diversas neste mercado gospel. O Encontro de Mídias e Lojistas promovido pela Sony Music em São Paulo juntou mais de 500 pessoas de diferentes estados do país e que ali puderam ter contato com o que a gravadora vem promovendo e planejando para os próximos meses. Confesso que participar de eventos como este me estimulam e comprovam que estamos no caminho certo e que este mercado ainda tem muito potencial.

Obrigado!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, profissional de marketing e alguém que curte um bom papo.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

4 Comments

  • Janaina Rocha

    07/07/2015 at 18:52

    Olá Maurício, excelente ponto de vista e descrição das atividades. O fator “comunicação” é indispensável para qualquer carreira de sucesso e na música gospel não seria diferente. Há um amadurecimento por parte dos profissionais,empresas e artistas. Mas, ainda precisamos trilhar um longo caminho de conscientização e orientação, por parte do profissional que não cobra o que deveria ou nem sabe o que cobrar, do artista que não valoriza o que deveria ou nem sabe a quem recorrer. As indicações por “amizade” ou “camaradagem” precisam dar lugar ao profissionalismo de pessoas que se especializam nas mais variadas áreas que envolvem a comunicação e gostariam de se dedicar exclusivamente a um mercado tão especial quanto o gospel brasileiro. Ainda em relação ao Post, o que foi pontuado sobre o “Marketing Digital” é um fator decisivo na hora de investir ou não nessa nova onda midiática. O artista ou profissional precisa de fato ter seu foco em métricas de resultado e não simplesmente em métricas de vaidade, como likes e outros. Abraços e continue nos alimentando com conteúdo de alto nível. Abraços da agência LiveCom. 🙂

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  • Gisele Alves Diniz

    15/07/2015 at 19:45

    Perfeito! E por mais que muitos deles sejam orientados continuam caindo em mãos de “açessores” e seguem sem entender o motivo de tantas coisas bizarras acontecerem. Os profissionais que se graduaram e especializaram para atuar na área de assessoria de imprensa estão sempre prontos para oferecer resultados positivos. Conte conosco! Obrigada sempre! Grande abraço!

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  • Assessoria Monique Crespi

    24/08/2015 at 05:30

    Verdades postas a mesa. Mto bom!
    Quem nunca passou um äperreio” com essas açessorias” kkkkkkkk

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