Diga-me com quem andas…

Depois de alguns dias sem novidades no blog, eis que consigo tempo para voltar a municiar este espaço com novidades. Os últimos dias têm sido de muito trabalho, muitas viagens e principalmente de grandes desafios e pouca inspiração para trazer algo realmente relevante. No entanto, especialmente nestes últimos 3 dias em conversas com diferentes pessoas, em ocasiões distintas, vieram à minha mente, pelo menos 4 temas que tentarei desenvolver pelos próximos dias em que estarei viajando pela região sul do país em meio a muito trabalho, só pra manter a rotina.

Não me arrisco a dizer quantas igrejas evangélicas de médio e grande porte temos em nosso país neste momento. Nem sequer afirmar a quantidade de eventos de música gospel acontecendo a cada fim de semana em todo o Brasil. A quantidade de Marchas para Jesus é enorme. O número de shows e festas municipais onde artistas evangélicos se revezam é de perder a conta. Com tantas demandas, tantas oportunidades, cada vez mais os artistas de música gospel podem se dar ao luxo de escolher entre um ou outro convite. E dentro deste pensamento, julgo cada vez mais desnecessário um determinado artista aceitar o primeiro convite que lhe surgir à frente sem que se tenha um mínimo de análise crítica sobre o evento, o líder ou mesmo a proposta do referido evento.

Há alguns meses atrás em um almoço com um cantor que eu admiro muito comentamos sobre um determinado pastor (sic) que vem cada vez mais levando artistas para suas reuniões e eventos. O dito cujo que mais me parece um xamã invocando benzeduras, simpatias e campanhas para arrecadar e arrecadar, além de emocionar a platéia, sempre com muito entusiasmo, encenações e palavras de impacto, tem recebido em seus eventos uma gama enorme de artistas. É notório que muitos destes artistas transmitam uma sensação de incômodo por estarem diante de uma cena grotesca, com uma teologia tão rasa que mais parece um pré-sal-escatológico, uma coisa realmente pavorosa … e aí, voltando ao nosso papo, este cantor declarou que por várias vezes foi convidado a participar destes ‘cultos’ e que ele havia orientado sua assessoria a sempre agradecer pela lembrança, mas jamais, nunca, em tempo algum, aceitar a proposta. E ele me disse com a maior tranquilidade que lhe é peculiar: “Temos tantas igrejas, tantos convites que não preciso de forma alguma atender a este tipo de evento. Não concordo com nada do que é falado naquele local, então não posso de alguma forma participar ou colaborar com eles. E mesmo que não tivesse outros convites, meu senso crítico e de auto-preservação não me permite compactuar com o que ali é pregado. Prefiro estar em paz com minha consciência”

Se eu tivesse o recurso de escrever e ao mesmo tempo sair o som de palmas efusivas, certamente usaria este modo, pelo simples fato de concordar em gênero, número e grau com esta opinião e principalmente atitude.

Sob o argumento de que a Palavra está sendo pregada ou de que se tratam de ‘homens de Deus’, muito do senso crítico é jogado para escanteio em nosso meio. Já cansei de escrever aqui mesmo em nosso blog sobre a falta de posicionamento de boa parte da liderança de nosso meio em temas polêmicos. No entanto, também quero trazer a responsabilidade sobre todos os artistas que simplesmente têm aceito convites sem analisar que tipo de mensagem, liderança ou teologia aquele determinado evento no qual participam transmitem ao público. Será que o artista pode se eximir da responsabilidade em apoiar e participar de um evento cujo o preletor apresenta todo tipo de teologia e campanhas? E no caso de ‘pastores’ que notoriamente possuem problemas de caráter e credibilidade, o artista não tem responsabilidade, não avalisa de alguma forma este líder quando aceita participar de algum de seus eventos?

Do mesmo modo que um formador de opinião deve analisar criteriosamente a qualidade do produto ou a idoneidade da empresa quando é contratado para fazer alguma ação de merchandising ou publicidade, será que um artista gospel não deve se posicionar quando recebe um determinado convite para um evento? E aí, não quero criar nenhum espírito de SERASA gospel onde o artista deve checar se o CPF do pastor está OK, se não tem nenhum problema de crédito ou coisas do tipo quando se trata de uma igreja no interior do Piauí … não!!! Não estou falando disso, mas daqueles mega líderes, muitos dos quais presentes cotidianamente nas TVs e rádios vendendo toalhas, fronhas, lençóis, óleo da unção, perfume de Cristo, deturpando claramente a mensagem bíblica! Nestes casos, não há como esconder-se atrás do argumento tão usado pelo Lula e sua quadrilha: “Eu não sabia!”

Uma cantora que durante muito tempo tive contato costumava dizer: “Pagando bem, quem mal tem?” Será mesmo? Por mais que ela dizesse essa frase com uma leveza, talvez até mesmo inocência, o certo é que isso não se aplica quando lidamos com fé, doutrina, responsabilidade com o próximo. Longe de querer julgar, mas também não querendo usar esse mesmo argumento para dar carta branca para que tudo seja permitido sem questionamentos, o que estou querendo dizer neste texto é de que temos todos uma responsabilidade com a qualidade do Evangelho que está sendo pregado em nosso país, se é que podemos dizer que isso é Evangelho?!?!? Esta responsabilidade é de todo cristão que compreendeu o mais básico princípio dos ensinamentos bíblicos e em se tratando dos cantores de música gospel, imagino que esta responsabilidade é ainda maior pelo fato de que são importantes formadores de opinião neste momento de pós-modernidade.

Ao longo de meus 30 anos de cristão tenho seguido uma regra bem clara e esta foi construída quando eu ainda era bem adolescente. Não negocio aquilo que me é de valor, neste caso, o que aprendi como sendo o verdadeiro sentido do sacrifício de Jesus na cruz por mim. Jamais devo diminuir o que Ele fez por mim trocando isto por qualquer outro benefício que aparentemente me é interessante. Há coisas que são inegociáveis e pelas quais vale a pena perder uma batalha para vencer a guerra. Vejo com tristeza que há muita gente negociando o inegociável. Abrindo mão da ética e doutrinas para pegar atalhos rumo a um falso sucesso, a uma falsa conquista. De coração gostaria que, especialmente os artistas de nosso meio, ao lerem este texto possam refletir melhor daqui em diante sobre os eventos dos quais participam e participarão. A responsabilidade é muito grande e não pode, de forma alguma, ser menosprezada!

Termino este texto com um pensamento que repetidamente utilizo. Tenho até pena de quem convive mais de perto comigo, porque sou uma pessoa que costuma repetir muitas das minhas frases e pensamentos. Mesmo não sendo nenhuma frase das mais criativas ela reflete exatamente o que penso e que procuro vivenciar no meu dia a dia.

Deus não nos deu a opção de escolhermos qual família iríamos nascer, fazer parte … mas Ele nos dá a opção todos os dias de escolher com quem iremos andar. E esta opção traz uma enorme responsabilidade. Que saibamos lidar com ela e que tenhamos muito cuidado e temor.

Fica o alerta!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, finalizando este texto numa noite chuvosa e muito fria em Porto Alegre. Pra completar o Brasil acaba de perder para a Colômbia, que fase!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

5 Comments

  • ANDERSONN CLAYTON

    18/06/2015 at 12:30

    Hoje em dia muitos artistas gospel vão mesmo pelo que se é oferecido e não pelo compromisso com o evangelho. O que importa é estar com a agenda cheia…e Deus no céu só observando…

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  • TheKid

    22/06/2015 at 17:37

    Me permite discordar em parte do teu pensamento… Eu acho que falta para o artista cristão um posicionamento teológico. No momento que o artista disser para o “lider contratante”: a minha mensagem é esta: …” o contratante quem vai pensar antes de realizar o convite. Só que se isso acontecer, vamos estar segmentando mais ainda o meio musical cristão, onde o pentecostal ja não entra com sua mensagem no meio protestante, o protestante fica quietinho pra poder entrar no meio pentecostal, que deve ter um baita percentual do publico consumidor… É “compricado” esse negócio aí… Ps.: ta um frio de renguear cusco aqui em Porto Alegre, tchê!

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    • Mauricio Soares

      25/06/2015 at 11:30

      A questão teológica é o ponto principal dessa ‘seleção’ de que o texto comenta. Não dá para vc seguir uma determinada linha no âmbito pessoal e sair abrindo todas as frentes no lado profissional. É disso que tratamos neste post, ou seja, de que há questões muito mais importantes do que simplesmente o cachezinho básico do dia a dia. Obrigado pela participação. Não sei o que significa essa expressão gauchesca mas a verdade é que passei um frio daqueles por aí semana passada. Abraços!

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      • TheKid

        25/06/2015 at 14:08

        A titulo de curiosidade, renguear cusco significa fazer o cachorro andar manco.. Tem anos que sou um dos 66 leitores. Forte abraço!

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  • Assessoria Monique Crespi

    24/08/2015 at 04:45

    Olá, gostaria de opinar tbm, gosto mto deste blog, e curto demais as ideias do Maurício.
    Bem, eu concordo sim sobre avaliar as propostas e vou dizer já o pq.
    Nao vivo no Brasil há qse 6 anos desde que me casei no exterior (usa). Praticamente comecei a minha jornada aqui, e pegando a estrada, conhecendo a vida de grandes artistas norte americanos, inclusive semana passada estava com uma banda mto famosa, em um concerto do Franklin Graham, pude conhecer tantos artistas de grandes nomes e uma humildade inexplicável, e mesmo assim eles afirmam nao serem ninguém mas toda Glória p/ Deus. Acredito na total responsabilidade de levar o evangelho de Cristo pela fé e amor com a verdade. E eu estou com vergonha do que andam fazendo com o nome de Cristo por aí. Alem de comercializarem, agora também estão negociando o viável e explorando. (vergonhoso). Mas não é só no Brasil não.
    Me recordo de 1 mês atras, visitei uma igreja da América Latina (México) e ao final do culto não me permitiram chamar a igreja a frente para não escandalizar os não cristãos. Falaram que estava proibido profetizar, falar em línguas estranhas, não podia haver qualquer manifestação profética, não poderia chamar a igreja adiante e nem mesmo toca-las. Porque? Ha poderiam ofender as pessoas novas e até constranger os novos convertidos. Bem, vejo que existem mais pessoas preocupadas com a reação das pessoas do que com a vontade Soberana de Deus. Mas voltando ao assunto, é sim extremamente importante avaliar os convites e saber mto bem as procedências.
    Se eu puder deixar um conselho aos meus irmãos, digo de coração, não se deixem levar por nada, nem por opiniões, nem por dinheiro, nem por pessoas famosas, nem por nada, mantenha-se firme no proposito real e soberano de Deus. O que Deus tem p/ vc será completamente necessário vc ser quem Deus quer que vc seja, e jamais o que as pessoas querem te transformar. Paz

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