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Distribuição digital, a democratização no acesso ao mercado do futuro

A chegada do iTunes era aguardada no Brasil fazia pelo menos 4 a 5 anos. Com enorme sucesso nos EUA e em vários outros países pelo mundo, a megastore digital que revolucionou o mercado fonográfico somente desembarcou em nossas praias tropicais no finzinho de 2011 em pleno mês de dezembro. A expectativa da indústria fonográfica brasileira era que o iTunes repetisse a mesma performance de vendas e adesão do público do México, numa expectativa bastante otimista. E eis que nem mesmo o mais otimista dos analistas de mercado poderia imaginar a rápida empatia do público brasileiro para essa novidade. As vendas do iTunes no Brasil superaram em 4 vezes o resultado obtido pelo México no mesmo período de implantação.

Mesmo com a limitação de compra apenas através de cartões de crédito internacionais, ou mesmo com a inexistência da compra de gift cards – modelo de enorme sucesso no exterior – e ainda, pela indexação do preço em dólar, nada disso atrapalhou os resultados positivos da estréia do iTunes no Brasil. Além disso, precisamos considerar que muitos brasileiros ainda não têm acesso de qualidade à internet, um dos maiores projetos do governo Dilma para os próximos anos, cobrir o país com banda larga de qualidade.

Mas o certo é que o iTunes já está em plena atividade no Brasil com excelente receptividade junto ao público e hoje já é o maior canal de vendas de música no formato digital no Brasil. Em termos de música gospel, ainda são poucas as gravadoras do segmento que estão presentes nesta megastore digital, a saber: Som Livre, Line Records, Sony Music e MK Music. É interessante que algumas tradicionais companhias, selos e artistas que destacam-se no mercado gospel tupiniquim sequer postulam por um espaço no iTunes. Conversando recentemente com alguns artistas do meio, percebi que suas respectivas gravadoras não estão se mobilizando para ingressarem no mercado digital como se esta opção – não entrar no mercado digital – fosse realmente algo a se pensar. Simplesmente não há mais espaço na indústria fonográfica para empresas que apenas foquem no mercado físico! Simples assim!

E como ficam os pequenos selos e artistas independentes? Para estes certamente surgirão oportunidades proporcionados por grandes gravadoras ou empresas especializadas na distribuição digital. Já está em andamento a associação entre grandes gravadoras, presentes e atuantes no mercado digital, e artistas independentes e selos visando distribuir e representar seus catálogos e produtos no universo mobile, web e digital. Esta tendência já é realidade no exterior e em breve começará a ser presente também no Brasil. Com a distribuição digital, a tendência das grandes gravadoras atuarem mais próximas dos selos será ainda mais intensa.

Creio que, em no máximo 2 anos, o mercado fonográfico estará concentrado em 5 a 6 grandes gravadoras, inclusive no mercado gospel. Estas cuidarão dos processos de distribuição, administração, logística, produção, marketing e promoção, deixando que os artistas independentes e selos cuidem apenas da produção artística. Agora com a definitiva mudança na indústria, com o advento das oportunidades digitais, o que antes era apenas uma tendência passa a ser realidade. Quando falamos de mercado digital, leia-se não somente o iTunes, mas outros canais como o Oi Rdio, Sonora, operadoras mobile, YouTube, Vevo, entre outras plataformas. Muitas mudanças ainda estão por vir, estamos apenas nos primeiros momentos da maior revolução tecnológica e de costumes da história da humanidade. Apertem os cintos! Já decolamos!

Mauricio Soares, publicitário, analista de comportamento do mercado, estudioso do segmento gospel, profissional que cada vez se impressiona mais com a velocidade das novidades, informações e tendências da indústria fonográfica que durante anos foi taxada como moribunda e decadente, mas que hoje apresenta-se como algo intensamente ativa e dinâmica.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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