Divagações e mais divagações sobre a importância da divulgação e assessoria de imprensa

chinacoke

Tempos atrás tive a oportunidade de visitar a Colômbia. Nessa época eu trabalhava no mercado cristão, mas com foco na área editorial e aquele país é uma das referências na área gráfica contando com enormes empresas que imprimem com altíssima qualidade não somente para o mercado interno como também para clientes de diversos outros países.

Naquela oportunidade fui conhecer uma gráfica nos arredores de Bogotá. Depois de alguns dias na cidade, tive a oportunidade de fazer uns passeios turísticos pela capital e também em alguns pontos mais distantes. Junto com uma família de missionários ingleses, tive a oportunidade de conhecer a Laguna de Guatavita (creio que seja assim que se escreva), um lago formado na cratera de um vulcão extinto a cerca de 3600 metros de altitude. Foi nesta lagoa que séculos depois descobriu-se um tesouro de toneladas de peças em ouro que depois vieram a formar o acervo do Museu do Ouro localizado na cidade de Bogotá.


Toda essa história foi para justamente ilustrar um fato que até hoje me chama muita atenção. Depois de subir até o pico dessa montanha, nos estafantes 3600 metros, deparei-me com um poste de madeira, meio tortinho pela ação dos fortes ventos e no alto deste poste estava afixada uma placa de metal contendo uma propaganda da Coca-Cola. Imaginei que ali tivesse algum bar ou ponto de venda da bebida, mas numa rápida incursão pelo local constatei que não havia um único estabelecimento comercial. Então na hora pensei: por que alguém teve o trabalho de subir toda esta montanha para subir num poste e ali colocar um cartaz de um produto que sequer estava disponível para consumo.

Depois de alguns instantes completamente extasiado pela paisagem e por toda a história do lugar, voltei para perto daquele poste e percebi a importância do significado da placa da Coca-Cola. E a moral é simples e direta: se uma empresa mundialmente conhecida e líder no seu segmento se preocupa em anunciar, mesmo num local onde não há ponto de venda de seu produto, então quem somos nós para acharmos que somos devidamente ‘conhecidos’ e ‘famosos’ para abrirmos mão da mais simples divulgação?

Infelizmente já tive experiências frustrantes com artistas-pseudo-celebridades que depois dos 15 minutos de esplendor e fama simplesmente passaram a escolher as mídias que concederiam seus preciosos minutos. Esta atitude arrogante e míope tem geralmente conseqüências bastante desastrosas. Independente se a mídia é uma TV aberta com dois dígitos de IBOPE ou uma rádio comunitária de bairro, todos são veículos de comunicação e certamente de alguma forma comunicam a seus respectivos públicos.

É óbvio que na correria do dia a dia fica difícil administrar o tempo para poder atender a todas as demandas por fotos, entrevistas e informações. E é para isso que existe a figura do assessor de imprensa, profissional específico para fazer o ‘meio de campo’ entre as mídias e o artista. Com a maior profissionalização do meio artístico gospel essa figura vem se tornando cada vez mais importante e freqüente no staff do artista.

Que ninguém duvide da importância deste profissional no projeto de consolidação da marca/artista. O que devemos analisar neste momento é que, como em qualquer atividade profissional, há uma necessidade fundamental na qualidade da mão de obra. Infelizmente tenho visto “acessores” destruindo com a imagem de seus ‘clientes’. Tenho recebido semanalmente “relises” de artistas com textos sem a menor qualidade estilística ou informativa. Ao ler estes “relises” me impressiono pensando estar frente à frente a um novo dialeto próximo da língua de Camões. A qualidade da escrita destes textos é impressionantemente ruim e muitas das vezes completamente fora da realidade e do bom senso. Expressões como “a maior revelação do país”, “O maior sucesso do Brasil”, “O CD mais aguardado do Ano” são de um nonsense tão absurdo que beira a insanidade.

Tive um chefe tempos atrás que dizia que “o papel aceita qualquer coisa, mas nossa inteligência e capacidade de interpretação são cruéis e seletivas”. E é exatamente o que penso também! Não dá para você, artista, entregar sua carreira, seus sonhos e projetos nas mãos de alguém que acha que entende tudo de imprensa e que na verdade nem passaria na prova do ENEM! Antes de contratar um “acessor de imprensa”, procure ver o portifólio do profissional e principalmente averigue os contatos que ele possui junto aos órgãos de imprensa. Um assessor de imprensa, além de ter capacidade de redigir textos de qualidade deve possuir acesso aos veículos de imprensa para que estes publiquem suas notas e matérias. Este networking é fundamental para o sucesso de qualquer profissional e em especial para o assessor de imprensa.

Então fica a dica: prefira um assessor de imprensa em vez de um mero “acessor”, alguém que tenha capacidade de fazer um belo release e não um “relise” ufanista e sem conteúdo.

Em tempo: confesso que ao reler esse post, me impressionei com a “viagem” que fiz para falar da importância do assessor de imprensa! Comecei falando da Colômbia, subimos ao monte, falamos da Coca-Cola, da importância da divulgação, das mídias, rádios comunitárias para chegar no “dito cujo” assessor! Perdoem-me todas as divagações. Tentarei ser mais direto numa próxima vez!
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Mauricio Soares, publicitário, jornalista e um profissional bastante paciente para atender verdadeiros assessores de imprensa e sem a mínima paciência com os “acessores de qualquer coisa!”

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