Dormindo no ponto enquanto o caminhão se aproxima

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Há algum tempo atrás recebi uma jovem cantora em meu escritório. Apesar de ser uma cantora ainda bastante jovem, aquela artista já vendeu em sua carreira seguramente mais de 300 mil cópias entre seus 4 ou 5 projetos já lançados desde então. Portanto, não podemos considerá-la uma artista sem experiência, mas uma artista em processo de maturação de sua carreira.

Depois de um papo descontraído sobre assuntos diversos, fui me aprofundando em detalhes de sua carreira atual. Como sempre, pergunto sobre o ritmo das agendas, o tipo de convites que tem recebido e sobre alguns dos eventos mais relevantes que ela participou nos últimos meses.

Neste tipo de reunião, dificilmente pergunto à artista sobre vendagens recentes de trabalhos, pois geralmente faço essas pesquisas antes do próprio encontro. Não gosto de entrar nestas conversas sem estar o mínimo informado sobre meu interlocutor, então faço o ‘dever de casa’ e pesquiso sobre alguns assuntos de meu interesse.

Mas especificamente nessa reunião, perguntei, até porque tenho bastante intimidade com ela, um pouco mais dos resultados recentes de vendas. A resposta cândida, sincera e automática da cantora foi simplesmente: “Eu não sei! Nunca me informo sobre como andam as minhas vendas! Deixo isso pra lá!”

Mais um pouco de papo e perguntei sobre o lançamento do último trabalho inédito dela. Mesmo eu sabendo de antemão, queria ouvir dela essa informação. E mais uma vez a resposta me surpreendeu. Naquela reunião a artista estava acompanhada de um assessor. Ela me respondeu que o CD havia sido lançado em novembro. O assessor me garantia que era em janeiro … ou seria fevereiro!?!?! Momentos depois, ela retrucou meio em dúvida, mas querendo demonstrar segurança na informação de que era em novembro. “Sim foi em novembro! Novembro! Hummm …. novembro … eu acho que foi em novembro!”

Respirei profundo e segui na reunião. Depois de mais um tempo de conversa comecei a explicar aos dois sobre o mercado digital. De como nossa empresa estava anos luz à frente da concorrência no mercado digital. Falei sobre as tendências do mercado digital e tudo mais relacionado às novas tecnologias. Este é um tema que tenho estudado bastante e com o qual tenho me impressionado bastante com as enormes possibilidades. Mas voltando à reunião, a impressão era que eu estava falando em mandarim e eles sem entender muita coisa, simplesmente consentiam com a cabeça a cada afirmação demonstrando interesse, mas ao mesmo tempo nitidamente sem compreender nada do que estava sendo falado naquela sala!

Passado esse momento de “Mim Tarzan! Você Jane” – sutilmente comecei a digitar em meu computador um possível endereço de site da artista. Depois de tentar uns 3 a 4 possíveis endereços, com muito constrangimento perguntei a ela qual seria o endereço do seu site. E mais uma vez aquela cena se repetiu. De forma meiga, cândida, simpática, quase pueril ela me respondeu: “Eu não tenho site! Estou pensando em fazer um, mas ainda não consegui ter tempo para isso!”

A sorte é que minha janela é vedada. Não posso me atirar ou atirar outrem do 40º andar! Péraí, deixa eu entender?!!?!?!!? Em pleno século 21 a referida artista à minha frente ainda não possui um site oficial? Também não tem uma conta no twitter? Também não se utiliza do Facebook ou outras ferramentas de redes sociais?

Sim! É isso mesmo! É impressionante como ainda temos artistas do mundinho gospel que encontram-se em pleno século 20 (pra não dizer na Idade das Trevas!) e não se aperceberam que suas carreiras precisam urgentemente dessas ferramentas! E olha que isso não é algo raro! Ainda temos artistas TOPs que simplesmente não existem na websfera!

Recebo muitas pessoas por dever de ofício em meu escritório. Também atendo a muitas outras pessoas por email, twitter ou MSN. De vez em quando atendo pessoas para consultorias 0800 por telefone.  Em minhas viagens, vez ou outra, converso com pessoas que aproveitam para sugar algumas dicas e informações. E geralmente a dúvida dos artistas, sejam novatos ou veteranos, está relacionada a como dar um upgrade em suas carreiras, divulgação ou promoção. Em 99% dos casos eu afirmo categoricamente, quase que como um mantra, sobre a necessidade de se investir numa plataforma web de divulgação e promoção.

Em outra oportunidade estarei falando aqui mesmo no OBC sobre quais as principais ações de divulgação para um artista investir. Este é um assunto que merece um post exclusivo e falaremos dele mais à frente! No entanto, a principal plataforma de divulgação e investimento de qualquer artista está diretamente relacionada aos sites, twitter, facebook, vídeos, email marketing e assessoria de imprensa. Todas estas atividades estão inseridas no contexto web!

Tenho uma compulsão por informação! E para atender a essa ‘neurose contemporânea’, todo dia confiro vários sites de notícias do meio gospel e secular, mesmo uns blogs e sites bemtrashs recheados de erros grassos de português, layouts bisonhos e tudo mais. Nestas pesquisas sempre reservo um tempinho para conferir sites de artistas gospel. Essa pesquisa geralmente é aleatória. Vou me lembrando do nome de um determinado artista e dou uma olhada nas informações e no visual dos sites. Confesso que tenho dias em que deveria tomar um anti-ácido efervescente porque é tanta coisa ruim, desatualizada de informações, com visuais dignos da “Hora do Espanto 3”, com flashes, pop ups, estrelinhas piscando, introdução desnecessária (alguém pode me explicar pra que serve aquela página de abertura nos sites com introdução que todo mundo acaba pulando?), fotos horrendas e um festival de informação inútil, que acabam me fazendo um rebuliço no estômago!

Como o piloto já iniciou o procedimento de descida, vou me despedindo por aqui também! Ah! A reunião com a artista que um dia pretende ter um site transcorreu relativamente bem até o seu fim! Ninguém foi arremessado pela janela e no final todos nós sobrevivemos!
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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, formado no século passado quando os trabalhos da faculdade eram feitos à máquina de escrever ou em papel almaço. Àquela época, os projetos publicitários eram finalizados com aqueles adesivos de letras, Letraset, algo como aqueles desenhos esculpidos nas paredes das cavernas se comparado com os projetos de hoje em dia.

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