Home Internet Eis que tudo se fez novo… entendendo as novidades e tendências

Eis que tudo se fez novo… entendendo as novidades e tendências

Geralmente escrevo meus textos em saguões de aeroportos ou mesmo durante voos. No entanto, creio que nunca escrevi estando dentro do avião em plena pista aguardando a liberação do aeroporto de destino. Neste momento estou por mais de uma hora pacientemente aguardando na pista do aeroporto de São José dos Pinhais, PR, para que meu avião decole no sentido do aeroporto de Santos Dumont, Rio de Janeiro. O problema é que neste instante cai um verdadeiro dilúvio na Cidade Maravilhosa. Então para tornar um pouco produtiva minha espera, estarei escrevendo o texto a seguir.

Especialmente nas últimas 3 semanas tenho falado muito sobre tendências do mercado fonográfico. Pra quem acompanha este blog, pelo menos há uns 4 a 5 anos, este incansável editor vem falando sobre a mudança de comportamento do consumidor de música pelo advento da web e especialmente das novas plataformas digitais. Desde muito tempo alerto para o fato de que num momento estaríamos diante da substituição ou alteração radical do formato de consumo de música. As mídias físicas, CDs e DVDs perderiam a cada dia mais espaço para diferentes plataformas como YouTube, AppleMusic, Deezer, Vevo, Spotify, Google Play, entre outras, até que num dia deixassem de ser a principal forma de consumo de música.

Já faz um bom tempo que venho alertando para que artistas e principalmente gravadoras estejam preparadas para as grandes transformações. E agora, oficialmente as vendas digitais entre as majors atuantes no Brasil já superaram as vendas tradicionais. Mais especificamente, o mercado da música no Brasil encontra-se com 60% de vendas digitais contra 40% de vendas de discos. Esta tendência segue de igual forma na esmagadora maioria de regiões em todo o mundo. Esta curva é irreversível e a grande dúvida neste momento é quando e onde irá se estabilizar. Na minha modesta opinião e ciente do grau de ‘achismo’ ou ‘profetada’, imagino que as vendas físicas em até 3 anos chegarão num patamar de 15 a 20% das vendas do mercado fonográfico no país. Na Suécia, país símbolo da mudança digital, as vendas atualmente já são 98% do faturamento total do mercado fonográfico. Um verdadeiro assombro, mas longe de representar a realidade de nosso mercado, nem mesmo daqui algumas décadas. Portanto, algo mais aceitável é acreditar que daqui uns anos, as vendas digitais no Brasil ficarão com 80 a 85% do faturamento.

Interessante neste momento é a volta do mercado de vinis, os famosos LPs, a ponto de gravadoras ressuscitarem departamentos e selos específicos para atender a este nicho de mercado. Mas acredito nesta tendência mais como uma excentricidade e oportunismo, do que verdadeiramente um caminho consistente e pródigo. Ainda mais em se tratando de mercado gospel, esta tendência não vejo com a mínima possibilidade de se consolidar, primeiro pelo perfil do público e segundo, pelas próprias gravadoras do segmento que se destacam pela falta de audácia em suas atividades e estratégias. É assustador nos depararmos com a falta de um cuidado com a história da música cristã no Brasil. Mesmo em tempos de mundo digital onde o catálogo de raridades ganha força nas plataformas de streaming, é praticamente inexistente a presença de álbuns lançados nas décadas de 70, 80 e até mesmo 90. Ou seja, somos um segmento praticamente sem memória … infelizmente!

No meio digital a bola da vez é o streaming que tomou o lugar das plataformas de vídeo como principal canal de monetização. No recente passado, a rentabilidade de vídeos no YouTube e Vevo era superior às demais plataformas. Isso se dava em função do grande número de empresas investindo em publicidade nestes canais, especialmente em ano de Copa do Mundo no país. Com a retração na economia (graças a anos de incompetência petista e ladroagem desenfreada desta corja que está no poder há mais de uma década) no país, o mercado publicitário recolheu seus investimentos nas plataformas de vídeo. Com isso, as plataformas de streaming tornaram-se o espaço mais rentável para artistas e gravadoras.

Com esta mudança, as estratégias também devem ser alteradas num movimento que comprova a importância de se ter sempre acompanhamento, pesquisa e análise crítica de tendências do mercado. Se até algum tempo atrás, as gravadoras focavam na produção em escala de vídeos, clipes e Lyric Videos, o momento agora é totalmente voltado à criação e divulgação de playlists. Pra quem ainda não está ambientado com os termos técnicos, playlist nada mais é do que uma seleção de músicas para facilitar a experiência do consumidor. Boa parte das playlists são criadas de acordo com temas específicos, como por exemplo, o melhor da música pop dos anos 70, ou uma seleção de reggae roots, músicas para meditação, uma seleção de músicas para queimar calorias em academias de ginástica (esta é uma das mais populares em todo o mundo!) e por aí em diante. A playlist é uma facilitadora para o consumidor de música e pode ser seguida pelos assinantes das plataformas como uma espécie de mídia social. É muito comum que formadores de opinião criem suas playlists e que arrebanhem centenas de milhares de seguidores. Ou seja, estamos diante de uma verdadeira transformação de costumes e possibilidades para o mercado da música.

Entre as plataformas de streaming há diversos pacotes de assinatura e utilização. Há contas gratuitas com inserção de publicidade entre a veiculação de músicas, há contas premium com acesso ilimitado de músicas sem qualquer interferência de publicidade, há o serviço de conta “família” onde mais de uma pessoa pode acessar à plataforma simultaneamente em diferentes canais. Em suma, há opções para todos os tipos e bolsos e particularmente optei por uma assinatura do Spotify onde tenho acesso a mais de 30 milhões de músicas. Minha relação com a experiência musical mudou significativamente com o advento das plataformas de streaming. Hoje praticamente fico on line durante boa parte do dia e minha curiosidade por novos sons, novos nomes e novos estilos aguçou-se ao nível máximo.

Depois de horas de espera, eis que o piloto já avisou sobre o procedimento de descida no Rio de Janeiro. O recado está dado! Sugiro aos 66 leitores do Observatório Cristão que pesquisem sobre estas novidades do meio digital. Enjoy!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Este texto quero dedicar especialmente ao meu pai que descansou no Senhor exatamente no momento em que eu estava chegando ao Rio de Janeiro e finalizando este texto. Com ele aprendi a ser uma pessoa melhor, a buscar meus objetivos sem precisar negociar a ética e a valorizar a família, amigos e Deus. Siga em paz. Saudades.

  • Lex Luthor

    Muito bom o Texto, o mercado realmente já é basicamente digital pra mim e meus amigos..
    Gostaria de perguntar: Hoje há necessidade de produzir álbuns?
    Eu gosto de álbuns temáticos, seja por um assunto afim ou pela sonoridade que o artista explora..
    Mas recentemente, eu vejo que grandes cantores ( principalmente os “seculares”) estão seguindo a linha de lançar singles e depois veem o que é interessante e lança uma compilação destes singles como cd.
    Pra quem está começando é melhor esse caminho? Laura Souguellis é um exemplo no mundo gospel, não tem cds mas já tem várias músicas conhecidas..
    Talvez para investir em novos talentos seja mais viável esse caminho do que produzir de cara um novo cd.

    • Mauricio Soares

      Não Lex, hoje em dia estamos focados em singles. A necessidade de ter um álbum não existe mais. As melhores opções são EPs e Singles. Até pela questão financeira e pela forma de se trabalhar na divulgação da música, EPs e Singles tornam tudo mais leve.