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EM BUSCA DO HIT – A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA CERTA EM TEMPOS DIGITAIS

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Dias atrás finalmente rompemos a inércia. Publicamos um novo texto para o blog acabando com uma escassez de novos textos que talvez tenha sido uma das maiores em nossos mais de 10 anos de existência. Hoje, volto a dedicar alguns minutos de meu tempo para escrever mais um texto e já comecei a alinhavar outros 4 temas para que na sequência possamos publicar mais coisas por aqui. Olhando minha agenda, vejo que nas próximas 3 semanas terei muitas horas de saguão de aeroporto, outras tantas horas de voo e muitas oportunidades para tornar o tempo de ócio em algo produtivo. Então, preparem-se porque teremos muitos conteúdos inéditos pela frente!

Para quem ainda tinha alguma dúvida de que viveríamos no Brasil uma completa mudança no formato de consumo da música e tudo que está atrelado a ela, os dados derrubam qualquer opinião mais pessimista. É impressionante como o mercado da música no Brasil tornou-se referência não só na América Latina, mas em todo o planeta. O crescimento do faturamento da indústria da música no Brasil em 2017 foi mais do que o dobro da média mundial e tudo indica que este viés de alta se seguirá pelos próximos anos.

Com a mudança do formato de consumo de música já consolidada no ambiente digital, agora passamos a ter novos focos e a necessidade urgente de adequações a estas novas realidades. Ninguém mais tem dúvida de que a música passou a ser um bem de consumo imediato, constante e que o artista necessita produzir e lançar novos conteúdos em escala industrial. O conceito antigo de um artista produzir um álbum com 12, 14 faixas para ser lançado numa única vez e ser trabalhado por 1 ano e meio ou mesmo até 2 anos, já tornou-se algo impensável. Neste momento, o artista precisa programar o lançamento de novos conteúdos num intervalo cada vez menor e antes que vocês questionem sobre o que o acredito como a distância entre os lançamentos já me antecipo e respondo que uma nova música deva ser lançada entre 15 a 60 dias de intervalo de uma faixa anterior. O ideal, a meu ver, é que o lançamento de um EP de até 6 faixas conte com um primeiro single sendo lançado e depois outro single chegue às plataformas entre 2 a 3 semanas no máximo. Depois disso, novo intervalo de 2 a 3 semanas para o lançamento do EP tendo um terceiro single como faixa foco. Passados 90 a 120 dias, no máximo um novo EP deve ser lançado seguindo a mesma programação de lançamentos do projeto anterior.

No entanto, o tema principal do post de hoje não tem a ver com a estratégia de lançamentos, tempo ou mesmo a quantidade de músicas que precisam ser lançadas e produzidas. O nosso foco hoje não tem a ver com quantidade ou periodicidade e, sim, com qualidade do que será lançado. Sim, de nada vai adiantar ter a melhor estratégia de lançamento ou campanha de divulgação se a música não tiver qualidade. Então, vivemos num momento de teórica dubiedade em que precisamos ter quantidade, como já mencionei mais acima, em caráter industrial e ao mesmo tempo, carecemos de qualidade em tudo que lançamos. Não seria exigir demais ter uma produção intensa e ao mesmo tempo querer que tudo saia em mais perfeita sintonia e qualidade? Sim, não tenha a menor dúvida de que, de fato, é exigir demais. No entanto, é o que ‘temos para hoje’, então é relaxar, respirar fundo, organizar-se e trabalhar, trabalhar demais! Ninguém disse que seria fácil … não mesmo!

Vivemos num momento em que todos os artistas precisam ter a máxima atenção do público. Em minha última convenção internacional, um termo foi exaustivamente comentado por todos. Se até então, trabalhávamos focados em Market Share, ou seja, em ter a maior participação do mercado, neste momento temos como foco também o Attention Share, ou seja, o maior nível de atenção e interesse por parte do público para os nossos conteúdos. E dentro da estratégia de máxima atenção, um projeto de sucesso se inicia sempre pela qualidade do conteúdo disponibilizado. Se antigamente o artista preocupava-se em gravar um disco com 14 faixas e tinha como meta ter ao menos uma única música forte, a famigerada música de trabalho, capaz de sustentar todo o trabalho por mais de um 1 a 2 anos … hoje em dia, cada faixa precisa ser auto sustentável, precisa ter qualidade e empatia suficientes para chamar a atenção e cativar o público, consequentemente, alcançar um número elevado de streams nas plataformas digitais, garantir espaço nas rádios e manter excelente performance em views nas plataformas de vídeo streaming. Enfim, não dá para se lançar qualquer música ou como se dizia no jargão do mercado … músicas para ‘encher linguiça’, ou seja, apenas para aumentar o número de faixas no repertório.

A partir de agora, cada música lançada precisa ser um HIT e como tal precisa ser exaustivamente buscada como uma pepita de ouro em meio a uma enorme jazida. O artista não tem mais como ficar passivamente aguardando que a música lhe seja oferecida. Agora é hora de pegar a picareta, a peneira (não sou íntimo dos termos de mineração, rs) e começar a trabalhar! Quanto mais músicas de qualidade o artista conseguir lançar, maiores as chances de se garantir um lugar na atenção e nas playlists de todas as plataformas. Manter contato com compositores agora passa a ser fundamental! Treinar o dom da composição, também é um caminho natural que precisa ser desenvolvido. O importante é que o artista entenda de uma vez por todas a necessidade quase vital de se buscar e lançar músicas verdadeiramente boas, de qualidade, que tenham força suficiente para chamar a atenção do público e tornar-se um sucesso.

O interessante é que o EP tenha todas as faixas de muita qualidade garantindo assim uma maior possibilidade de destaque do projeto por mais tempo. Vale ressaltar que atualmente cerca de 20 mil novas canções são lançadas ao redor do mundo a cada semana tornando as plataformas digitais um ambiente altamente competitivo da atenção do público, então mais do que nunca, ter qualidade (e uma estratégia de lançamento bem desenvolvida) é fundamental! Se você, artista dileto que nos dá a honra de sua atenção, não tem certeza de que está diante de um repertório efetivamente de qualidade, o melhor a ser feito é não fazer nada! Ou seja, não lance nenhum conteúdo inédito que você próprio não acredita, que não tenha se apaixonado, se arrepiado … concentre-se em encontrar a música perfeita! Concentre-se em oferecer ao público o que de melhor você pode … não aceite atalhos! Não ofereça nada que seja de qualidade duvidosa, prestigie a qualidade e garanta que assim sua imagem junto ao mercado seja a de um artista preocupado com a estética e a arte diferenciadas.

Para bom entendedor …

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, palestrante, diretor A&R, 30 anos de mercado e alguém que ainda se emociona pela beleza das canções de qualidade.

  • Nathalia Nunes

    Amo os teus textos e com certeza faço parte dos 69 leitores assíduos ah muito tempo. Parabéns por compartilhar seus e sua expertise de mercado com os leitores, obrigada!

    • Mauricio Soares

      Muito bom receber este feedback. Sugiro que leia textos mais antigos. Sempre temos bons conteúdos anteriores.

      • Nathalia Nunes

        Sou uma das leitores assíduas, não perco nada, aprendo muito aqui, obrigada mais uma vez, abraço!

  • Luiz Gwyer

    Cada texto que leio aqui agrega meu repertório de conhecimento, que venham mais saguões e longos voos!

    • Mauricio Soares

      Nas próximas semanas teremos muitos saguões e muitos vôos … ou seja, mais textos a caminho

  • Bryan Chagas

    Interessante enxergar o HIT como uma meta profissional. “O que eu preciso fazer, na música, para que ela seja capaz de alcançar um determinado resultado, ou x pessoas.”

  • Isac Soares

    Mauricio, fico realmente muito feliz ao ver que você compartilha essas”informações privilegiadas”, rs com a gente. Essas direções são de extrema importância para aqueles que desejam construir uma carreira sólida e duradoura. Muito Obrigado!