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Entendendo um pouco mais sobre a distribuição digital

Nestes dias estou em meio a uma intensa maratona de divulgação com a cantora Damares por 4 cidades. Começamos por Goiânia, fizemos uma rápida passagem por Brasília e neste momento sigo direto para Fortalezaonde ficaremos por mais 3 dias e de lá seguiremos para Vitória com mais 2 dias de trabalho. Me impressionei com a quantidade de mídias segmentadas na terra do pequi. Antigamente pensava que em Goiânia tínhamos apenas duplas sertanejas, mas hoje posso incluir outra categoria de personagens, os apresentadores de TV. É impressionante a quantidade de programas de conteúdo cristão nas TVs locais. Com isso, fica ainda mais evidente a importância desta região no cenário gospel, inclusive com a realização da primeira edição da Gospel Fair, feira de negócios que será realizada no mês de abril na capital goiana.

Ainda sobre Goiânia, destaque para a diversidade de emissoras de rádio atingindo diferentes públicos, cada qual desenvolvendo um bom trabalho na região. Na verdade, não há nenhum outro lugar do país que possui tamanha opção de emissoras de rádio evangélicas. Por fim, aproveito este espaço para agradecer ao apoio da equipe da Live.com Assessoria e suas incansáveis sócias Karlla Karize e Janaína. Se você pretende desenvolver umprojeto na área artística gospel, especialmente no centro-oeste, o caminho mais fácil é justamente através do apoio destas meninas!

Passado o momento Milton Merchan Neves, vamos seguir com o texto de hoje. Dias atrás estava eu entretido em meus afazeres profissionais, entre e-mails, textos, planilhas e ligações, dei uma rápida espiada em algumas redes sociais. Diariamente, ao ligar meu computador, imediatamente clico em alguns sites de notícias e ato contínuo abro os links de meu instagram, facebook e twitter. E num destes momentos de olhadela para ver o que estava acontecendo nas redes sociais, eis que me deparo com um pequeno papo virtual entre os editores do site Gospel Musikas e Casa Gospel, os amigos Danilo e Alex Eduardo. Como um intruso curioso, observei a troca de comentários entre os dois a respeito de artistas que acreditavam ser a solução para suas carreiras o simples fato de terem seus projetos sendo distribuídos por gravadoras nos ambientes virtuais.

Aproveitando este gancho, resolvi dedicar estes meus momentos de vôo até Fortaleza, completamente espremido na poltrona, assim meio torto, meio de lado, para escrever um pouco mais sobre este tema levantado pelos editores citados anteriormente.

Efetivamente o crescimento do mercado digital é uma realidade e irreversível. Mesmo para os mais céticos, inclusive no mercado gospel, este é um fato consumado! Neste ano fiscal, acredito que 30% do faturamento líquido de minha operação já será creditada aos parceiros digitais. No mercado secular brasileiro, tudo indica que em 2013 as vendas digitais significaram algo próximo aos 40% das receitas das gravadoras. Nos EUA e emalguns outros países, as vendas digitais superaram 50% do resultado e seguem em franco crescimento. Ou seja, a venda de CDs ainda poderá se manter forte nos próximos anos, mas efetivamente a cada período a tendência é de que as vendas digitais seguirão em crescimento. Talvez a grande dúvida hoje seja sobre o tempo de vida útil  da mídia física. Ou por quanto tempo estas vendas físicas se manterão relevantes dentro do resultado das gravadoras, mas de uma coisa ninguém duvida: as vendas digitais se tornarão absolutamente relevantes e transformarão os hábitos de consumo de conteúdo.

Somente nestes 3 dias em que estive por Goiânia recebi 8 CDs e mais 3 DVDs. Conheci muitos jovens artistas locais, ouvi referências elogiosas de muitos nomes. Ou seja, duvido que ao retornar ao Rio de Janeiro não traga em minha bagagem ao menos 25 CDs e outros tantos DVDs. E posso assegurar que muitos destes produtos e artistas estão prontos para ingressarem numa gravadora e serem trabalhados de forma mais profissional, mas como atender a toda esta demanda? Simplesmente é impossível, do ponto de vista do planejamento, de investimentos ou mesmo de atenção necessária ao artista e ao projeto. Não tem como uma gravadora desenvolver um projeto de qualidade para dezenas de artistas. O cast realmente precisa ser reduzido e as decisões sobre contratações devem ser tomadas de forma muito fria e racional.

Há algum tempo atrás li um artigo publicado numa revista norte-americana sobre um estudo realizado entre as gravadoras. Na pesquisa, comprovava-se que para um artista de sucesso, cerca de 800 outroseram avaliados e investidos. É quase como ganhar na Megasena da Virada apostando-se apenas um cartão! Em minha carreira já tive alguns projetos que viraram sucessos retumbantes, mas a lista de artistas que ficaram pelo caminho também é muito extensa, na verdade, bem maior do que a anterior. O que podegarantir um projeto de sucesso? Simplesmente nada! Mas eis que estamos diante de uma novidade para o mercado fonográfico e que de alguma forma, diminui sensivelmente os riscos de se apostar em promessas. Estou falando da distribuição digital de conteúdo.

Hoje as gravadoras estão apostando em artistas que possuem relevância nas redes sociais, além de visibilidade em seus vídeos e que conseguem se destacar em meio a todo este frenesi que se tornou a web. Se um artista tem um vídeo com milhares, às vezes milhões de views, já há um forte indício de que temos algo interessante à frente. Antigamente o A&R tinha que correr por bares, festivais, shows em pequenas casas à procura de um artista promissor. Hoje em dia, este profissional tem a web como sua forte aliada. Basta fazer uma pesquisa no YouTube, nas redes sociais ou mesmo no Google para se certificar se estamosdiante de um novo fenômeno ou não.

O primeiro passo hoje para que um A&R arrisque menos no investimento de jovens artistas é justamente utilizar-se da distribuição digital. Em 2013, a Sony Music lançou um novo projeto, o Sony Music Digital, como o próprio nome sugere, trata-se de um projeto piloto em que o artista passa a ter todo o seu conteúdo em áudio e vídeo distribuídos comexclusividade pela gravadora. Nesta parceria, o artista passa a ter não somente o seu disco e vídeos nas plataformas digitais como iTunes, VEVO, operadoras de telefonia, Deezer, entre outros, como ainda passa a ser trabalhado maciçamente nas redes sociais da gravadora, além de ter suporte da equipe da empresa para seus próprios canais. Aparentemente é a redenção para as gravadoras e mesmopara os artistas que passam a fazer parte e ter acesso a todo o ambiente tecnológico sem maiores investimentos ou entraves. Sim, esta é uma parte donegócio, mas engana-se que apenas isto já basta para ter milhares de álbuns vendidos, agenda lotada de eventos ou singles de sucesso.

Como comentaram, Alex e Danilo, nossos parceiros de mídia gospel, erra redondamente o artista que pensa ter atingido o nirvana apenas porque agora faz parte de um selo digital. Neste tipo de parceria, oartista tem papel fundamental para o sucesso da empreitada. É necessário que o artista incremente e trabalhe de forma focada e profissional suas redes sociais. Um artista que tem 10 mil seguidores notwitter ou na fanpage não terá muita relevância para resultados expressivos na venda de álbuns ou singles no iTunes. Observem que o iTunes é como uma enorme biblioteca de conteúdos com milhares e milhares de discos, músicas, conteúdos, cada um buscando a atenção do consumidor. Se o artista não é relevante do ponto de vista de seguidores, as chances do produto ficar criando teias de aranha virtual são enormes! Então, o primeiro passo é incrementar as redes sociais!

Outra questão importante é municiar de conteúdo os canais próprios, principalmente na questão dos vídeos. Quando falamos de vídeos, vamos desde os tradicionais clipes aos Web Vídeos (só o áudio e umaimagem fixa), Lyric Vídeos (áudio e letras em movimento sincronizado), ensaios em estúdio, vídeos tutoriais ou gravações de eventos, só para citar alguns. Quando um artista faz parte de um selo digital é criado um canal exclusivo nas plataformas de vídeo, seja YouTube ou Vevo como no caso da Sony Music Digital. E nestes canais exclusivos, o artista deve incluir farto material para justamente manter ativo e atraente ao público, aumentando assim a visibilidade de seus vídeos e consequentemente a monetização dos mesmos. Além dos vídeos, o artista pode criar álbuns ou singles exclusivos em áudio. Muitas das vezes pode-se gravar uma versão acústica de uma determinada canção ou mesmo uma versão remix. O certo é que plataformas como o iTunes permitem que o artista não refreie sua capacidade de criação e produção, pelo contrário, tudo o que é produzido, mantendo a qualidade é claro!, pode ser lançado nas plataformas. O segundo passo é investir na criação de conteúdo!

Agora, não é porque sua produção é digital que o artista precisa se trancar no quarto de sua casa para conectar-se com o mundo exterior! Nada disso! A estratégia tradicional de ‘ir aonde o povo está’ mantém-se firme e forte mesmo em tempos digitais. Ou seja, nada substitui ocontato pessoal. Nada substitui o trabalho de cantar nas igrejas, de ralar dia a dia à procura de espaços para se mostrar o talento. Já falei nisso antes e repito agora. Muito mal comparando, a igreja é como o barzinho para os cantores seculares! Um artista que não gosta de cantar em igrejas, que está à procura apenas de grandes palcos, está literalmente fadado ao insucesso. Além disso, um artista ‘digital’ precisa trabalhar em sua divulgação da mesma forma que um artista ‘físico’, ou seja, focado no relacionamento com as mídias, especialmente as rádios e programas de TV. E neste caso, até por se tratar do mesmo ambiente, um artista ‘digital’ precisa ter uma grande estrutura de mídia e promoção na web. Hoje em dia já há algumas empresas que se propõe a assessorar os artistas nas mídias sociais. Vale a pena analisar esta possibilidade, mas com muito critério porque há uma enxurrada de jovens “açessores” prometendo ajuda nesta área mas que na verdade só ficam tuitando o dia inteiro. Em terceiro lugar, não deixe de trabalhar nos moldes tradicionais! Vá para a estrada, não escolha agenda, trabalhe muito e também foque na comunicação de forma profissional!

Dependendo do acordo com o label digital, veja a possibilidade de produzir algum material físico, seja um CD promocional ou mesmo um DVD com release e clipes. Há muitos artistas que optam por lançar um CD com embalagem ‘envelope, uma versão mais simples do que o digipack ou jewelcase, a caixinha tradicional de acrílico. Com este material, o artista pode em suas apresentações ter algumtipo de remuneração na venda dos produtos ao público, além de servir como um importante material de divulgação. Mas neste caso, é fundamental que o artista incentive ao máximo a compra do conteúdo digital. O CD promocional tem que ser apenas uma degustação do que o público encontrará na versão digital. Crie uma opção física para incrementar avenda digital.

Se o artista digital conseguir trabalhar de forma organizada estes aspectos, as chances de conseguir bons resultados é bem maior. No entanto, é importante ressaltar, por mais que pareça óbvio, que o artista precisa ter qualidade! O que faz toda a diferença, seja num projeto físico como digital, é a música! A música pode transformar um adolescente do interior num astro pop mundial. Então, antes mesmo de buscar o espaço num selo digital, o fundamental é que o artista tenha conteúdo de qualidade, que tenha relevância, talento e uma boa dose de perseverança! Há inúmeros casos de artistas que foram lançados em selos digitais e que em pouco tempo tornaram-se artistas nos moldes tradicionais de gravadoras como a jovem Marcela Taís e a banda gaúcha Tanlan, atualmente no cast da Sony Music.Fica a dica!

Chego ao fim do texto com meu pescoço doendo horrores, minha coluna ‘gritando’ e minhas pernas formigando. Que coisa! Preciso de uma cama bem confortável e um relaxante muscular urgente! E a senhorinha do meulado roncando a plenos pulmões … que fase!

Obrigado Danilo e Alex Eduardo pelo insight. Vamos em frente!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, necessitando do auxílio de um acupunturista cearense, torcedor do Fluminense e já sonhando com os camarões, lagostas e todas as iguarias dos próximos dias!