EXODUS – A improbabilidade dos fatos

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Discorrerei nessa nova série Exodus alguns relatos do Livro de Êxodo e os acontecimentos: verídicos, históricos, científicos e ficciosos…

O livro de Êxodo é uma história de milagre e liberdade. Segundo estudiosos o livro bíblico que mais conteria controvérsias, e cientificamente o que contém menos provas materiais de sua veracidade. No entanto, o livro bíblico que mais contém milagres realizados por Deus.

Muito tem se perguntado se a saga do Êxodo é uma verdade histórica ou uma ficção literária. De qualquer forma podemos concordar que é uma poderosa expressão da memória e da esperança de um povo, nascida num mundo em plena mudança. A confrontação entre Moisés e Faraó espelhava o significativo confronto entre o jovem que amava seu povo e o Faraó que escravizava este mesmo povo.

“O Êxodo nos conta a origem do povo de Israel, descendentes de que viviam como escravos do faraó no Egito, até que Moisés, um hebreu, criado pela filha do Faraó, que ao chegar à idade adulta, não suportou ver seu povo oprimido e ao matar um egípcio fugiu, possivelmente para a terra de Midiã, que arqueologicamente não é encontrada pela localização indicada na bíblia.

”E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça. E o Senhor disse: Moisés, Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga. Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó para que tires o meu povo (os filhos de Israel) do Egito.” Ex 1:2-10

Tendo recebido a mensagem de Deus para que libertasse seu povo e o conduzisse à Terra Prometida, Moisés volta ao Egito e apesar da resistência do Faraó, ele e seu povo empreendem uma jornada 40 anos pelo deserto, que teria durado 40 anos e fora marcada por diversos milagres.

Para a comunidade científica, o Êxodo não aconteceu na época e da forma descrita na Bíblia, e parece irrefutável quando se examina a evidência de sítios específicos. Nessa primeira parte da nossa série do Exôdo nos ateremos aos acontecimentos que antecedem a saída do povo de Israel do Egito.

A questão da duração do cativeiro egípcio é controversa. De fato, os israelitas ficaram ali por volta de 450 anos (430 ou 400 anos), e indica a história que não foram escravos todo o tempo. Diversos elementos na narrativa mosaica levam a crer que José e sua família habitaram no Egito justamente no período de dominação dos hicsos os “reis pastores”, como eram chamados.

Segundo alguns intérpretes, Ahmose I, o faraó que expulsou os hicsos do Egito, não conheceu a José e foi a partir desse momento que os israelitas foram escravizados, aproximadamente 200 anos antes do Êxodo.

Na arqueologia egípcia, e nos documentos históricos do Egito não há sinais de que no Egito houve escravos hebreus. E não há registros também de que um número tão grande de pessoas teria deixado o país nessa época histórica. Estudiosos afirmam que a perda de um significativo contingente de trabalhadores, como a indicada na história de Êxodo teria provocado um abalo econômico e social considerável e esse fato certamente constaria nos registros egípcios.

Alguns fatos, porém, evidenciam os relatos bíblicos.

Existe uma descoberta científica conhecida como da Estela de Merenptah, encontrada no Egito que faz referência ao povo israelita, porém o povo de Moisés é mencionado laconicamente: “Israel está destruído, sua semente não existe mais”. No entanto, não diz quem liderava Israel nem que regiões eram abrangidas por seu território. Essa evidência trata-se da mais antiga menção aos ancestrais dos judeus fora da Bíblia.

A arqueologia provou também a existência das cidades de Pitom e Ramessés em escavações arqueológicas, evidênciando a escravidão do povo hebreu no Egito. “E puseram sobre eles maiorais de tributos, para os afligirem com suas cargas. Porque edificaram a Faraó cidades-armazéns, Pitom e Ramessés.” Episódio descrito Ex 1:11

O povo hebreu como descreve a bíblia teria edificado para os egípcios as cidades-celeiro Pitom (também chamada Sucote) e Ramessés. As ruínas de Pitom foram descobertas por arqueólogos no século passado. Ali foram encontrados armazéns de cereais, feitos de tijolos, uma parte dos quais sem palha. A cidade chamada Ramessés igualmente identificada pelos arqueólogos, tornou-se a residência especial de Ramessés II. Suas ruínas consistem de grandes montes de tijolos, feitos de argila do rio Nilo, secados ao sol. Em muitos casos a argila está misturada com palha para lhe dar maior consistência. Muitos, decerto, foram moldados por mãos de israelitas.

Existe ainda o fato de o nome “Moisés” não ser de origem hebraica  e sim de origem egípcia  (indicando o radical sés – que significa filho de…).

Apesar das improbabilidades de certos trechos do relato bíblico da história de Exôdo, é raro encontrar pesquisadores que considere o referido evento como mera história ficciosa. Sendo assim, os estudiosos concordam com a idéia de que a narrativa bíblica da saída do Egito contém uma verdade histórica, mesmo que mínima.

Nahum Sarna, professor de estudos bíblicos da Universidade de Brandeis diz que o relato do Êxodo não pode, de modo algum, ser uma peça de ficção. “Nenhuma nação inventaria para si mesma uma tradição assim tão inglória, a menos que houvesse um núcleo verídico”

O fato histórico do Êxodo e a sua dimensão divina descoberta à luz da fé nos relata que houve uma bela história de tentativa bem sucedida de libertação do jugo de opressão que Faraó, impunha aos hebreus. Houve por esse povo a procura incessante de liberdade e de independência. Antes e depois de Moisés povos fizeram semelhantes tentativas. Os homens continuam até os dias de hoje buscando a liberdade e a independência, e este desejo é o cerne daquilo que mais fortemente se impõe ao homem, a luta pela liberdade…

Em nosso próximo texto falaremos sobre o castigo de Deus imposto ao Egito, ou apenas a descrição científica dos fenômenos conhecidos como as 10 pragas do Egito.

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Ana M. de Souza Lopes
Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo

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