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FALANDO DE MÚSICA, TODO O DIA, SEM PERDER A TERNURA!

Confesso que estou numa fase bastante animada para a produção de novos textos e mesmo com a agenda de viagens bastante intensa, tem me faltado um componente crucial para a criação de posts para nosso humilde blog: o tempo. E é exatamente sobre o tempo que eu gostaria de comentar neste momento. Indo direto ao ponto, muitos artistas me questionam sobre a intensidade e a periodicidade que devem falar de seus respectivos trabalhos nas redes sociais. Boa parte destes questionamentos por parte dos artistas, tem como principal receio a sensação de saturação ou mesmo de apelação para que o público consuma seus conteúdos.

Não sei se já comentei isso aqui no blog, mas certamente quem caminha comigo ou esteve próximo nas últimas semanas, teve a oportunidade de ouvir minha preleção a respeito da mudança significativa dos processos após a transição para o mercado digital. Costumo falar de que o trabalho da gravadora tinha como foco final a venda do disco na loja, ou seja, a partir do momento em que o consumidor adquirisse o disco, pouco importaria para a gravadora se ele iria ouvir aquele trabalho por uma, duas ou trezentas milhões de vezes. Ele havia comprado o produto e a partir daí o objetivo final da companhia estava atendido. Aí veio o turbilhão digital e mudou tudo … e hoje em dia, o trabalho da gravadora (e dos artistas) é estimular diariamente o consumo de seus conteúdos nas plataformas digitais. Mas como fazer isso e não parecer apelativo, enfadonho, desestimulante? Esta é a pergunta de um milhão de dólares … mas acho que temos alguns caminhos a seguir …

Antes de propriamente falarmos sobre as estratégias, creio que é importante deixarmos claro que a frequência, a constância, o “postar todos os dias” algo relacionado à música é fundamental. Me veio à mente dois filmes que tornaram-se clássicos, ao menos em minha filmografia pessoal – Groundhog Day, que no Brasil chegou aos cinemas como “O Feitiço do Tempo” – e ainda – 50 First Dates, que por aqui é conhecido como “Como Se Fosse a Primeira Vez”. O primeiro filme é estrelado por Bill Murray, Andie MacDowell e Chris Elliot e tratava de uma ficção onde o metereologista (Murray) revivia o mesmo dia por incontáveis vezes. Ele acordava todos os dias ao som da música – I Got You Babe de Sonny & Cher e ao longo do dia por mais que tomasse decisões distintas, o dia seguinte começava de igual forma.

Já o filme “Como Se Fosse a Primeira Vez” é baseado em fatos reais, na história da britânica Michelle Philpots que sofria de uma rara perda de memória de curto prazo e amnésia anterógrada, ou seja, de forma semelhante ao filme citado acima, ela se esquecia do que havia vivido no dia anterior e tudo começava de novo. É um filme bem romântico, meio comédia estrelado por Adam Sandler e Drew Barrymore … vale a pena ser assistido. Mas por que citar estes dois filmes? Muito simples! Porque, na minha mais modesta opinião, hoje em dia os artistas precisam agir de igual forma dia após dia, mesmo em feriados, fins de semanas ou em dia de eliminação do Brasil na Copa do Mundo. Nada muda … ou seja, todos os dias são tempo ideal para se falar de música, para se falar de clipes, para se incentivar o consumo de música pelos apps digitais, enfim … todo dia deve ser sempre igual, mas de uma forma diferente!

Temos acesso hoje em dia a inúmeras ferramentas de acompanhamento de performance em tempo real relacionadas ao streaming. E, particularmente, acompanho tudo em termos de resultados de cada um dos artistas que compõem o cast da gravadora em que atuo. Isso é todo dia … reservo uns 15 a 20 minutos para ler e posteriormente analisar todos os dados ali disponibilizados. Depois deste período, sempre reservo mais um tempo para comentar com minha equipe e os próprios artistas sobre informações que me chamaram a atenção do ponto de vista positivo ou negativo. O importante é acompanhar tudo, o tempo todo!

Dias atrás conversando com o manager de uma jovem cantora entramos neste assunto … sobre números, resultados, performance. Mostrei a ele que uma determinada música daquela artista havia tido um salto excelente de consumo nos últimos dias e aí o questionei se especificamente naqueles dias, a cantora havia divulgado mais sobre aquela música em específico. A resposta (e não poderia ter sido outra) era de que sim! ela havia focado na divulgação daquela música nos últimos dois dias. E prosseguindo na conversa, fiz questão de deixar claro e evidente de que quando o artista divulga da forma correta, automaticamente o consumo da música irá aumentar nos aplicativos de música. Não é achismo! Não é campanha de oração no monte! Não é suposição! É um fato e como tal, precisa ser entendido e respeitado.

O artista que decide divulgar corretamente sua música nas redes sociais, inevitavelmente terá maior consumo da faixa em streams de forma imediata.

Então, se você, querido artista e leitor do blog, captar esta mensagem e colocá-la em prática o quanto antes, devemos seguir com os formatos de divulgação desta estratégia para que você não seja taxado como o ‘chato da web’ ou o ‘apelão por streams’. Vou apenas listar algumas destas formas, vamos lá!

Em primeiro lugar, tenha uma melhor noção do perfil de seu público, dos horários de maior audiência e que tipo de comunicação tem melhor alcance. Hoje em dia, os vídeos são a grande sensação em termos de resultados. Aqueles cards bem bonitos, bem elaborados, mas estáticos, acabam não entregando resultados tão altos como memes, vídeos e animações. Tendo estas informações bem claras e definidas você pode eleger uma faixa principal a ser divulgada. É melhor que você cresça com uma determinada música do que todo um álbum, EP ou mesmo discografia. Escolha a faixa-foco e dedique sua atenção toda a ela. De preferência, que esta faixa tenha sua versão em vídeo para reforçar sua divulgação em outro tipo de plataforma.

Você pode falar de música inserindo-a naturalmente em seu cotidiano … está fazendo sua corridinha matinal? E que tal fazer isso ouvindo a música XYZ? Está na academia malhando? Humm … a música XYZ pode ser uma boa trilha, não é mesmo? Puxa vida! Programa de índio é fazer compra de supermercado em pleno sábado … mas então, vamos ouvir a música XYZ pra compensar … ou seja, não faltam argumentos para se falar de música sem parecer chato ou repetitivo.

Mas só se fala de música? Nada disso! Podemos falar de playlists … e aí o assunto vai longe! Pra começo de conversa … todo artista precisa ter em seu perfil ao menos uma playlist que apresente seus gostos pessoais. Por exemplo, Priscilla Alcântara possui uma playlist que tem mais de 75 mil seguidores. Leonardo Gonçalves tem diversas playlists que apresentam suas referências musicais … ou seja, temos aí mais um assunto para ser incluído nas postagens dos artistas. “Hoje estou ouvindo minha playlist XYZ” (e claro, no repertório, destaque para suas obras próprias!). Ou então, “acabei de atualizar minha playlist, confere lá!” Em suma, não faltam assuntos para que você volte ao tema da música em suas redes sociais.

Ainda falando de playlist, caso sua música esteja inserida numa Playlist das plataformas digitais, ou mesmo sendo capa de alguma, aí temos mais motivos para que você divulgue e incentive seu público a consumir suas músicas. É impressionante como boa parte dos artistas do meio gospel, sequer acompanham as principais playlists do segmento e se envolvem na divulgação destes conteúdos. É como eu digo, um autismo seletivo que não ajuda em nada no processo de transição para o consumo de música digital.

Outra forma ou momento de falar de música é justamente nos eventos. Seja num culto, show ou mesmo em Lives na web, toda oportunidade deve ser aproveitada para falar de música e incentivar o público a ouvir os conteúdos nas plataformas digitais. Sempre! Já percebo que, especialmente no caso dos artistas mais próximos de mim, este chip digital já está inserido na mente e no discurso deles. Recentemente estive numa feira e praticamente todos os artistas em algum momento de suas apresentações mencionaram suas músicas, seus perfis e as plataformas de áudio streaming. Esta inserção é tão fundamental que deve ser encarada quase que como um mantra … e isso acaba gerando algumas situações engraçadas como a que vivi alguns meses atrás numa ação promocional de loja (divulgando um lançamento físico) onde a artista seguidamente falava de plataformas digitais, ou seja, até quando não se deveria falar de digital, eis que a artista não parava de falar dos benefícios do consumo de música digital. O nome disso é “metanóia digital”, rs.

Em resumo, fale de música todos os dias! Incentive o consumo de música todos os dias!
Seja criativo na forma de se comunicar, mas fale de música!

Recado dado. Agora vamos trabalhar!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que não se cansa de falar de música, mercado digital, de estratégias e que até agora não consegue entender como o Brasil conseguiu perder a Copa do Mundo mais fácil de todos tempos … também não entendo como alguém pode querer votar no Lula, mas aí já é outra estória … vamos seguir falando de música!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

One Comment

  • Nathalia Cristina Ferraz Medeiros Nunes

    13/08/2018 at 17:53

    Seus textos sempre me dão insights incrivelmente necessários no meu curso de pós graduação em Comunicação e Marketing em mídias Digitais. Minha total gratidão por sua disponibilidade em continuar escrevendo e dissecando o assunto para nós, seus ávidos 69 leitores, rsrsr, Obrigada de verdade! Deus abençoe com muita inspiração e sucesso, abraço!

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