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Falando sobre pirataria, clonagem e cara de pau!

Muito se fala de que o mercado gospel é protegido da prática de pirataria pela natural e bíblica ética dos seus consumidores. Realmente, se formos comparar a tragédia do que ocorreu com o mercado fonográfico secular onde a pirataria diminuiu em mais de 50% as vendas, é verdade que o mercado gospel neste sentido é bem mais saudável. No entanto, engana-se quem imagina que esta prática ilegal e pecaminosa passa ao largo do nosso meio. Infelizmente, engana-se redondamente!

 

Visitando algumas lojas e regiões pelo Brasil recentemente, me deparei com vendedoresambulantes gritando a plenos pulmões, bem em frente a algumas livrarias evangélicas, suas ‘mercadorias genéricas’ com naturalidade (cara de pau mesmo!) impressionante.

 

“- Olha aí freguês! CD lançamento, na minha mão apenas 5 reais! DVD de filme … muito bom! Apenas 5 reais …”

 

A loucura neste caso é ainda maior com o argumento do vendedor de que o CD é uma bênção! O filme vai emocionar a família e coisas do tipo. E pior ainda é a desfaçatez do irmão de terninho apertado, sapato de verniz, Bíblia embaixo do braço, parado em frente à banca de produtos piratas escolhendo tranquilamente qual produto irá levar para abençoá-lo!

 

Este CD ou DVD vendido abertamente na rua, com capa de quinta categoria, muitas vezes uma simples reprodução em papel, mídia roxa ou algo do tipo e preços ‘acessíveis’ são o típico  produto made in Paraguai. Quem compra um produto deste naipe, por mais que seja alguém distraído, absorto, autista, que literalmente viva no mundo da lua, míope ou sofra de alguma síndrome de consumismo desenfreado, não tem a mínima desculpa para dizer que comprou ‘gato por lebre’ sem perceber. A diferença entre um produto original e este tipo de genérico é gritante. Então, não há nada que justifique um cristão de comprar e estimular este tipo de comércio. Simplesmente não há argumentos e ponto final.

 

No entanto, nos últimos 2 anos em especial, uma nova modalidade de pirataria vem crescendo absurdamente no meio gospel e esta tem causado danos enormes aos artistas, lojistas e gravadoras. A pirataria em questão não é mais grotescacomo a que encontramos nos tabuleiros de ambulantes em algumas das principais cidades do país. Neste momento convivemos com a pirataria clonada, ou seja, uma cópia mais bem acabada do produto original. Em alguns casos, encontramos produtos clonados com embalagens no formato digipack que é aquela caixa de CDs e DVDs em papelão, portanto, algo mais difícil de ser reproduzido.

 

Estes produtos clonados estão sendo produzidos em fabriquetas de fundo de quintal e principalmente em algumas fábricas onde o controle e a ética estão longe demarcar presença. Boa parte destas fábricas encontram-se em São Paulo e é justamente este mercado o centro de distribuição destes produtos clonados. O assustador é que já são encontrados produtos clonados em algumas livrarias do segmento e grandes distribuidores. Creio fielmente que alguns lojistas desconhecem que estão adquirindo produtos clonados e acabam participando doesquema fraudulento sem ter conhecimento do ilícito. No entanto, há hoje emdia, alguns importantes players do mercado gospel atuando neste mercado ilegal.

 

Recentemente algumas gravadoras do meio gospel iniciaram ações individuais para coibir essa prática. É sabido que infelizmente não há uma associação que reúna as principais empresas do setor e nestes momentos, esta individualidade acaba trazendo ainda maiores prejuízos ao mercado. Confesso que já tentei por algumas vezes promover reuniões e encontros de aproximação entre as gravadoras do segmento, mas todas as ações foram infrutíferas.

 

Os produtos clonados – e já tive oportunidade de ter em mãos alguns destes exemplares – são realmente muito parecidos com o original, mas basta apenas alguns segundos de observação mais apurada para se ter uma noção clara da diferença entre o original e o falso. Geralmente o material gráfico clonado tem acabamento mais simples. Quando um original tem aplicação de hot stamping (aquele detalhe dourado ou prateado aplicado na capa), no clonado encontramos uma reprodução dourada em off set, algo menos brilhoso. Quando a embalagem do original é em digipack, é bem comum que a embalagem clonada mantenha o formato digipack, mas este geralmente se apresenta em gramaturas inferiores. O digipack clonado é sempre mais leve que o original.

 

Outra diferença entre original e clonado é observado no próprio disco, comumente chamada de bolacha. Todo CD original tem números de registro da fábrica em que foram prensados. É uma espécie de código de identificação de cada disco. Como seria de se esperar, no caso dos clonados, esse número simplesmente não existe ou se repete em todos os discos.

 

Então, na sua próxima compra de um CD de música gospel, procure avaliar com bastante atenção as características do produto em si. Na mínima dúvida, procure contato com a gravadora do CD em questão e solicite maiores informações. Neste momento uma série de ações estão sendo planejadas para combater essa ilegalidade e em breve teremos algumas novidades.

 

Aproveitando o tema, não posso deixar de incluir os sites “gospel” de downloads ilegais. Nos últimos meses, especialmente no caso da empresa em que atuo, conseguimos derrubar diversos sites que ofereciam gratuitamente ao público o que não ospertencia. Muitos sites de downloads ilegais foram bloqueados e derrubados recentemente. E esta estratégia segue a pleno vapor, inclusive com ações mais rigorosas por parte da justiça. É importante salientar que cada vez mais o território livre que se conhecia como internet, passa a contar com leis e controles duríssimos. Quem pensa que está agindo na ilegalidade em meio à multidão, saiba que o cerco vem se fechando e a situação de liberalidade está bem próxima ao fim.

 

Mas em paralelo às questões jurídicas, é importante que os consumidores de música gospel também entrem nessa campanha contra os sites de downloads ilegais. Há algum tempo atrás, a grande desculpa era de que as gravadoras não possuíam plataformas de venda de música digital para atender à demanda. No entanto, hoje em dia, não só boa parte das empresas estão inseridas no meio digital, como o processo de aquisição de conteúdo está cada vez mais facilitado e acessível. Portanto, não há justificativa plausível para que se consuma música, seja em áudio como em vídeo, de forma ilegal.

 

Conto com a participação de todos!

 

 

Mauricio Soares, publicitário, blogueiro, tricolor, jornalista, cristão, palestrante, consultor de marketing e leitorcontumaz de tudo que surge pela frente, de bula de remédio a biografias.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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