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Feliz ano novo … Olá ano velho … o tempo não pára ou não passa?

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A impressão que tenho neste momento de últimos dias de dezembro é que o ano de 2017 já começou e que 2016 ainda insiste em existir! Pois é … já estamos trabalhando ativamente pelos lançamentos de janeiro e fevereiro do próximo ano como se não tivéssemos aquele período de recesso, descanso e respiro tão comum em anos anteriores. E o motivo disso não tem a ver com a crise econômica, com a crise política do país, com a camada de ozônio ou a falência dos estados como Rio de Janeiro ou Minas Gerais, nem mesmo com a eleição do Trump lá na terra do Tio Sam … a razão desta sequência interminável de trabalho é que estamos vivenciando mais uma mudança dos tempos digitais.

Nos últimos anos, em especial, neste ano de 2016 venho repetidamente falando sobre a transição do mercado físico para o digital, falamos muito sobre os novos hábitos de consumo, as novas plataformas digitais, a mudança de estratégias, metas e objetivos que realmente importam … e agora identifico mais uma mudança significativa, a saber, os lançamentos de projetos, EPs, singles, vídeos, não se baseiam mais em datas especiais ou períodos específicos, ou seja, todo dia é dia para se lançar conteúdos.

Por exemplo, no dia 23 de dezembro, às vésperas do Natal, teremos o lançamento de um novo single. Na semana seguinte, um dia antes do Reveillon, lançaremos outro projeto. Nem bem nos recuperamos das rabanadas e na sequência lançaremos mais 2 projetos na primeira semana de janeiro. E esta rotina seguirá intensa semana após semana numa maratona sem fim. E esta ‘produção em série’ faz parte deste novo contexto do mercado fonográfico. Vale aqui um outro comentário que tem a ver com esta quantidade de lançamentos. No dia 09 de dezembro, lançamos pela Sony Music 4 produtos simultaneamente – Gabriela Rocha, Samuel Mizhary, André e Felipe e Irmão Lázaro. Cada um destes produtos tem públicos distintos, apresentam propostas artísticas e musicais bem definidas, em outras palavras, não se sobrepõem. E justamente por estas características, todos os 4 lançamentos performaram com grande resultados. Gabriela Rocha chegou à posição 4 entre os produtos mais vendidos no iTunes Brasil naquele dia. Samuel Mizhary chegou à nona posição, André e Felipe alcançou a vigésima posição e Irmão Lázaro alcançou a posição de número 118. Ou seja, os 4 lançamentos figuraram no Top 150 do iTunes Brasil, algo inédito até então. Vale lembrar que neste mesmo dia tivemos ainda a presença de mais 5 projetos de catálogo da Sony Music neste chart de mais vendidos.

Se tempos atrás os A&R das gravadoras corriam atrás dos ‘grandes vendedores de discos’ e trabalhavam de forma cirúrgica buscando aqueles artistas que sozinhos garantiam boa parte das vendas, hoje, em tempos digitais, cada vez mais esta busca se torna intensa, no entanto, o leque de opções artísticas para a gravadora se amplia consideravelmente. Atualmente cerca de 80% das vendas digitais dão-se através do produtos de catálogo e apenas 20% sobre lançamentos. Cabe aqui uma explicação, bem didática, considera-se produto de catálogo todo projeto com mais de 18 meses de lançamento. Projetos antes deste prazo, são considerados lançamentos.

A partir de agora, iremos ouvir muito uma determinada palavra: ESCALA. É verdade, saímos da fase da assertividade e passamos para a fase da amplitude. Traduzindo: as gravadoras deixarão de focar apenas em poucos artistas que podem trazer grandes resultados de vendas e se dedicarão a ter o maior número de artistas e projetos em seu cast. Isto porque no mundo de consumo digital, tudo precisa ser gigante! E quando digo gigante, é gigante mesmo! Clipes com menos de 2 dígitos em milhões de visualizações não trarão remuneração suficiente sequer para recuperar o valor de investimento na produção. Uma faixa de áudio sem milhões de streamings também não fará nem cócegas … No chart semanal de streamings – relatório de desempenho de faixa a faixa nas principais plataformas de audio streaming no Brasil – o líder do ranking sempre ultrapassa 1,5 milhão de streamings semanais, quando não ultrapassa a marca de 2 milhões. Entre o Top 200 desta lista, os últimos integrantes deste seleto grupo, em média têm 300 mil streamings semanais. A título de informação, até hoje não tivemos um único representante da música gospel presente neste chart de streaming no Brasil. Este é, sem dúvida, o grande desafio que teremos em 2017 em se tratando de música gospel no país.

É assustador perceber que ainda temos artistas e gravadoras trabalhando de forma completamente desfocada neste novo ambiente de negócios e consumo. A mudança é ampla, geral e irrestrita e a necessidade por conhecimento é total! Vale ressaltar que não existe segmento, estilo ou público que não seja passível de entender estas mudanças e se engajar neste novo contexto. Não costumo usar muitos exemplos de projetos de meu dia a dia aqui para o blog, mas permito-me destacar os recentes resultados que estamos tendo no projeto da cantora Damares. Todos temos ciência de que o público que consome conteúdo pentecostal tem menos adequação às plataformas digitais do que de outros artistas como Gabriela Rocha, Priscilla Alcantara ou Leonardo Gonçalves. No entanto, em conjunto com a equipe de Digital Sales e de Digital Marketing da companhia elaboramos uma série de ações e estratégias para que o enorme público das redes sociais da cantora de alguma forma migrasse para as plataformas de audio streaming e mesmo outros canais digitais. Depois de algumas semanas de intenso trabalho constatamos crescimento de 300% na performance de Damares na Deezer e Spotify e em 66% em assinaturas de RingBackTone nas operadoras de telefonia. Sucesso!

Meu desejo é que cada vez mais o nosso meio esteja engajado neste novo momento tecnológico e de consumo. E para esta adequação é importante a busca do conhecimento e a vontade pela mudança. Espero que os 69 leitores deste blog curtam e exercitem tudo o que têm aprendido por aqui. Que venha 2017 … que 2016 se vá o quanto antes!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing e gerenciamento de carreiras, tricolor, carecendo por férias … pé na areia … mente na lua …

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