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Gerenciamento de Carreira – a importância de se contar com a ajuda de profissionais

A história mundial é pródiga em exemplos de grandes personagens que alcançaram o sucesso como auto-didatas, pessoas que aprenderam e desenvolveram determinadas técnicas de forma individual, muitas das vezes baseado tão somente na intuição, na observação e estudo de fatos, sempre com muita dedicação e porque não incluir também um pouco (ou muito) de sorte.

No campo artístico também temos muitos casos de pessoas que conquistaram destaque em suas áreas baseados tão somente na vontade própria, na transpiração e dedicação integral. No meio gospel tupiniquim, a mesma realidade se faz presente com bastante recorrência.

Conversando com um grande amigo dias atrás falávamos sobre diversos nomes do segmento artístico gospel contemporâneo e de como boa parte destes mesmos personagens tinham uma carreira de relativo sucesso até um determinado ponto e infelizmente, tropeçavam em questões aparentemente simplórias na condução de suas carreiras. Assim como um profissional que desenvolveu um habilidade específica de forma individual necessita a partir de um certo ponto contar com a orientação e ajuda de terceiros, o mesmo acontece – e não poderia ser diferente! – com o artista.

Há alguns anos atrás publiquei aqui mesmo no blog um texto que alertava sobre a necessidade de mais profissionais para conduzir a carreira dos artistas do segmento gospel no Brasil. Por incrível que possa parecer, este texto mantém-se absolutamente atual e a carência de profissionais gabaritados para dar suporte e condução à carreira dos artistas do segmento permanece enorme!

Confesso que para qualquer profissional de marketing ou artístico de gravadora, esta carência por profissionais de gerenciamento artístico torna tudo no dia a dia da relação com o artista absurdamente mais complicado. Questões simples, básicas, recorrentes, se tornam difíceis, arrastadas e o pior, muitas das vezes trazem consequências negativas para a gravadora, o projeto em si e o próprio artista. Vale ressaltar também que se esta pessoa dita como manager ou algo do tipo, não tiver as condições básicas da função e principalmente o preparo técnico, os resultados muitas das vezes serão ainda mais catastróficos do que na ausência dele. Ou seja, neste caso seria ruim sem ele, pior ainda com ele sendo alguém despreparado!

E quais seriam as características básicas do profissional de gerenciamento de carreira artística?

Do ponto de vista da formação profissional, o ideal seria alguém da área de administração ou marketing. É necessário que este profissional tenha uma visão metódica, racional, que saiba trabalhar com números, projeções, metas, objetivos, investimentos. É também necessário que este profissional tenha uma visão estratégica, que entenda de tendências, que tenha uma personalidade criativa, moderna, que busque manter-se atualizado com as novas ferramentas e tecnologias do meio, que tenha algum conhecimento musical, por menor que seja.

Concordo que atualmente em nosso meio, profissionais com este perfil são bastante raros. O que não quer dizer que não podemos formar profissionais para esta função ou mesmo formatar e qualificar pessoas que atualmente de forma ainda amadora e eu diria auto-didata desempenham este tipo de trabalho. Agora, é fundamental que também os artistas mudem sua forma de pensar e principalmente conduzir os seus projetos. É primordial que os artistas permitam e busquem ajuda de profissionais para o gerenciamento de suas carreiras.

Voltando ao papo com meu amigo citado acima, elencamos uma série de artistas que em determinado momento de suas histórias cometeram erros estratégicos gritantes e que em função destas falhas suas carreiras entraram em profundo declínio ou estagnação. Na esmagadora maioria dos casos citados, os erros cometidos foram simples e os resultados tornaram-se gigantescos. Em todos estes casos, a falta de alguém para orientar e conduzir a carreira artística foram determinantes. É certo que não podemos esperar que o artista consiga reunir características em diferentes áreas tão distintas como emocionais, criativas, artísticas propriamente dito juntamente com aptidões racionais como números, planilhas, estratégias, metas e afins. Ou seja, raros são os artistas que podem conduzir pessoalmente seus próprios projetos!

É importante também ressaltar que não é papel da gravadora fazer o gerenciamento da carreira dos artistas de seu cast. Esta não é a função de uma gravadora! Pelo contrário, as empresas esperam que os artistas possuam em seu staff pessoas especialmente dedicadas a desempenhar essa função mais técnica na intermediação do dia a dia entre a gravadora e sua equipe juntamente com o artista e seu time de assessoria. Não há nada mais desgastante na relação entre gravadora e seus contratados do que ter que lidar com questões técnicas, estratégicas, objetivas diretamente com o artista. Nem sempre o artista tem a exata dimensão do que fazer, quando fazer e porque fazer determinadas ações e isso apenas atrapalha aos processos junto à gravadora. Tenho casos clássicos de artistas que ficam 10 dias sem responder a e-mails, outros simplesmente ignoram e nem respondem. Outros também não atendem telefones. Jamais são alcançados no momento necessário de um contato. Este isolamento pode até ser compreensível em se tratando de pessoas que vivem viajando, muitas vezes em lugares sem conexão telefônica ou acesso a internet, ou mesmo que possuem uma rotina de estúdios virando a noite e trabalhando nas madrugadas … tudo é compreensível, mas o que não se permite é que este artista não tenha alguém que possa resolver questões práticas do seu dia a dia.

Me parece que há uma pequena transformação acontecendo no meio artístico gospel nos últimos anos. Tem se tornado cada vez mais comum a criação de escritórios para o agenciamento de datas, o atendimento a convites e coisas do gênero. Esta mudança, deixando de lado o amadorismo de cunhados desempregados ou mesmo, maridos de cantora – quase uma profissão em nosso meio – que administram a agenda da artista, tem sido muito positiva. Já temos exemplos de escritórios estruturados administrando a agenda de diversos artistas do segmento. No entanto, gerenciar a carreira de um artista é mais do que organizar a agenda. O gerenciamento de carreira significa estabelecer metas e objetivos para que o artista em questão tenha uma carreira longeva, saudável e que mantenha-se em destaque pelo maior tempo possível.

Gerenciamento de carreira não é fazer o artista chegar ao topo, mas fazer com que ele permaneça por lá ou próximo a ele pelo maior tempo possível.

E para que alcancemos os melhores resultados é fundamental que o artista tenha a humildade e sabedoria para deixar ser conduzido, cuidado, orientado, por profissionais que entendem do assunto. Havendo essa cumplicidade, as chances do projeto se tornar um sucesso são bem maiores! Em contrapartida, também preciso alertar aos artistas para que sejam bastante seletivos em suas escolhas, afinal estarão colocando suas próprias carreiras nas mãos de terceiros e isso demanda muita responsabilidade e critério.

Vamos trabalhar!

Mauricio Soares, consultor de marketing, jornalista, publicitário, alguém que já viu grandes talentos ficando pelo caminho pelo simples fato de acreditarem ser um misto de João Gilberto, Steve Jobs, Washington Olivetto, Allan Greenspan e Madonna.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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