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José do Egito – o governador nomeado pelos hicsus

Peter von Cornelius, "Joseph deutet die Träume des Pharao", 1816-1817

Como o último texto da série GÊNESIS a respeito das descobertas científicas à cerca dos relatos bíblicos, falarei sobre um importante personagem, José do Egito, e como fora um símbolo para o povo hebreu, o mais importante até Moisés que liderou o povo no Êxodo, que segundo, os egípcios, muitos historiadores e cientistas não existiu. Mas isso é assunto para nossa segunda série – EXODUS

“No Antigo Testamento a história de José é uma das sagas mais conhecidas. Vítima da inveja de seus irmãos, José teve sua túnica rasgada, foi vendido como escravo e levado para o Egito. Injustamente foi mandado para a prisão, mas fora liberto e promovido a primeiro-ministro, após decifrar um obscuro sonho do faraó que previa fome no país por longo tempo.”

A questão da duração do cativeiro egípcio é um pouco complicada. De fato, os israelitas ficaram ali por volta de 450 anos (aproximadamente), porém, eles não foram escravos durante esse tempo todo. Ao que parece, eles viveram por um bom tempo sem sofrer qualquer tipo de trabalho forçado. Isso só seria possível se eles vivessem entre os hicsos, que também eram semitas.

Um ponto que inicialmente podemos analisar a história de José é a questão das “moedas” com os quais José foi vendido como escravo por seus irmãos. As Escrituras dizem em Gênesis 37:28 que José foi vendido por 20 moedas de prata para uma caravana de ismaelitas, que o levaram ao Egito. No entanto, naquela época, não eram exatamente “moedas”, eram pesos ou siclos, porém, segundo a evolução das moedas, geralmente se usava cobre como forma de pagamento. Seria de se esperar que a Bíblia dissesse um valor entre 30 e 50 moedas de prata, que era preço dos escravos no auge da era Babilônica, e não 20 moedas como as Sagradas Escrituras dizem. No entanto, não fora vendido por negociantes e sim por seus irmãos que queriam se livrar dele, talvez seja a explicação por ter sido mais barato, mas porque a bíblia diz moedas de prata, isso ainda é controverso.

Na arqueologia egípcia não há sinais de que no Egito houve escravos hebreus. No entanto, descobertas científicas da Estela de Merenptah, também conhecida por Estela de Israel faz uma referência do nome de Israel, referindo-se ao povo israelita, porém é a única referência do nome de Israel em documentos egípcios.

A bíblia diz em Êxodo 1:11 “E assim os israelitas construíram para o faraó as cidades-celeiros de Pitom e Ramessés”. Arqueológicamente foi provada a existência de ambas as cidades, mostrando assim possíveis evidências da escravidão do povo hebreu no Egito. Existe também um papiro datando de 40 anos após o tempo de José, que hoje está no museu da Universidade Brooklyn, com uma lista de 79 escravos que serviam na casa de um rico comerciante Egipício, tal como Potifar. Aproximadamente 45 desses nomes são da região sírio-palestina, e soam como legitimamente hebreus. Indício de que escravos de origem semita eram comuns no Egito.

Um fato que causa estranheza é que a Bíblia guarda profundo silêncio a respeito do nome dos faraós do Egito na época de José. Talvez se deva ao fato de que em tempos mais antigos, o faraó era geralmente, mas não sempre, chamado apenas de faraó, como se fosse seu nome próprio. Mais tarde, tal prática foi abolida e dentre os escribas tornou-se quase obrigatória a identificação do faraó quando se fosse escrever um documento, para que fosse guardada para a posterioridade.

Muitos estudiosos bíblicos situam a entrada de José no Egito, a sua ascensão a segundo governante do Egito ou Vizir, a entrada de Jacó e sua família, no “Período dos Hicsos”, no Segundo Período Intermediário. Diversos elementos na narrativa mosaica levam a crer que José e sua família habitaram no Egito durante a dominação dos hicsus, o termo grego hicsos deriva do egípcio Hik-khoswet, e significa “governantes de países estrangeiros”. Os hicsos foram um povo asiático que invadiu a região oriental do Delta do Nilo durante a décima segunda dinastia do Egito, iniciando o Segundo Período Intermediário da história do Antigo Egito.

Em Êxodo 1:8, lemos sobre o faraó que não conheceu José. Segundo alguns intérpretes, esse seria Ahmose I, o fundador da 18ª dinastia e que deu início a expulsão dos hicsos do Egito. Foi a partir da expulsão dos hicsos do Egito que os israelitas foram escravizados, o que daria aproximadamente 200 anos até o Êxodo, que provavelmente ocorreu em meados de 1450 a.C., contudo assumindo a posição de 200 anos do cativeiro egípcio, isso colocaria José vivendo na corte egipcia durante o governo dos hicsos sobre o Egito.  No entanto, o texto bíblico diz que José viveu e teve seu governo sob um faraó egípcio.

O egiptólogo alemão Heinrich Brugsch descobriu um texto que retrata um período de fome muito parecida com a história bíblica de José. Este texto, foi escrito por um certo Baba, que foi governador da cidade de El-kab, sul de Tebas, que viveu durante a 17ª dinastia, que segundo a cronologia do Norte, seria a 16ª dinastia. Esse período poderia ser parte do tempo em que José governou o Egito. O texto diz que “o que o governador hebreu fez pelo seu país, Baba fez pela sua cidade”, segundo as orientações de José.

Amósis I derrotou os núbios, levando a fronteira até a 3.ª catarata, voltando à mesma posição da época da 13.ª Dinastia.  Kamósis assume o trono de Aváris, capital dos hicsos e dá continuidade à guerra de expulsão dos hicsos. Ahmés, filho de Amósis e irmão de Kamósis expulsa finalmente dos hicsos, numa guerra iniciada por seu pai, conseguindo seu objetivo após 10 anos de guerra.

Assim a povo hebreu tornou-se cativo e por longo tempo… José morreu em 1802 a.C e quando o povo hebreu saiu do Egito levou consigo seus restos mortais, já que José fora símbolo do povo hebreu no Egito.

Nossa próxima série tratará do capítulo mais controverso da Biblia, o Êxodo que cientificamente e historicamente não é provado, mas é um dos mais importantes fatos ocorridos na bíblia. A Bíblia possui erros de tradução, pois tudo que nela se encontra foi escrito por mãos humanas e ao passar dos anos seu sentido pôde ter sofrido modificações, porém, são cremos ser sagradas e inspiradas por Deus.

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Ana Lopes
twitter.com/analopes9

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