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Vivendo o hoje e com olhos no amanhã

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Insights para temas das postagens surgem das mais variadas situações. Aqui mesmo no blog, o Mauricio Soares conta frequentemente de situações inusitadas que trazem ideias para temas que posteriormente são publicados.

Ontem vivi isso “pescoçando” (termo gaúcho para espiando) o Facebook. Em meio a tantas e tantas postagens do Dia das Mães vi um vídeo completamente fora do contexto que me chamou a atenção, tratava-se de uma apresentação da linha de montagem das guitarras Gibson. O vídeo muito bem produzido, obviamente ao bom som de guitarras, apresentava a linha de produção da Gibson desde a seleção das chapas de madeira que construíam o corpo e braço das guitarras, até a exposição do produto. Realmente muito bacana ter uma noção de como é o processo construtivo em série de uma guitarra.

Agora você pode estar pensando que esta postagem tem por objetivo vender guitarra. Lhe garanto que não, já vamos chegar em nosso tema.

Penso que quando Orville Gibson, um luthier da pequena cidade de Kalamazoo, localizada no estado americano de Michigan, em 1902, fundou sua empresa, ele queria fazer história, deixar seu nome marcado como empresário e empreendedor.

Agora sim! Agora você deve estar certo que essa postagem vai tratar de dicas empresariais, empreendedorismo ou mesmo de administração. Mas não, não é isso também.

Antes de chegar no tema quero falar sobre o antônimo dele, que são dois transtornos, se é que se pode chamar assim, dos quais devemos fugir em qualquer âmbito de nossas vidas, mas infelizmente, são frequentes no meio artístico, inclusive no cristão, são: a megalomania e o narcisismo. A primeira vista podem parecer a mesma coisa mas são diferentes, de acordo com Bertrand Russell, a megalomania pode ser facilmente distinguida do narcisismo “O megalomaníaco se difere do narcisista pelo fato de que pretende ser poderoso ao invés de charmoso; temido ao invés de amado”.

Agora que temos isso bem claro podemos finalmente entrar em nosso tema: Legado.

Legado é uma palavra que tem sido muito usada nesses últimos tempos, mas pouco colocada em prática.

No meio artístico manter-se distante da megalomania e do narcisismo é um desafio e tanto, requer não só consciência de que isso é uma cilada para carreira, como para a vida pessoal e espiritual do artista. Fatos recentemente nos mostraram artistas que não estavam atentos a isso e foram do topo ao fundo do poço em pouco tempo.

Em Colossenses 1:16 lemos: “que porquanto Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou dominações, sejam governos ou poderes, tudo foi criado por Ele e para Ele.” Se vivermos isso de forma verdadeira, estaremos livres do risco da megalomania e do narcisismo, pois entenderemos que temos e onde chegamos é para glória Dele, mas isso ainda não garante que vamos deixar um legado.

Para isso volto a Orville Gibson, qual seria a motivação do jovem luthier? Creio que desejos de fama e poder não eram. Quem constrói uma empresa com intenção de posicioná-la como referência mercadológica tem visão no futuro e quer sim deixar um legado. Isso não é construído de um dia para outro, requer dedicação, cuidado com a qualidade do seu produto/trabalho e principalmente, desprendimento, pois quem quer deixar um legado tem que estar ciente de que algumas vezes, não serão eles, mas seus sucessores que colherão os frutos de seu empenho.

Na música isso não é diferente. Você tem que ter ciência de que suas interpretações, composições e letras vão influenciar pessoas, posicionamentos, ações, decisões e outros tantos aspectos. Seu trabalho sairá do alcance de seus olhos, passará a ocupar o dia a dia das pessoas, entrará em seus carros, casas, igrejas, playlists e tantos outros lugares, ou seja, a responsabilidade do que fazemos hoje impacta o amanhã, isso é um legado.

Se fizermos nosso trabalho por Ele, para Ele e estivermos preocupados em fugir da megalomania e narcisismo e ainda preocupados em deixar um legado de real valor, posso garantir que teremos o trabalho mais feliz do mundo e os frutos certamente aparecerão.

Lembre-se de o músico é um influenciador, é gerador de opinião e, quer queira quer não, é uma referencia para quem acompanha seu trabalho e portanto, tem responsabilidades sobre tudo que faz.

 

Jeferson Baick, publicitário, empreendedor e que vive no constante desafio de deixar um legado de valor, ainda mais agora que será pai de gêmeos! Hoje especialmente feliz com o legado do hexacampeão gaúcho Spot Clube Internacional.