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MAIS AMOR, POR FAVOR!

Fim de tarde, dia intenso de muitas decisões, muita transpiração, alguma inspiração e muitas reuniões … pra finalizar o trabalho um último encontro com a equipe de marketing digital para avaliar ações e estratégias de alguns lançamentos a caminho para as próximas semanas. Apresentação das músicas, os perfis de cada artista, impressões sobre pontos fortes dos projetos, redes sociais, oportunidades, análises e aí no meio do brainstorming, eis que surge um comentário aparentemente fora do contexto da reunião. Um funcionário que lida diretamente com a análise de redes sociais aponta com certa surpresa o nível de críticas do público gospel em determinadas situações.

Adaptando um pouco sobre os comentários dele, seria mais ou menos assim: “O povo gospel é bem crítico né? Eles são bem raivosos! Quando não gostam de uma artista, eles tomam partido, atacam, criticam ferozmente … e como são bastante intensos nas redes sociais, eu acho que esta postura mais agressiva chama ainda mais a atenção. Eu acho que a gente sempre precisa avaliar com cuidado o que iremos postar porque a turma gospel é bem nervosa!” Estes comentários foram acompanhados por outras pessoas à mesa e não faltaram cases de beligerância gospel para serem lembrados naquele momento.

Imaginem minha cara diante daquelas afirmações que, de fato, estavam recheadas de exemplos e repletos de verdade?!?!?!? Tentei contemporizar, dizer que a web é sim, um território onde as pessoas expõem suas opiniões livremente, que não podíamos generalizar o segmento, que esta é uma parcela apenas mais intensa nas redes sociais, mas que não representam a maioria do que chamamos como público evangélico, enfim, as tentativas foram muitas, mas nem eu mesmo tinha tanta convicção de meus argumentos e aí fui obrigado a mudar de assunto, numa autêntica tática diversionista de guerrilha.

Há um termo hoje muito em voga na web que identifica pessoas raivosas, vociferantes, nervosas, beligerantes, agressivas, aqueles que não perdem uma discussão, que acreditam que precisam opinar sobre tudo e sobre todos, que sempre procuram encontrar erros, falhas, apontam o dedo nas feridas e se julgam acima do bem e do mal, acima de todos, a esta categoria nada pueril de pessoas criou-se um nome específico: HATERS. Pois estes personagens ficam à espreita de qualquer vacilo para imediatamente descerem a borduna como autênticos índios Tamoios à procura de seus inimigos. Com esta turma não há piedade! Somente o duro peso da crítica, nada além disso!

Em especial, a classe artística é alvo sistemático dos HATERS que costumam expressar suas opiniões sobre tudo, da música ao figurino, do discurso cotidiano às posições religiosas, políticas ou qualquer assunto que seja. Se está acima do peso, o HATER vem com a guilhotina e comenta: tá pesada hein, filha?!?! Se errou na maquiagem, a censura inquisidora vem com tudo e comenta: tá participando de algum filme de terror? E por aí vai, nada escapa à língua venenosa (e aos dedos nervosos) dos HATERS. Nada mesmo!

Como as coisas no meio gospel andam fora do eixo, temos sites específicos onde o ódio e a virulência são o mote principal da linha ‘editorial’. Fofocas, críticas, ataques, induções, disse-me-disse e muito julgamento leviano fazem parte do cardápio destes blogs que na minha opinião, de verdade, têm raiva mesmo é da língua portuguesa e do jornalismo profissional, ético e de qualidade pela total ausência dos padrões mínimo aceitáveis. E analisando-se os comentários postados nestes blogs, o que vemos são pessoas incrivelmente agressivas e sem senso do ridículo se expressando em dialetos muitos dos quais ininteligíveis, mas repletos de ódio.

Meses atrás, uma jovem artista postou uma foto no Lollapalooza. Bastaram alguns minutos para que a TimeLine dela fosse inundada de comentários os mais loucos, agressivos, raivosos e odiosos que se pode imaginar. A turma ‘santarrona’ atacando-a como uma herege diante da Inquisição Espanhola com doutrinas, costumes e opiniões pessoais as mais diversas e rasas possíveis. Soube de outro artista que pelo fato de sua música entrar na trilha sonora de um filme que seria exibido nos cinemas pelo Brasil, o rapaz foi execrado, apanhou de tudo quanto é lado, chegando inclusive a ter agendas canceladas em sua própria denominação. Há o caso de um líder mega reconhecido no país, que até pra dar bom dia ele grita, se exaspera e se inflama, sua postura é assustadora atacando para todos os lados como se estivesse portando uma metralhadora .50 em seu dia de fúria. Sua imagem virou sinônimo de um personagem da TV brasileira que também sai com seu porrete batendo na mesa contra tudo e contra todos. Confesso que não me lembro nos últimos anos de ver nenhuma manifestação deste pastor que não seja de um autêntico black block gospel querendo quebrar tudo e impor sua opinião a que preço for.

Há alguns anos atrás criei uma conta pessoal no Twitter e passei a utilizá-la de forma frenética como uma ferramenta de divulgação, comunicação e até relacionamento interpessoal. Com o tempo comecei a perceber que a distância entre mim e pessoas de diferentes cantos do mundo simplesmente havia desaparecido e com isso, estas mesmas pessoas tinham total acesso para expor suas opiniões, elogiar, perguntar suas dúvidas e, também para atacar, criticar, desrespeitar … enfim, aquela proximidade toda não era tão saudável assim. Por algum bom tempo abrir minha conta do Twitter era um exercício de sustos após sustos, de muito estresse e chateações. Com o tempo fui acostumando-me (como pode isso?) com estes chatos de plantão e passei a adotar uma tática que com o tempo mostrou-se extremamente acertada, ou seja, o bloqueio imediato de todo e qualquer ‘mala-sem-alça-das-redes-sociais’. Com isso acumulei alguns blocks em meu perfil e até hoje estas múmias seguem por lá, enroladas em suas faixas descansando em sarcófagos virtuais. E confesso que não me fazem falta alguma. Por conta desta experiência com o Twitter, bloqueei minhas outras redes sociais e somente recentemente é que tirei do privado o meu Instagram. Surpreendentemente neste ambiente tive pouquíssimos casos de bloqueios, mas ainda assim, aconteceram.

Tenho 47 anos de idade e 33 anos de convertido. Creio que muito mais tempo do que muitos dos 69 leitores assíduos de nosso blog. Longe de querer parecer e sentir-me um velhaco saudosista, posso garantir que lá no início de minha trajetória cristã, algumas características das pessoas que professavam a fé protestante eram justamente a idoneidade, seriedade, respeito e principalmente o AMOR. Lembro-me que no início de minha chegada na igreja, conheci pessoas que esbanjavam o amor, a caridade, os bons modos e costumes … o clima era tão ameno e cordial, que para um adolescente sem qualquer parente naquele ambiente, tudo aquilo me parecia positivo e extremamente acolhedor. Além da mensagem salvadora e libertadora da Cruz, o espírito de amor e respeito contribuíram definitivamente pela minha decisão de seguir naquela rota da qual não me desviei jamais, graças a Deus!

Jesus, nos ensina que o seu principal mandamento seria amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a ti mesmo. Não sou que afirmo isso, é o próprio Mestre! Estas palavras, este mandamento é de uma simplicidade e transparência tão grandes que nem mesmo um absoluto ser desprovido de entendimento não seria capaz de compreender sua mensagem. AME, AME, AME, independente de cor, gênero, condição social, posição, ideologia, apenas AME. Então me pergunto: onde pode haver espaço para a existência de HATERs no meio cristão? Que tipo de Bíblia esta turma está lendo, se é que lêem alguma coisa? Que líderes estas pessoas têm que não estão sendo ensinadas sobre o amor, o respeito ao próximo? O que está faltando para que esta turma deixe de se apregoar como cristãos, se na verdade não têm nada que os faça parecer com Cristo e seus ensinamentos? De verdade, acho que todos aqueles que não concordam em ser definidos como crentes chatos e odiosos, críticos e HATERs, deveriam começar a marcar posição (no amor, é claro!) apresentando uma alternativa positiva e saudável contra toda esta beligerância.

No amor,

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Para servir como trilha sonora deste texto, sugiro a canção “A lei e o amor”, do mega talentoso Seo Fernandes, disponível no link http://vevo.ly/68iMHn

  • Lucas

    Pura realidade! Eu, por exemplo, nunca entendi pq uma pessoa que não gosta do cantor X tem o trabalho de ir em todas as redes sociais do mesmo o criticar. Muitas vezes esses “haters” são figurinhas repetidas, sempre no topo das críticas destrutivas na rede social de vários artistas. Não gosta? Não ouve. Por mais que alguns artistas as vezes tenham um comportamento absurdo, cabe se questionar se vale a pena o ofender. Um tempo atrás um certo cantor que eu nunca admirei mas, estava fazendo um sucesso estrondoso, principalmente entre os jovens, no meio gospel, fez umas declarações digamos que meio longe do real objetivo do evangelho. Vc acha que eu vou me dar o trabalho de ir em cada site que publicou a fala dele me manifestar contra o mesmo? Trabalho que não tenho! O que eu falo de ruim das pessoas pode demonstrar muito mais o que eu tenho de mal do que os defeitos dela.

    • Mauricio Soares

      É por aí … o ócio e principalmente o desconhecimento da Palavra acabam criando estes personagens chatinhos e críticos

  • Mauricio Soares

    Você não conta. É uma das 69 leitoras

    • Claudia Mattos

      Kkkkkkkkkkkk… olha que conta! Bjs

  • Fábio Nunes

    Falou tudo: A essência do Verdadeiro Evangelho é o AMOR!
    Que vivamos isso em palavras e em ações!