Home Maurício Soares Médico ou Veterinário? Parece mas não é …

Médico ou Veterinário? Parece mas não é …

Nos próximos dias certamente teremos muitos textos em produção, afinal depois de muito tempo farei algo que há muitos anos não consegui realizar como em outras épocas, ou seja, voltar a trabalhar diretamente em campo junto às mídias e lojistas locais. Nos próximos 7 diasestarei numa intensa turnê viajando por Goiânia, Brasília, Fortaleza e Vitória. E por conseguinte, certamente teremos muitos insights e algum tempo disponível, mesmo que dentro de algum avião como agora.

Nos últimos dias tenho repetido uma pequena estória, na verdade, uma alegoria para ilustrar algo que me chama a atenção neste momento. Um médico e um veterinário são profissionais com muitas similaridades. Ambos têm muitas matérias comuns na faculdade. Algumas técnicas utilizadas atualmente na medicina, na verdade, foram iniciadas em animais e desenvolvidas por veterinários. Além disso, diversos medicamentos que inicialmente era direcionados ao tratamento veterinário foram adaptados ao uso humano. Ou seja, são duas profissões distintas, mas ambas seguem um conceito muito semelhante e procuram resultados iguais, o bem estar do paciente, seja ele um ser humano ou um animal.

Os dois profissionais têm seu valor e importância primordial na sociedade. No entanto, mesmo diante de tantas semelhanças e concordando que dependendo da necessidade, um veterinário pode até mesmo ser uma boa solução diante de um problema, por qual dos dois profissionais vocêpreferiria ser atendido? Imagino que a resposta esmagadora, senão absoluta,seja pela opção do médico. Isso é o natural! No entanto, neste momento parece-me que em determinadas situações e circunstâncias, certas pessoas têm optado pelo veterinário.

Um dos ditados que constantemente são repetidos em se tratando de aviões e pilotos é aquele que contrapõe experiência versus modernidade. O ditado afirma que é melhor você ter um piloto velho em um avião novo do que justamente o oposto, ou seja, um piloto jovem com um avião velho. O conceito deste ditado é de que a melhor junção é aquela que une tecnologia de ponta com experiência de anos e anos. E confesso, que com tantas e tantas horas de vôo, fico bem mais tranquilo ao embarcar quando me deparo com um comandante com seus cabelos grisalhos e uma aeronave bem moderna.

No dia a dia esta mesma junção precisa ser sempre observada, seja numa simples oficina mecânica ou numa academia de fitness ou seja lá o que for. Experiência, conhecimento da atividade, currículo, cases de sucesso, resultados, conquistas, prêmios, reconhecimento do mercado e dos profissionais, respeito, entre outros, aliados a outros requisitos como modernidade, visão, adequação às novas dinâmicas e exigências do ambiente de negócios, estrutura financeira, competitividade, valorização dos funcionários e clientes, só para citar alguns, são aspectos que devem ser analisados na escolha por este ou aquele prestador de serviços, parceiro oumesmo um contrato comercial.

Estes dois casos ilustram um pouco do que tenho falado e observado nos últimos tempos. O mercado fonográfico talvez seja uma das áreas de negócios que mais se transformou nas últimas décadas. Sem dúvida, é o mercado que mais vezes foi decretado o seu fim apocalíptico e como o Íbis da mitologia grega, sempre vem se reinventando e saindo em meio às cinzas. Em nove de cada dez textos publicados na imprensa a respeito do mercado fonográficosempre há alguma menção às dificuldades enfrentadas pela indústria nos últimos anos. Seja a pirataria, os impostos, as novas tecnologias, a concorrência de outras formas de entretenimento, tudo isto é citado como um entrave à calmaria no mercado fonográfico. E realmente todos estes aspectos causaram um verdadeiro tsunami na indústria nas últimas duas décadas, mas especialmente nos últimos anos, o próprio mercado vem crescendo, buscando novos caminhos e apontando para novas tendências.

O certo é que neste momento, em se tratando de mercado fonográfico, não dá para se arriscar e ser atendido por ‘veterinários’ ou ‘pilotos de avião adolescentes’ que sequer concluíram o segundo grau. Também não podemos optar por profissionais experientes, mas desatualizados que preferem seguir no lema de que em time que se está ganhando não se mexe. Até porque as regras do jogo já mudaram, os campos mudaram, o ambiente mudou … por mais que alguns profissionais ainda insistam em negar as mudanças do mercado, elas efetivamente já aconteceram e irão prosseguir pelos próximos anos.

Especialmente em se tratando de mercado fonográfico, os artistas precisam analisar mais friamente antes da tomada de decisões. Até porque uma decisão em médio e curto prazos podem determinar o sucesso ou fracasso retumbantes! No nosso meio temos muita gente contando estória … e quando estes ‘Monteiros Lobatos’ se encontram com alguns artistas que gostam de ouvir estórias … aí o resultado é terrível! O correto é analisar uma série de fatores e ponderar com equilíbrio se o artista prefere que sua carreira seja cuidada por um “médico” ou um “veterinário”, mesmo que este veterinário possa significar alguns benefícios que aparentemente são interessantes.

Do ponto de vista do mercado gospel estas questões são ainda mais peculiares e determinantes. Nestes últimos dias reuni-me com duas empresas que estarão iniciando atividades comerciais focadas no segmento religioso no Brasil. Ambas empresas de outros países que através de pesquisa decidiram desenvolver projetos específicos para o mercado religioso em nossa região. Ouvi atentamente sobre cada um dos projetos, impressionei-me com a quantidade de informações das pesquisas, com a visão empresarial do negócio em si e, definitivamente achei interessante todo o case. A única dúvida que eu fiz questão de ressaltar aos interlocutores era sobre quem iria desenvolver o projeto com a visão, a mentalidade, a cultura, os contatos deste nicho tão particular. Silêncio absoluto.

Finalizando, gostaria de concluir dizendo que assim como na escolha de um profissional para cuidar de nossa saúde, devemos ter critérios e atenção redobrada na decisão com quem iremos caminhar em nossa jornada profissional.  Aproveitando, quero mais uma vez incentivar aos jovens leitores deste blog para que procurem analisar oportunidades no mercado religioso brasileiro. Sem dúvida, há uma enorme demanda por jovens criativos, novos profissionais, novos players para este mercado em franco crescimento. Precisamos de empreendedores, profissionais de marketing, administradores, publicitários, jornalistas e muito mais! Semdúvida, este é um mercado que precisa de mais “médicos” e neste caso não temos como importar mão de obra de Cuba.

E para completar, gostaria de apresentar o vídeo do presidente da Sony Music em entrevista para O Globo, falando sobre experiências, mercado fonográfico e a experiência da gravadora no segmento gospel.

http://oglobo.globo.com/economia/emprego/3x4o-futuro-o-mercado-de-assinaturas-diz-presidente-da-sony-brasil-11460760

 

Mauricio Soares, publicitário, sobrevivente, consultor de marketing, highlander. 

 

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