MERCADO FONOGRÁFICO MUNDIAL E BRASILEIRO EM 2017

O IFPI (International Federation of the Phonographic Industry) divulgou dias atrás em Londres, o Global Music Report, relatório que traz importantes dados e estatísticas sobre a performance do mercado fonográfico mundial no ano passado. As receitas geradas pelos vários modelos de negócio do setor de música gravada cresceram em 2017, 8,1%, na comparação com 2016, tendo o faturamento global do setor atingido o montante de US$ 17,3 Bilhões.

No formato atual de divulgação de estatísticas do IFPI, nas receitas do mercado mundial estão incluídas as vendas físicas, qualquer tipo de receitas geradas pelo setor digital, os direitos de execução pública (de produtores fonográficos, artistas e músicos), bem como os valores advindos de sincronização de música gravada em obras audiovisuais e de publicidade. O crescimento da distribuição de conteúdo musical por streaming foi, segundo o IFPI, o fator determinante para este resultado. Com 176 Milhões de assinantes em todo o mundo (comparado a 112 Milhões em 2016), e crescentes receitas derivadas principalmente de subscrições, mas também de publicidade, o streaming gerou para o setor de música gravada em 2017 aproximadamente US$ 6,6 Bilhões, um crescimento de 41,1% em relação a 2016, se firmando como a maior fonte de receitas de todo o setor fonográfico mundial (38,4% do total de receitas).

O desempenho da distribuição de música por streaming em 2017 mais do que compensou o declínio em vendas físicas (-5,4%) e downloads (-20,5%), resultando no crescimento global de 8,1% apontado no 1º parágrafo acima. O total do mercado de música digital somou US$ 9,4 Bilhões, representando 54% do total do faturamento do setor. As receitas com execução pública de gravações musicais somaram US$ 2,4 Bilhões ou 14% do total das receitas. Vendas físicas com US$ 5,2 Bilhões e direitos de sincronização em audiovisual com US$ 346 Milhões completam o portfólio de receitas do mercado fonográfico em 2017, representando 30% e 2% do total do faturamento, respectivamente. Todas as regiões do mundo apresentaram crescimento (América do Norte +12,8%, Europa +4,3%, Ásia/Austrália/Oceania +5,4%, e América Latina +17,7,0%.

Um capítulo especial é focado na América Latina, região do mundo que mais cresceu proporcionalmente (+17,7%), da qual o Brasil é o maior mercado. Não por acaso, dois dos artistas objeto de “case study” no GMR são latinos, o portoriquenho Luis Fonsi e a cubana/americana Camila Cabello. Segundo o IFPI, os 10 maiores mercados de música gravada em 2017 no mundo foram:

1. Estados Unidos
2. Japão
3. Alemanha
4. Inglaterra (UK)
5. França
6. Coréia do Sul
7. Canadá
8. Austrália
9. Brasil
10. China

O relatório ainda chama a atenção para a questão do “Value Gap” ou “Transferência de Valor”, como as organizações autorais o denominam. Trata-se de situação de mercado pela qual as plataformas de streaming de áudio e vídeo baseadas em conteúdo gerado por terceiros (o Youtube é a maior delas) persistem em remunerar de forma totalmente insatisfatória, tanto autores como artistas e produtores fonográficos, aproveitando-se do conceito de “safe harbour” criado na legislação americana pelo Digital Millenium Copyright Act (DMCA) em 1998. Este conceito cria uma rede de proteção a estas plataformas em relação à sua responsabilidade sobre o conteúdo nelas veiculado, que lhes permite impor condições ao mercado musical infinitamente inferiores àquelas obtidas junto aos demais parceiros digitais do setor, considerando-se o número imenso de usuários e conteúdo musical veiculado em plataformas como o Youtube, por exemplo.

Há uma total falta de proporção entre o número de usuários destas plataformas, a quantidade de acessos a conteúdo musical e os pagamentos deles resultantes a todos os titulares. Daí a expressão “Value Gap”.

Comentários do Editor do blog …

Para alguns leitores do blog o texto acima possa parecer uma bula de remédio com termos bastante escpecíficos … atualizando para os dias atuais, podemos também acharmos que estamos diante de uma daquelas enfadonhas sessões do STF onde os ministros parecem falar um dialeto hermético, próprio, estranho aos ouvidos dos simples mortais. E pra tentar resumir o texto acima quero destacar algumas informações importantes.

Em primeiro lugar, o mercado da música segue crescendo, não só no Brasil como no mundo todo revertendo de vez a tendência de queda continuada de décadas atrás. Em termos de faturamento, este crescimento foi de 8,1% no cenário mundial. E este crescimento deve-se principalmente ao fato do aumento de consumo de música pelos aplicativos de áudio streaming (+41,1%). Em contrapartida, as vendas físicas seguem despencando ano a ano, além do formato de consumo através de downloads. Ou seja, não só o formato do consumo de música mudou do físico para o digital como também se alterou do formato “download” para o formato “streaming”, ou ainda, do conceito “posse” sendo revertido pelo “acesso” aos conteúdos. Vivemos uma segunda geração de consumo de música digital e infelizmente ainda convivemos com pessoas no nosso meio que insistem em se manter no mundo mesolítico dos produtos físicos.

Ainda com relação ao relatório, devemos destacar a liderança do mercado brasileiro no consumo de música em toda a América Latina. Entendendo que estamos num país de proporções continentais e onde o acesso à internet de qualidade está longe dos melhores parâmetros, esta posição de destaque é pra ser comemorada (Aplauda de pé igreja!) e mais do que isso, deve servir como motivador, afinal os números são extraordinários já no dia de hoje e ainda há tanto a crescer! Para o alto e avante!

Por fim , vale destacar o comentário do relatório, especialmente sobre o You Tube que segue com altíssimo consumo e microscópico faturamento com consequente repasse a artistas, gravadoras e compositores. E ainda tem artista que acredita que a estratégia de valorizar o vídeo streaming em detrimento ao áudio streaming é uma posição inteligente! Acorda aí …

Por hoje é isso!

Mauricio Soares, publicitário, observador, consultor, jornalista e alguém que não está a fim de perder tempo com quem não quer aprender.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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