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Na Medida Certa

Não! Definitivamente este não será um texto comentando a respeito do quadro do Fantástico onde os gordinhos se esfalfam e transpiram para perder alguns (muitos) quilos. Até porque eu mesmo também não estou tão leve como deveria, então é melhor não seguir com este assunto que não me favorece em nada. Particularmente gosto deste quadro e torço pela conquista (e perda dos quilos) de cada competidor, mas não será sobre isso que iremos falar neste post. A ideia é comentar em curtos tópicos alguns detalhes que devem ser observados em termos de tamanho e tempo. Vamos seguir adiante, sem perder tempo e seguindo justamente com o conceito que queremos aplicar: a medida certa!

 

Terror de 10 entre 10 designers! Dor de cabeça para os profissionais de A&R. Desafio para os artistas. Estes são apenas algunsadjetivos que podemos elencar quando se trata do texto de agradecimentos noencarte de um CD. Ao longo de centenas de projetos lançados, tive inúmeros problemas com artistas na hora de fechamento do projeto gráfico justamente por causa dos ‘testamentos’ escritos para os agradecimentos. Tem artista que confunde, um simples texto de agradecimento com a realização de uma biografia, um diário de gravação ou algo do tipo. O dito cujo resolve elencar todas aspessoas que ‘participaram’ do projeto do CD, começando pelos pais, irmãos, cunhados, primas, primos, tios, avós, compositores, produtor, in memorian, pastores, comunidade, igreja, músicos, padeiro, leiteiro, barbeiro, bombeiro, dentista, esposa, filhos, concunhados, tio-avô e por aí vai. Geralmente são citados momentos de ‘lágrimas’ onde foi difícil, mas com o apoio da irmã (que chorou junto), as vitórias chegaram! Não entendo essa história de tantas lutas e lágrimas?!?!? Sempre tem tanto sofrimento pra se gravar um CD? Não dá para se gravar um projeto sem stress, suor, lágrimas?

 

Em boa parte dos agradecimentos encontramos as citações aos amigos mais chegados, gente também conhecida como a inseparável Fê, o Lui, o Mô, a Keka, a Paty, o TchuTchu e mais um monte de nomes monossilábicos, onomatopeicos e apelidos estranhos! Soma-se a tudo isso, ummonte de mensagens cifradas que somente 2 ou 3 pessoas entenderão. Não é mais fácil pegar o telefone e falar pessoalmente estes agradecimentos? Ou então,mandar um e-mail, torpedo, post no Facebook, SMS, DM, carro de som ou qualquer outro meio de comunicação?

 

Depois da primeira parte mais séria e espiritual – Sim! todos os agradecimentos devem começar pelas questões mais espirituais. Partimos para a  parte mais descontraída. Aí surgem as piadinhas, as brincadeirinhas e o risos (estes devidamente caracterizados pelos KKKK ou ‘risos’). Há também o espaço para os jabás, ou melhor, os patrocinadores, apoiadores e tudo mais. É a hora em que ficamos sabendo que o penteado foi feito no salão da Jacyra Coiffeur, que os vestidos esvoaçantes foram da Butique da Jô, que o sorriso é obra da clínica OdontoRocha – aquela que cuida do seu sorriso!  … e por aí vai. É uma lista infindável de empresas que são citadas a fim de retribuir todo o apoio dado até então. E que venham mais!

 

Há determinados ‘agradecimentos’ que precisam ser devidamente editados, pois nem mesmo em duas páginas de encarte conseguem se encaixar. Tive um caso clássico em que o agradecimento era tão grande que odesigner foi obrigado a diminuir tanto o corpo da letra que a leitura praticamente só era viável com a ajuda de uma potente lupa. Em outros casos, convidamos o Edward Mãos de Tesoura para recortar com toda a sua perícia o texto adequando-o ao espaço. Definitivamente o artista precisa ter bom senso na hora de escrever os seus agradecimentos! Opte por usar uma estratégia mais ampla do tipo: Agradeço a Deus, minha família, amigos, músicos e a todos que oram e torcem pelo meu ministério. Precisa de mais alguma coisa? Acho que não. E pra terminar este item, não há lei ou regra que determine ser obrigatória a inserção de agradecimentos no encarte do disco. Isso é importante que fiqueregistrado.

 

Outro aspecto que precisa entrar na Medida Certa é a quantidade de músicas que compõem o repertório de um disco. Confesso que ultimamente isto tem melhorado muito. Até mesmo pelo recente sucesso de lançamentos em EP e pelo crescimento do mercado digital. Há não muito tempoatrás criou-se uma convenção no mercado de que os discos deveriam ter 14 faixas, pois menos do que isso, seria como oferecer ao público algo de menor valor agregado. Já ouvi gente fazendo cálculo do número de faixas pelo preço do CD … algo como 16,90, o preço do produto, dividido pelo número de faixas (14) que dão R$ 1,21 por cada música. Só falta colocar o CD numa balança e avaliar o peso do produto para ver se está pagando um preço justo. Absurdo! Mas aí mepergunto: se em 10 músicas o artista não me convence de que o produto dele tem qualidade, será que com 14 ele conseguirá tal proeza? Já tive o prazer de ouvir discos com 8 canções apenas e um repertório simplesmente coeso e fantástico. Assim como também já ouvi discos de 18 músicas que ao fim me causaram um tremendo arrependimento por ter dedicado parte do meu dia na expectativa deouvir algo interessante e no fim, só me restar a frustração!  No meu modesto conceito, um disco não deve ultrapassar 50 minutos de duração, lembrando ainda que o tempo máximo de uma mídia CD é de 73 minutos (e ainda tem gente que consegue extrapolar esse tempo, incrível!). Hoje em dia ter a atenção do consumidor por mais de 30 minutos é uma epopeia e tanto! Segurá-lo por mais de 1 hora então é algo surreal.

 

Ainda a respeito de música, não posso deixar de destacar que o tempo ideal de duração de uma música varia de 3’30 a 4 minutos. Principalmente se esta canção é aquela que será apresentada para as rádios. Há alguns atrás surgiu o movimento da adoração extravagante, também conhecida como ‘mantra gospel’ com suas músicas de 12, 16, 20 minutos … isso hoje em dia é absolutamente fora de questão! Assim como no conceito da quantidade de músicas no repertório de um disco, uma música que não consegue conquistar o ouvinte em 2 a 3 minutos de execução, dificilmente irá reverter esta situação acrescentando mais 1 ou 2 minutos de tempo. Exceto em músicas que contam uma história e que na verdade são apenas experimentos e propostas diferenciadas, não há motivo para uma música ultrapassar 4 minutos de duração.  Uma canção muito extensa, geralmente nas rádios ela é editada pelo estagiário de produção, ou seja, há um grande risco de sua música ficar como aquela canção do Djavan: “… fica faltando um pedaço …”

 

E o que dizer dos encartes gráficos dos CDs?  Alguém pode me explicar para que serve uma cinta de papel cartonado em volta da embalagem do CD? Alguém em sã consciência mantém essa bendita cinta após abrir a embalagem do CD? Na minha modesta opinião, isso é apenas custo extra e desnecessário, nada além disso. E encartes com 87 dobraduras, aplicação de verniz UV, hotstamping, corte especial, alto-relevo e outras invenções tresloucadas? E alguém me explica porque se usar 5 cores + 1 cor especial no rótulo do CD se justamente ele fica escondido dentro do CD Player a maior parte do tempo? O artista precisa se preocupar essencialmente com a arte da capa e contra capa do CD. Estes são os 2 principais diferenciais e destaques do produto no processo de venda e divulgação. Já a parte interna, o consumidor só terá acesso a partir da compra do produto em si. Ou seja, um encarte com 87 dobraduras não fará diferença alguma na decisão de compra do consumidor. Tenhamos uma consciência ecológica! Vamos poupar papel pessoal!

 

Ainda com relação ao encarte, como incluir em 10 ou 12 páginas as 1.326 fotos que o artista tirou nas 56 locações com 34 figurinosdiferentes?  É simplesmente impossível! Em alguns casos a impressão que tenho ao me deparar com um encarte de CD é que estou diante de um catálogo de coleção Outono-Inverno de confecção. Não sei se a cantora, no fundo no fundo, sonhava mesmo era ser uma Gisele Bündchen e acabou tendo que se contentar em ser apenas uma artista. Se você quer um book de fotos, que tal contratar um fotógrafo e posar para ele por dois dias inteiros? Depois você mostra aos amigos, parentes e até mesmo o pessoal quecurte o seu trabalho. Quem sabe não pinta um convite para alguns trabalhinhos publicitários?

 

No momento é isso! Consegui finalizar 2 textos neste meu retorno ao Rio. Excelente performance para quem estava meio enferrujadoultimamente no exercício de escrita. Felizmente retorno à minha cidade e tudo indica que terei mais 2 ou 3 viagens somente até minhas merecidas férias. Isso é revigorante!

 

Um grande abraço a todos!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário e só. Despedida na medida certa!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

One Comment

  • Nicoli Francini

    22/07/2014 at 17:55

    Tudo isso é muito importante saber no começo agente comete esses erros vc citando assim um por um ficou até engraçado porque me fez lembrar, Eu tenho aprendido por aqui e acho que seria muito legal se vc disponibilizasse um texto falando do comportamento do artista na redes sociais o que se deve postar, se devemos misturar assuntos e fotos relacionados a família enfim!

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