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Novas prioridades para um novo tempo

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Quando adolescente recordo-me que nada era mais importante para mim do que praticar esporte, neste caso, o handebol. Treinava de segunda a sábado, no mínimo 3 horas por dia, algumas vezes complementando os treinos com sessões de natação e corrida. A imensa maioria não sabe deste meu lado desportista, mas em termos estudantis e amador, conquistei muitos e muitos títulos, alguns de forma consecutiva após anos. Neste período, é claro, também dedicava-me aos estudos, à música na igreja e ao namoro com a mulher que hoje é minha esposa e com quem tenho 3 meninos lindos (graças à mãe, registre-se!). No entanto, a minha prioridade máxima naqueles tempos era justamente o handebol. Nada superava em importância aquele esporte.

Hoje meu primogênito segue os passos do pai e de igual forma vive intensamente a prática de esportes, só que neste caso, apesar de sua habilidade no volei e handebol, a preferência dele é pelo esporte bretão, independente do piso, seja no campo, sintético ou mesmo na quadra. O rapazinho, hoje com 16 anos pode disputar 3 campeonatos simultâneos, jogar uma partida pela manhã e estar devidamente apto e bem disposto a jogar outra pelada à tarde. A prioridade dele (e é bom que aproveite esta fase da vida!) é pelo futebol e por esta, não mede esforços e contusões. Já o meu segundo filho, resolveu seguir a tradição herdada pelo pai e tornou-se campeão municipal de handebol neste último ano. Meu craque!

Já na vida adulta, surgem outras prioridades. Lembro-me que num determinado momento de minha vida, recém casado, quis ter a experiência de morar um tempo em São Paulo. Como bom fluminense (nascidos no Estado do Rio são chamados de fluminenses. Não confunda com cariocas, que são aqueles nascidos na cidade do Rio) sempre ouvi dizer que o melhor lugar do mundo era justamente o Rio de Janeiro e que São Paulo seria um lugar apenas para trabalhar, ganhar dinheiro. De forma muito própria, sempre tive grande carinho pela cidade de São Paulo, onde praticamente marcava presença ao menos 1 a 2 vezes por mês, mas mudar de cidade era algo muito radical. Pois bem, coloquei esta questão como prioridade em minha vida, orei muito, fiz um trato com Deus (tenho muitas experiências fantásticas nesta relação de ’melhor decisão’ com participação dEle no comando, um dia falarei mais sobre isto!), conversei com minha esposa e poucos meses depois estava mudando de ares, primeiro um período de adaptação em Atibaia e poucos meses depois, já estava desembarcando na grande capital paulista onde permaneci por quase 4 anos.

Especialmente minha vida profissional foi (e está sendo) movida por planejamento e prioridades. É interessante, depois de mais de 25 anos de estrada, observar que minha trajetória foi sendo delineada de uma forma bem constante e crescente. Vejo como experiências que tive lá no início serviram para que eu pudesse ter melhor performance e desempenho muitos anos depois. Entre minhas prioridades como profissional, sempre esteve o crescimento, aprendizado e uma visão panorâmica das diferentes atividades. Trabalhei como diretor de programa de TV, como gerente comercial, apresentador de programa de rádio, roteirista, marqueteiro, jornalista, embalador de caixas (isso é fato! Em tempos de muitas vendas e pouco prazo de entrega, cansei de ir ao estoque separar pedidos), palestrante, consultor, organizador de eventos … enfim, um monte de coisas!

Dias atrás conversando com um querido pastor e amigo ele me perguntou sobre como eu me via daqui 10 anos. A pergunta pegou-me de surpresa, mas com a certeza de que a ideia já está bem consolidada em minha mente, respondi que me via exatamente onde me encontro atualmente, à frente do projeto de música cristã na companhia em que trabalho desde 2010 (minha maior passagem de tempo num único emprego), talvez ampliando um pouco mais minha atuação, não restringindo-me ao Brasil somente. Esta é minha meta, meu objetivo, minha prioridade. Talvez uma entre outras prioridades, mas neste momento é a que me vem à lembrança de forma mais contundente.

E como estamos na fase das grandes decisões de fim de ano em que costumamos listar algumas metas para o próximo período. Resolvi aproveitar esta oportunidade para listar algumas prioridades para quem pretende seguir ou que se encontra em meio a uma carreira artística.

A prioridade número 1 para um artista em 2017 deve ser definitivamente se inserir no contexto do mundo digital. Se você não está entre os experts das ferramentas, tecnologias e atitudes no mundo digital, então, até por uma questão de sobrevivência, é fundamental que no próximo ano esta inércia seja rompida de vez! E aí vale apelar pra tudo quanto é lado … vale fazer curso, participar de treinamentos, fazer pesquisa na internet, ler muito, ouvir muito, procurar ajuda do primo, vizinho, amigo e principalmente buscar a ajuda de profissionais do meio. Sempre digo que o artista não precisa ser o Steve Jobs, mas um mínimo deste universo digital precisa entender e, mais do que isso, precisa contar com a ajuda de profissionais para esta área. E aí, vale a pena pesquisar pelos melhores profissionais e empresas na área de marketing digital. Lembrando que qualidade não está diretamente ligada a baixos investimentos. Pelo contrário! Para se ter ajuda dos melhores profissionais é preciso entender que precisa investir à altura. E, neste quesito nunca é demais lembrar que estamos falando de carreira, de sobrevivência, de posicionamento, questões cruciais como são importantes manter-se em dia o freio, pneus, faróis e outros itens de segurança em automóvel. São questões inegociáveis!

Ainda com relação ao mundo digital, priorize aumentar o número de seguidores nos canais de streaming, seja áudio ou vídeo. Não se iluda com números estrondosos em suas redes sociais. Prefira ter seguidores nas suas playlists, nos canais de vídeo, nos seus perfis do Spotify e Deezer, por exemplo. Efetivamente de nada adianta ter milhões de seguidores no Facebook e não manter uma quantidade relevante de streamings semanais nas plataformas de audio streaming. Priorize aumentar o número de seguidores e em seguida, que estes seguidores acessem maciçamente seus conteúdos digitais. Para isto, é fundamental que você entenda a dinâmica destes canais, mantendo-os constantemente atualizados e atraentes para seu público. Em um texto recentemente publicado por aqui, abordei muito sobre a importância do artista primeiro entender e utilizar as plataformas streamings para somente depois começar a divulgar e incentivar seu público a consumir seu conteúdo.

Outra importante prioridade para 2017 para aqueles que ainda não entenderam a importância do vídeo na propagação e popularização de seus conteúdos, marca, imagem. Coloque como meta para o próximo ano produzir o máximo de conteúdo em vídeo, seja clipes, live session ou mesmo covers, o que importa é você estar à frente da câmera mandando o seu recado! Tão importante como buscar o melhor estúdio, os melhores músicos, o arranjo adequado, deve ser a produção de conteúdo em vídeo. Na verdade, vejo que além da mixagem e masterização de uma faixa ou disco, a produção de conteúdo em vídeo assume igual importância das outras etapas. Não se deve lançar música sem o correspondente visual. Não se lança um álbum, sem ao menos ter 3 vídeos preparados para se disponibilizar em sequência. Simples assim!

Outra prioridade para 2017 é estar aberto a novas experiências. No meio musical, a máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”, definitivamente não se aplica! Nas 2 últimas semanas, em conversas com artistas, coincidentemente 3 cantoras me disseram que para o novo projeto estão pensando em mudar seu estilo musical, caminhando num sentido oposto de até então. Todas as 3 artistas também comentaram sobre a busca por novos compositores e principalmente, produtores. Isso é fantástico! Sempre busquei dar liberdade aos artistas com quem trabalho e incentivei-os na busca pelo novo e muitas vezes ouvia deles a ladainha de que estava bom daquele jeito, então ‘mudar pra que?’. Só que o público está cada vez mais à procura de novidades, novas sonoridades, novas letras, novos temas e novas performances! Não dá para repetir fórmulas! Especialmente no nosso meio gospel tupiniquim temos uma cultura de repetir os cases de sucesso. Se um determinado compositor ‘estourou’ um hit … todo mundo pede música a ele até secar por completo a fonte no melhor estilo Serra Pelada. Se um diretor de vídeo faz um clipe criativo, corre todo mundo pra ele e o dito cujo acaba se achando o próprio Quentin Tarantino. O mesmo ocorre para os produtores, fotógrafos, assessorias de marketing e imprensa e por aí vai.

Ainda sobre o tema acima, posso citar mais um assunto relacionado, que vem a ser a mudança no conceito de relação entre o artista e o formato de seu trabalho. Em outras palavras, já não há mais necessidade de se trabalhar apenas com o formato CD ou DVD. Hoje a tendência é que tenhamos muito mais singles e EPs, Live Session e projetos especiais. Então, entre as prioridades de 2017, incluiria a opção de experimentar novos formatos de exposição de sua arte, de seu conteúdo! Se até bem pouco tempo atrás a tendência dos DVDs era ostentar ao máximo com palcos gigantescos, efeitos mirabolantes e milhares e milhares de pessoas à frente do palco se espremendo, suadas, com celulares em punho e nem sempre no melhor padrão de beleza, acredito que este tipo de projeto caminhará para algo bem mais simples, intimista e que apresente o artista de uma forma mais crua, sem necessariamente descambar para as produções pífias, pelo contrário! imagino tudo mais chique, onde o menos é mais! O mesmo posso dizer com relação às produções musicais, para os próximos tempos, imagino mais acústicos, menos orquestrações, mais bases eletrônicas. Esta experimentação que proponho inclui a forma do artista apresentar seu conteúdo ao público diminuindo a quantidade de músicas e especialmente, a periodicidade de novos conteúdos. Exemplificando: se antigamente era padrão o artista lançar um disco de 14 faixas a cada 1 ano e meio a 2 anos, agora a tendência é pelo número reduzido de faixas, entre 3 a 5 por projeto e num período a cada 6 ou 10 meses.

Vou parando por aqui, já em procedimento de descida após um dia em São Paulo em que tive muitas reuniões e a oportunidade de assistir ao primeiro show da turnê “Diálogo Número 1” do super talentoso Estêvão Queiroga. Quem ainda não teve acesso a este projeto, sugiro que faça de imediato! É um disco pra se ouvir repetidas vezes e surpreender-se igualmente, a cada audição.

Este texto é dedicado a todos que se emocionaram com a tragédia de Chapecó e que se solidarizaram com a dor da família, moradores, torcedores, amigos, profissionais.

Mauricio Soares

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