SHOPPING CART

Boas notícias e números do mercado da música

Por questões técnicas o blog permaneceu fora do ar por alguns longos dias. Como não tivemos manifestações nas ruas, campanhas nas redes sociais ou mesmo algum pronunciamento oficial do Planalto, estas não-atitudes me fazem perceber que este período inativo não fez falta a ninguém, nem mesmo aos meus tradicionais 66 leitores do blog, que imagino ainda estejam firmes na trincheira desta luta hercúlea de trazer conteúdo diferenciado às mentes do mundinho gospel ou não. Problema solucionado, agora é hora de voltar à carga trazendo muito conteúdo inédito, relevante e quem sabe, que possa contribuir para um melhor entendimento do universo artístico e fonográfico tupiniquim e global.

E vamos atualizar os nossos leitores com informações extremamente importantes e recentes do mercado mundial da música. A IFPI, entidade que reúne as principais empresas do meio fonográfico e detém as informações oficiais do segmento liberou dias atrás o relatório anual com dados do mercado, performance, tendências e tudo mais. É um calhamaço com mais de 150 páginas que dão um approach bastante aprofundado sobre como andam as coisas no meio musical em todo o mundo. Vou destacar algumas informações entre as que achei mais importantes neste momento para compartilhar aqui com vocês.

O mercado mundial da música voltou a crescer depois de décadas de declínio. O ano de 2015 registrou crescimento de 3,2% em todo o mundo, algo que contradiz por completo a tendência de anos anteriores e principalmente o pessimismo do mercado e a visão da imprensa e do senso comum de que a indústria fonográfica era um segmento moribundo à beira do abismo. Ufa! Finalmente depois de anos e anos amargando declínio nos números, finalmente a curva virou no sentido oposto e já projetamos crescimento maduro e contínuo para os próximos anos. No Brasil, o crescimento do mercado foi 10,65%, ou seja, pouco mais de 3 vezes ao registrado mundialmente. Ressalte-se que chegamos a este incrível resultado mesmo tendo que lidar com uma das crises mais agudas do país nos últimos 20 anos, ou seja, se a presidANTA Dilma e a quadrilha do PT não estivessem ‘ajudando’ tanto a fazer com que nossa economia retrocedesse 20 a 30 anos, muito certamente este percentual de crescimento seria ainda bem maior.

Mercados da Europa e EUA são reconhecidos como mais maduros, do ponto de vista do consumo de música. Então para estas regiões a expectativa de crescimento será sempre mais conservadora e é exatamente isto o que temos observado nos últimos anos. Já a América Latina, alguns países da Ásia e principalmente o Brasil, ainda temos um mercado em franca evolução, com enorme potencial de consumo e questões estruturais como a qualidade da banda larga e questões econômicas a resolver, portanto ainda poderemos ter por muitos anos crescimento acima de dois dígitos para o mercado da música.

O consumo de música pelo formato digital cresceu em todo o mundo em 10,2%, seguindo tendência de crescimento e expansão para os próximos anos. Só pra efeito de exemplificação, há no mundo mais de 200 plataformas de streaming atuando neste momento em diferentes países e regiões. No Brasil, ainda temos poucas plataformas deste serviço, sendo que destacam-se apenas 3, a saber: Spotify, Deezer e AppleMusic. Os canais de vídeo como YouTube e Vevo seguem crescendo em relevância e tornando-se importante fonte de consumo da música. Apesar de que no caso do YouTube, há uma menor concentração do interesse sobre música por parte do público, muito em função de que a plataforma vem sendo utilizada para muitos outros objetivos como tutoriais, humor, culinária e tudo mais. Se antes, a música correspondia a 70% das buscas do YouTube, hoje chega perto de 30%. Em contrapartida, a plataforma VEVO, exclusiva para conteúdo musical, vem crescendo substancialmente em relevância nos últimos anos e deve chegar em mais alguns anos à hegemonia na utilização dos usuários que buscam por música na web. No Brasil, o mercado digital cresceu incríveis 45%, muito acima da média mundial, o que somente comprova a mudança de hábito dos consumidores de música no país. Atualmente o mercado de música no Brasil conta com 62% de vendas digitais contra 38% de vendas físicas, que caíram neste último ano em torno de 18% sobre as vendas do ano anterior, seguindo uma tendência mundial de retração.

Especificamente na área gospel, acredito que ainda teremos um delay na mudança dos hábitos de consumo retardando um pouco mais a hegemonia das vendas digitais sobre as físicas, ou mantendo um percentual maior para as vendas físicas do que o observado no meio secular. Tradicionalmente o meio gospel reage de forma mais lenta a algumas mudanças, o que de fato não foi o que ocorreu quando da mudança do formato LP pra CD, que aconteceu em pouco mais de 1 ano, tornando peça de museu vitrolas, 3 em 1 e equipamentos afins. No entanto, neste momento, acho que a venda de discos seguirá relativamente presente no meio por mais alguns anos.

Na semana passada realizamos 2 treinamentos sobre oportunidades do meio digital, plataformas e, em especial audio streaming, voltados aos artistas de nosso cast e seus respectivos assessores. Foi excelente! Uma iniciativa super louvável e que teve adesão maciça dos artistas. Entre tantas dicas e informações ficou muito claro pra mim que o artista não precisa ser o maior expert de plataformas e marketing digital, no entanto, é fundamental que este entenda o mínimo possível deste ambiente. E entendendo que o artista não tenha talvez uma aptidão natural para esta área é indispensável que ele compreenda a importância de se ter uma assessoria que maneje e administre com foco e seriedade suas redes e ações no mundo digital.  E aí quando falamos de assessoria de marketing digital, estamos falando de um profissional com perfil analítico, que saiba colher e interpretar informações, que saiba desenvolver ações e estratégias após ter acesso às informações, ou seja, muito diferente do que aquele jovenzinho com espinha no rosto, recém entrando na puberdade e que é ‘expert’ em fazer flyers com versículos e frases de efeito. Marketing digital é muito mais do que isso! Mas isso é tema pra outro post.

Até a próxima!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, entusiasta das novas oportunidades, novas tecnologias e alguém que não tem receio em dividir conhecimento

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

Deixe uma resposta