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O campeonato já começou … quem vai levar o prêmio?

O campeonato brasileiro de futebol, chamado carinhosamente de Brasileirão começa sempre com vários postulantes ao título nacional. De acordo com os entendidos do assunto, ele é considerado o campeonato mais disputado do planeta na modalidade, onde sempre 5 a 10 clubes têm reais chances de almejar o tão sonhado título. E as primeiras semanas de disputa trazem uma expectativa toda especial aos torcedores dos clubes que se animam pela liderança ou a proximidade para as zonas de classificação para a Libertadores ou em menor entusiasmo, da Sulamericana, torneio de menor relevância no continente e que serve como um prêmio de consolação para o times intermediários. No início do campeonato, nem mesmo a presença na fatídica zona de rebaixamento, o chamado Z4, chega a assustar os torcedores mais desesperados. Por mais que eu curta muito assistir e comentar a respeito de esportes, e em especial de futebol, este não será um post tratando do assunto especificamente. Vamos apenas utilizar deste cenário descrito acima para fazer uma comparação com um quadro que já começa a ser percebido no mercado da música, em especial, no segmento da música gospel tupiniquim.

Mas voltando ao nosso foco futebolístico, todo início de campeonato se apresenta de igual forma … muitos postulantes ao título, alguns ‘cavalos paraguaios’ (pra quem não está habituado ao termo, significa aqueles times que começam jogando bem, pontuando na tabela mas que ao longo da competição perdem força e saem da disputa pelo grande prêmio), mas no fim do campeonato, apenas uns 2 a 3 times seguem firmes com chances de almejar o grande título. Em alguns anos, como no último título do Corinthians, a distância dos competidores manteve-se tão grande que sequer criou um clima de disputa entre os times. Ou seja, entre 20 candidatos iniciais, ao fim de alguns meses, o campeonato acaba limitado em 2 a 3 times somente e em muitas das vezes, os mesmos clubes de sempre, os grandes clubes tradicionais do país, com uma raríssima exceção de tempos em tempos.

Agora falando de música e usando este exemplo acima como base de nosso texto, estive observando mais atentamente a alguns nomes do segmento da música gospel nacional. Periodicamente analiso listas, pesquisas, charts, informações e estatísticas de desempenho dos artistas e seus respectivos conteúdos nas plataformas digitais. É incrível como hoje em dia as informações estão todas ao alcance das mãos daqueles profissionais que contam com as melhores ferramentas e acessos aos sistemas. E, neste caso, me orgulho de ter o máximo de informações à disposição para fazer as análises e de posse disso, desenvolver as melhores estratégias e ações para nossos projetos e artistas. Repito, hoje em dia, não há mais espaço apenas para o profissional intuitivo, mais do que nunca todos nós precisamos ter acesso a informações, números, relatórios, estatísticas e tendências. Se há uma área que deve crescer absurdamente no mercado é justamente o setor de Business Inteligence – fica a dica para jovens estudantes que estão buscando um caminho profissional a seguir – e, graças Deus, temos trabalhado demais com estes profissionais e os dados que nos fornecem. E, entre estas análises cotidianas, uma questão vem me chamando a atenção: o crescimento e descolamento de alguns artistas em termos de relevância e resultados digitais.

Vamos lá …

O que eu quero dizer com a afirmação acima é de que há tempos atrás, tínhamos um grupo bastante homogêneo de artistas do segmento gospel em termos de números de streams, seguidores ou ouvintes mensais, este último, em se tratando especificamente do Spotify. Havia até então um grande grupo de artistas com uma performance de consumo mais ou menos equilibrado. A distância entre um ou outro artista era, no máximo, da casa de dezenas de milhares. Até então não tínhamos um único expoente de consumo de música digital no meio gospel brasileiro, caminhávamos como um bloco coeso. Artistas de anos e anos de carreira estavam lado a lado de jovens promessas. Alguns destes artistas já surgiram dentro do ambiente digital e revelavam ali uma tendência de alargamento do Line Up artístico gospel, ou seja, não mais estávamos reduzidos a um plantel de 10 a 15 artistas do panteão máximo da música cristã nacional, este grupo tornava-se mais democrático em diferentes matizes, incluindo aí estilos musicais, propostas artísticas e os próprios intérpretes. O que, na minha mais modesta opinião, significou algo absolutamente positivo, uma lufada de ar fresco em nosso meio musical.

Só que esta tendência de crescimento em bloco no meio gospel BR começa a mostrar sinais de desgaste neste momento. Analisando atentamente alguns artistas e suas respectivas performances, é perceptível o descolamento de alguns nomes do grupo padrão do segmento. Em poucas palavras, há neste momento o início de um movimento de crescimento individual entre alguns nomes do meio. Há algum tempo atrás, por exemplo, Priscilla Alcântara já demonstrava esta tendência e a jovem cantora acumula recordes até agora não superados, como por exemplo, ser a primeira artista do segmento a alcançar o Top150 do Chart de Streams Pró-Música, ranking que reúne todas as faixas/artistas em stream consumido no Brasil a cada semana, ou ainda tornando-se a primeira (e única) artista a figurar no Top100 do Spotify e Deezer, as duas maiores plataformas digitais de consumo de música no país. Até então, Priscilla era um ‘ponto fora da curva’, um fenômeno, alguém especial no mundo digital. E eu confesso, que mesmo sendo o gestor deste projeto e ter o maior orgulho de ter alcançado todos estes resultados incríveis, não me anima ter apenas uma artista do segmento nesta categoria de resultados. Podemos e devemos ter mais! Pelo tamanho de nosso mercado e pela qualidade de nossos conteúdos, deveríamos ter melhores resultados.

É notório que neste momento observamos alguns artistas com crescimentos exponenciais. Seguindo ainda com os exemplos (pra quem me conhece, sabe que gosto de trabalhar com números e resultados, nada de muita conversa, nada de muitas estórias …) reais, quero ater-me aos números do Kemuel, grupo vocal que vem crescendo absurdamente nos últimos 2 anos, em especial. O crescimento no número de streams do grupo chegou a incríveis 421% em comparação ao último ano (Jan-Jul/2017), ou seja, neste ritmo, o Kemuel tem todas as chances de entrar no Top10 dos artistas mais relevantes do segmento gospel no Brasil em mais alguns meses! E a que se deve este resultado incrível? Vou responder de forma muito sucinta: foco, trabalho, persistência, continuidade, planejamento, estratégia, coordenação e claro, talento!

Mas, retornando ao assunto central de nosso post …

Neste descolamento de alguns artistas do bloco que representa a música gospel nacional, outro dado que fica evidente neste momento é que alguns nomes do primeiro time da música gospel de tempos atrás estão ficando pelo caminho … isto é notório! Notório e assustador. Notório e alarmante! E a que se deve este ‘ficar pelo caminho’? irei responder da mesma forma que respondi a respeito do crescimento do Kemuel, também de forma direta: falta de foco, preguiça, leniência, desconhecimento, ignorância, falta de planejamento, estratégia, acomodação, inércia e, neste caso, nem mesmo o talento está sendo suficiente pra fazer as coisas andarem …. e à medida que este distanciamento começar a ficar maior, assim como no Campeonato Brasileiro os postulantes passam a se contentar com outros objetivos que não mais o título nacional, os artistas que veem seus números minguarem e sua relevância no cenário ir diminuindo pouco a pouco, imagino que estes passarão a ter novos objetivos … algo como manter a agenda de apresentações aquecida, mesmo que para isso deixe de focar em grandes eventos e passar a fazer shows de menor porte ou, ainda, buscar novos projetos como uma mudança de carreira ou mesmo desenvolver um projeto pastoral local ou algo do tipo. A realidade é que vivemos um momento de intensidade e muitas novidades, muitas mudanças e, infelizmente há uma quantidade enorme de profissionais que estão deixando de se adaptar às novas demandas e isso, incluo particularmente os artistas do meio gospel BR.

Muitas das vezes sou questionado por pessoas a respeito desse ou daquele artista, especialmente quando se trata de alguém que viveu o apogeu da carreira e que por motivos diversos, viu esta mesma carreira entrar em declínio tempos depois. Antes eu dizia que com uma boa estratégia, um bom investimento, um bom disco, e principalmente mudança de posturas, as chances de um artista top que caiu ‘ladeira abaixo’ pudesse voltar ao Olimpo, seria algo factível, acessível. Hoje já tenho algumas dúvidas … acho que todas estas estratégias de reposicionamento até funcionariam nos dias atuais, mas o trabalho de recolocação demandará muitos mais esforços e recursos financeiros, simplesmente porque o cenário é de profunda ebulição, a concorrência é bem maior, os canais de divulgação não são mais restritos (como as rádios no passado), o público está muito mais volúvel e avidamente buscando por novos artistas, novos hits, novas propostas musicais, o ambiente do consumo da música está completamente alterado e isto nos obriga a mudar as ações e estratégias. E aí vem aquela pergunta, ou melhor, as perguntas que não querem calar: até onde o artista está disposto a se reinventar? até onde o artista está disposto a trabalhar? a investir? a se reprogramar? a humildemente entender que já não sabe mais tanto das coisas como antes? A forma de responder estes simples questionamentos pode fazer total diferença nos resultados do desafio … simples assim!

Neste momento começamos a ter um descolamento do pelotão de artistas com melhor performance no meio gospel. O pedigree, os prêmios, a história, a trajetória, os anos de estrada já não ajudam mais ao artista para se manter no primeiro time. É interessante que todos os artistas, com alguma exceção, são exatamente aqueles que mais trabalham no sentido de divulgarem seus conteúdos e na relação com o seu público. Eu até destaco neste caso, uma única exceção neste seleto grupo, a saber: Fernandinho, que fala muito pouco ou praticamente nada a respeito de suas músicas do ponto de vista da cartilha de divulgação do momento e que ainda assim, tem números excelentes. A este fenômeno eu credito os resultados positivos à sua credibilidade ministerial, posicionamento pessoal, condução de sua imagem e um catálogo absolutamente especial em termos de hits. Possivelmente, Fernandinho seja o maior hit maker das últimas décadas no meio gospel brazuca e isso o credencia a ter números elevados de consumo no segmento. Mas, excetuando-se o intérprete de Galileu e outros hits, todos os demais artistas têm se comprovado excelentes divulgadores de seus próprios conteúdos e projetos. E estes, estão crescendo em números num ritmo bem mais acima do que o bloco padrão de artistas do meio gospel. Esta distância tende a um criar um abismo grande entre os artistas do meio num futuro não tão distante como alguns podem acreditar. Há artistas, neste momento, com crescimento de 30, 40% em um único mês na performance de streams, enquanto alguns outros artistas seguem em ritmos inerciais de 5% no mesmo período. Com isso, a distância entre os pelotões será cada vez maior e dificilmente será diminuída pelos artistas que ficarem nos blocos inferiores. Então, para um bom entendedor, estamos no momento do descolamento … a distância já existe mas não a ponto de ser algo inalcançável. No entanto, a cada dia vivendo no ‘gerúndio das decisões’ as chances de se reverter a tendência será cada vez mais complicada. A hora de agir é exatamente agora para não ficar literalmente para trás … pensando no rebaixamento, em vez do título do campeonato.

Não me canso de dizer que estamos no melhor momento da indústria da música em todos os tempos no Brasil e no mundo. Projeções indicam que viveremos com a tendência de crescimento da indústria e do consumo da música de forma saudável por pelo menos mais 10 anos. O Brasil está entre os 5 maiores mercados de consumo de música no mundo e levando-se em conta que vivemos uma crise econômica e uma série de dificuldades estruturais, incluindo aí a própria qualidade de acesso à web, há um potencial de crescimento absurdo! Hoje não mais do que 5% da população brasileira é usuária dos apps de áudio streaming … basta um crescimento da ordem de mais alguns milhões de consumidores para que os números do mercado cresçam de forma exponencial. O mesmo se aplica ao meio gospel … temos ainda milhões de consumidores para ingressar no grupo de ‘clientes digitais’. Quando isso se tornar realidade, os números serão estratosféricos! E para ter acesso a esta realidade (que já está entre nós!) é necessário que todos nós busquemos conhecimento e posicionamento da forma correta. Ainda hoje, mesmo sendo um entusiasta dos números e das possibilidades, preciso reconhecer que o mercado gospel está bastante distante do que vivenciamos no mundo secular brasileiro. Basta analisar os números de artistas seculares e os grandes expoentes do meio gospel … é um verdadeiro massacre a comparação dos resultados! A distância entre os números de artistas do sertanejo, funk ou pop Brasil e os grandes expoentes do meio gospel é vexaminosa de tão abissal! E aí mais um alerta … se neste momento estamos anos-luz atrás dos artistas seculares como segmento, é mais assustador ainda perceber que alguns dos grandes nomes da música gospel de anos atrás estão ainda mais distantes dos seculares e de alguns artistas do próprio movimento gospel, ou seja, é hora de se mexer para não correr o risco de acordar tarde demais.

O alerta está dado! Há uns 2 anos atrás eu usava a figura de atletas perfilados numa mesma linha de uma pista de atletismo … e frisava que com o digital era como se todos os artistas/atletas tivessem se posicionado lado a lado esperando o tiro de largada … artistas jovens ombro a ombro com veteranos e veteranas da música gospel … agora, depois do início da corrida, já percebemos alguns nomes se destacando, outros ficando para trás e, pior alguns outros abandonando a corrida, ficando pelo caminho …

Para bom entendedor …

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, palestrante, 30 anos de mercado gospel, crente apesar de tudo, editor do Observatório Cristão, alguém que ama o que faz!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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