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O mercado fonográfico pela ótica de quem está por dentro das informações

Praticamente todos os dias recebo o clipping de notícias sobre artistas, música e o mercado fonográfico. Achei muito importante este texto e resolvi compartilhar por aqui no blog. Leia com atenção.

Gravadoras seguem relevantes na era do streaming, diz presidente da ABPD

Paulo Rosa comenta o crescimento de serviços de música online no país.
Associação de gravadoras do Brasil indica mercado digital maior que físico.

Apesar do nome, a Associação Brasileira de Produtores de Discos está de olho não só nos disquinhos físicos, mas em suas versões online. A entidade que reúne as maiores gravadoras no Brasil compara, a pedido do G1, o mercado de CDs e DVDs comparado aos downloads e streaming no primeiro semestre de 2015. A conclusão é que o digital já supera o físico.

“Mesmo com o mercado digital, a música gravada de forma profissional e visando atingir relevância artística e de público de forma sustentável, demanda expertise, investimento e uma rede nacional e internacional que as gravadoras de modo geral têm, e continuarão a ter”, diz o presidente da ABPD, Paulo Rosa. Veja a entrevista completa:

G1 – Em 2014, o mercado digital do Brasil ficou quase empatado com o físico (48% do total). Já é possível dizer que no 1º semestre de 2015 o digital superou o físico?

Paulo Rosa – Sim. As estatísticas de mercado de janeiro a maio deste ano indicam, ao menos até agora, que as receitas com música digital serão maiores no ano completo de 2015, do que aquelas relacionadas às vendas de suportes físicos.

G1 – Para você, qual é o potencial do streaming no Brasil? Acha que pode ser a principal forma de consumo de música nos próximos anos?

Paulo Rosa – O potencial é enorme no Brasil, considerando que temos uma base de aproximadamente 60 milhões de smartphones em franca expansão e uma população cada vez mais conectada.

Apesar de o streaming gerar receitas de publicidade nas versões gratuitas (freemium), é com a assinatura do serviço que produtores, artistas e autores são remunerados em grande parte. Portanto, é imprescindível para este novo mercado, que os usuários que comecem pela versão grátis experimentem e passem rapidamente para subscrição mensal. Isso permite a quem se utiliza do streaming inúmeras funcionalidades que a versão gratuita não tem.

E, sim, acho que o streaming pode vir a ser a principal forma de consumo de música nos próximos anos. As estatísticas de mercado no Brasil e no mundo sugerem claramente esta tendência, além de termos casos de sucesso em outras indústrias criativas, como o Netflix para cinema e televisão.

G1 – A ABPD tem se reunido com empresas de streaming e outros atores deste mercado?

Paulo Rosa – Temos reuniões e desenvolvemos projetos em conjunto com empresas de streaming, assim como com qualquer outro setor do mercado musical interessado em promover cada vez mais o mercado legítimo de música gravada no Brasil.

G1 – Quais são os entraves para o mercado de streaming no Brasil?

Paulo Rosa – Não vejo nenhum entrave significante, seja de ordem comercial, legal ou técnica. O grande desafio é, na minha visão, convencer o público consumidor, especialmente nas faixas de idade mais jovens, que o mercado de subscrição para streaming oferece uma relação custo/benefício excelente e que vale a pena pagar, ainda que pouco, pelo acesso irrestrito a qualquer música, em qualquer lugar e a qualquer hora.

G1 – Muitos artistas têm reclamado do percentual das gravadoras em seus contratos. O que você acha disso?
Paulo Rosa – Vejo este assunto de uma forma completamente diferente: o mercado de streaming é muito recente, incipiente ainda, e carece de uma melhor compreensão, tanto pelas gravadoras quanto pelos artistas, imprensa e o público em geral. No mundo todo há atualmente menos de 45 milhões de usuários pagantes em todos os operadores de streaming, o que é muito pouco em relação ao potencial deste mercado. Portanto, a receita gerada é pequena enquanto o universo de gravações de fato tocadas pelos usuários é praticamente ilimitado.

Isto faz com que cada “tocada” em determinado operador de streaming gere só uma fração de centavo, o que pode dar a impressão aos artistas que o streaming remunera mal. Na verdade, e na minha opinião, o mercado de streaming, para ser sustentável a médio e longo prazo, depende de escala de volume de usuários pagantes e de uma geração de receitas com publicidade que, apesar de crescentes, ainda estão longe de poder gerar dinheiro que possa ser percebido como relevante por todos os titulares.

G1 – Com a expansão do streaming, você acha que que a ideia de compilar várias canções em um álbum tende a acabar?
Paulo Rosa – Não necessariamente. Sempre haverá artistas dispostos a lançar uma safra de novas canções ao mesmo tempo. Juntas ou separada, em formato “álbum” ou não. Acho que nada com relação ao futuro do mercado da música pode ser decretado assim com tanta simplicidade e precisão.

Se fosse assim, o mercado de CDs teria acabado lá pela metade da década passada de acordo com as previsões dos futurólogos de plantão. Acho perfeitamente possível e saudável que formatos físicos para a comercialização de música gravada continuem a existir no futuro, o que já acontece hoje, independentemente do crescimento do mercado digital em geral e do streaming em particular. O mesmo raciocínio vale para o álbum.

G1 – Neste mercado digital, é possível que as gravadoras tenham um papel menor do que tiveram no passado?

Paulo Rosa – Antes da Internet as gravadoras no Brasil e no mundo já terceirizavam a fabricação e a distribuição de produtos físicos e se concentravam na descoberta e desenvolvimento de artistas e no marketing e promoção dos mesmos. Mesmo com o mercado digital, a música gravada de forma profissional e visando atingir relevância artística e de público de forma sustentável, demanda expertise, investimento e um network nacional e internacional que as gravadoras de modo geral têm, e continuarão a ter.

G1 – Daqui a dez anos, você acha que o CD e o DVD e formatos físicos vão desaparecer do mercado ou ainda terá seu público?

Paulo Rosa – Como já disse acima, não acredito que os formatos físicos desapareçam. Veja o caso do vinil por exemplo, crescendo a taxas absurdas nos principais mercados do mundo. Não é só fetiche passageiro, item promocional ou de colecionador. É demanda do mercado que até fez voltar os toca-discos, inclusive aqui no Brasil. Na realidade, as gravadoras se transformaram em empresas multimodais de negócios, atuando em diversas áreas do business musical, e monetizando a música gravada de várias formas, inclusive vendendo CDs, DVDs e outros formatos físicos.

 

Fonte: G1, em São Paulo | Por: Rodrigo Ortega

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

2 Comments

  • Junior dos Passos

    12/08/2015 at 14:57

    Eu discordo quando ela diz:
    ” O grande desafio é, na minha visão, convencer o público consumidor, especialmente nas faixas de idade mais jovens”.
    Não falta convencer o que falta é preço um exemplo: álbuns que custam USD 7,99 no iTunes custo real no Brasil 24,36 (Dólar 3,48) não é todo mundo que está disposto à pagar esse valor em um álbum digital, que na verdade custa bem mais caro que o CD físico que vem com encarte enfim, acho que é um assunto a ser discutido mas acredito que as gravadoras irão encontrar uma solução para resolver isso, olhando do outro ponto de vista você tem o álbum bem mais rápido tudo poder ser resolvido através de um click no smartphone.

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    • Mauricio Soares

      12/08/2015 at 15:17

      Junior, a operação de vendas a la carte no iTunes segue em queda no mundo todo. O momento é migrar para o streaming onde por 14,90 o consumidor tem acesso a mais de 30 milhões de músicas.

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