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O que aconteceu de interessante em 2016 e que merece ser lembrado (ou não!)

Começo a escrever este texto logo nos primeiros minutos de vôo entre Rio de Janeiro e Salvador. Tudo indica que será minha última viagem de 2016, num ano em que fiz muitos giros internacionais e dezenas de deslocamentos pelo Brasil. E como sempre, aproveito estes minutos, às vezes horas de vôo para colocar em dia os textos publicados para deleite dos 69 assíduos, abnegados, fiéis, companheiros e atentos leitores deste blog. Ano que vem completaremos 10 anos de existência deste blog e é impressionante como algo que começou de forma absolutamente despretensiosa segue da mesma forma tempos depois, afinal – faço questão de sempre repetir – este projeto é apenas um agradável hobby onde me divirto a cada texto publicado e principalmente pelo feedback que recebo de tantas e tantas pessoas pelo país e até do exterior, que incluem-se como um dos nossos 69 leitores.

Todo fim de ano começam a pintar as listas de fatos e acontecimentos de destaque naquele período. Dizem por aí que o ano de 2016 foi tão intenso de catástrofes, escândalos, mortes, acidentes, fatos marcantes na política e na economia, Lava Jato, prisão de celebridades do cacife do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e empresarial, entre outros assuntos, que o programa de restropectiva da Globo irá começar neste ano e acabar lá por dia 2 ou 3 de janeiro somente. E como tenho feito por alguns anos, resolvi elencar alguns fatos que, em minha opinião, merecem destaque no blog no ano de 2016. Irei listar alguns destes acontecimentos, deixando claro que não seguirei uma ordem de importância ou relevância e como não anotei numa folha nada do que irei pontuar nesta lista, vou crer apenas em minha mente … o que ultimamente e pelo avançado da idade, pode falhar e me causar alguma falha de mérito.

Em primeiro lugar, acho que não poderia começar a lista sem falar de algo que tem se tornado tema recorrente em meu dia a dia, em minhas conversas, palestras e, principalmente, nos textos publicados por aqui no blog. Definitivamente vivenciamos a transição do formato físico para o digital no mercado da música gospel no Brasil. Acho que 2015 tivemos a consolidação do mercado digital no Brasil como um todo e, o ano seguinte foi especialmente de transição para o segmento gospel tupiniquim. Creio que 2016 foi o ano do entendimento deste novo momento do mercado da música entre os artistas e principalmente público consumidor. Palavras como streaming, playlist, Spotify, Deezer, passaram a fazer parte do vocabulário e principalmente do dia a dia das pessoas do segmento gospel no Brasil. Não por coincidência, dias atrás o Spotify em seu site de notícias publicou um balanço de atividades em 2016 e entre o ranking de 10 gêneros musicais de maior crescimento na plataforma durante o ano, a ”Brazilian Gospel Music” apareceu na nona posição no mundo todo! Isto é incrível e merece ser aplaudido de pé, igreja! Definitivamente vivenciamos um novo momento para a música gospel e em 2016, me parece que todos acordaram para esta nova realidade!

Outra novidade que parece ter chegado com força a partir deste ano foi a mudança na mentalidade de artistas, produtores de eventos e público. Sim! O ano de 2016 vai ser conhecido pela expansão da música gospel para fora das quatro paredes das igrejas e invadindo casas de espetáculos e teatros pelo Brasil. Na história da música gospel jamais tivemos tantas turnês, shows, atividades em teatros, tradicionais casas de eventos e até mesmo lugares inusitados como hamburguerias e parques pelo país. Artistas como Marcela Taís, Leonardo Gonçalves, Resgate, Tanlan, Cristina Mel, Paulo César Baruk, Priscilla Alcântara, Pamela, Estêvão Queiroga e o projeto Loop Session, lotaram teatros e casas de shows em diferentes cidades do Brasil. Isto mostra uma saudável tendência de valorização do público ao trabalho do artista. Também mostra uma mudança de mentalidade por parte dos artistas querendo oferecer ao público algo mais bem acabado, melhor elaborado e que seja também uma saudável modalidade de entretenimento cristão. Para representar esta nova fase, posso destacar os 33 shows em teatros e casas de espetáculos da turnê “Princípio”, protagonizada pelo talentoso Leonardo Gonçalves e sua magnífica banda, muitos com ingressos esgotados e sessões extras. Os últimos shows desta turnê reuniram quase 8 mil pessoas no Rio de Janeiro, com shows Sold Out no Teatro Bradesco e VIVO RIO.

Este ano será lembrado (pelo menos para mim!) pelos projetos fantásticos de Deise Jacinto, Estêvão Queiroga, Alexandre Magnani e uma turma que está chegando ao mainstream nos apresentando uma música de muita qualidade!

Seguindo com nossa lista e voltando ao tema ‘digital’ acho que vale a pena o registro sobre a mudança de atitude dos players deste mercado perante o mercado gospel. Hoje quando se fala de música gospel junto às plataformas digitais, a reação não é mais de nariz torcido ou aquele semblante de ‘cara de paisagem’ esperando que se mude de assunto. Não mais! O que observamos é uma atenção, um interesse e principalmente uma atitude pró-ativa querendo trabalhar em conjunto pelos melhores resultados. Acho que em 2016 tivemos a consolidação da presença do conteúdo cristão nas plataformas, especialmente Deezer – que conta com o primeiro curador de música gospel em sua equipe – e o Spotify que não tem medido esforços para ampliar o alcance dos artistas e seus respectivos conteúdos no meio digital.

Em termos artísticos, ninguém tira dois nomes entre os de maior destaque no ano. É óbvio que Leonardo Gonçalves tornou-se, ou melhor, consolidou-se como o maior nome do meio gospel no Brasil, inclusive ultrapassando as fronteiras e já conquistando espaço na América Latina, mas este processo vem sendo fortalecido nos últimos 3 anos em especial e acredito que 2016 foi só a ‘cereja do bolo’. No entanto, quem cresceu vertiginosamente neste ano, em minha opinião (irei sempre reforçar que este texto se trata de algo pessoal, isento de maiores dados ou pesquisas, é minha percepção e pronto!) foram Gabriela Rocha e a turma do Preto no Branco. A primeira, jovem talentosíssima e com um carisma impressionante. Ninguém passa incólume a uma ministração de Gabriela Rocha … não mesmo! E a pequena e intensa cantora que não pára nunca no palco, começou o ano gravando seu primeiro DVD e termina 2016 justamente lançando este trabalho depois de meses de espera do público. Enquanto isso, Gabi trabalhou e trabalhou muito, chegando a ter 20 apresentações por mês, algo incrível num ano de tantas crises e dificuldades no nosso país. Para mim, Gabriela Rocha tornou-se em 2016 a mais destacada cantora de música gospel no país e, em especial, a principal ‘ministra de louvor’ do meio cristão, posto que já foi ocupado por gente do quilate de Ana Paula Valadão, Ludmila Ferber, Nívea Soares, só pra sentir como esta mocinha no auge de seus poucos 20 anos conseguiu progredir em sua carreira nos últimos anos! O outro artista que quero incluir entre os destaques deste ano é o Preto no Branco, que em 27 anos de mercado que tenho, deve assumir seguramente a posição de projeto de crescimento mais meteórico com que tive contato. Em pouco mais de 1 ano, o Brasil inteiro, crente ou ateu, cristão ou secular, conheceu e cantou as músicas do Preto no Branco. A turma chegou a ter 23 apresentações em 26 dias de turnê pelo país e por onde passaram colocou todo mundo pra dançar, cantar e se emocionar. Impressionante mesmo! Coincidência ou não, tanto Preto no Branco como Gabriela Rocha, fecham o ano sendo os 2 artistas de maior visibilidade nas plataformas YouTube/VEVO entre todos os artistas do segmento no Brasil, ambos superaram 100 milhões de views em seus canais de vídeo. Sucesso absoluto!

Ainda no tema ‘música’ creio que em 2016 vivenciamos uma democratização nos estilos musicais dentro do cenário artístico gospel. Este fato deve-se muito mais à popularização do consumo de música através dos meios digitais do que propriamente a um boom criativo no segmento. Tempos atrás, onde o CD e DVD ditavam as regras do mercado fonográfico, especialmente no meio gospel, as gravadoras optavam por poucos nomes, poucos estilos. Tínhamos uma limitação entre os estilos pop e pentecostal, os mais vendáveis até então. Esta padronização em função de interesses comerciais limitava o surgimento de novos artistas e principalmente de novos estilos. Com a chegada do digital, novos artistas passaram a se destacar e com eles, uma nova modalidade de estilos musicais. Na época dos CDs, dificilmente artistas como Os Arrais, Deise Jacinto, DJ PV, Paulo Nazareth, Gerson Borges, teriam espaço em gravadoras do mainstream. Pois bem, agora não só estes artistas e suas propostas musicais estão ao alcance de qualquer pessoa, como efetivamente tornaram-se importantes dentro deste novo contexto.

Quando em 2015 lançamos o projeto Sony Music Live muita gente ficou sem entender muito bem a proposta daqueles vídeos semanais com diferentes artistas, em diferentes cenários e locações, com produções simples (não simplórias!) porém chiques … de verdade, recebi alguns questionamentos sobre a estratégia e expectativa daquele projeto. Passados 2 anos e mais de 150 milhões de views depois, inclusive incluindo conteúdos de música secular ao projeto, percebemos claramente uma tendência entre gravadoras e artistas no mundinho gospel. O ano de 2016 foi uma profusão de live sessions, algumas nem tão live assim … mas que efetivamente consolidaram o projeto piloto lançado pela área do A&R Gospel da Sony Music e criaram toda uma cultura de conteúdo de vídeo para não só divulgar o artista e seu trabalho, mas principalmente abrir uma nova fonte de receita para artistas e gravadoras.

Por falar em vídeo, destaque para o clipe ‘Jeremias’ do Gabriel Iglesias … top das galáxias! E o recém lançado clipe de Priscilla Alcântara, “Sou Escolhido”, dirigido por Hugo Pessoa e que em pouco menos de 48h no ar passou de 250 mil visualizações. Entre os Lyric Videos, vale conferir os materiais produzidos pela Deise Jacinto e a banda Tanlan.

Especialmente no fim deste ano, observei que tivemos várias premiações destacando artistas de música gospel entre sites, blogs e eventos como o Troféu Ouro e o mais recente, Troféu Gerando Salvação. Temos o tradicional Grammy Latino, na categoria ‘música cristã em língua portuguesa’, que me parece algo completamente distante da realidade do que acontece em nosso meio com suas escolhas estapafúrdias, desconexas com a realidade e absolutamente sem critério … sobre este prêmio prefiro nem tecer muitos comentários a respeito. Verdadeiramente sinto falta de uma premiação que seja no mínimo criteriosa, porque no fim das contas, justiça não chega a ser um componente muito presente em questões subjetivas. A boa notícia, dada por quem esteve presente ao evento (infelizmente não pude ir!), é de que o Troféu Gerando Salvação teve uma produção impecável, uma noite mesmo muito especial. Espero que em 2017 este prêmio se consolide e que seja mais reconhecido por todos do segmento e público.

Em termos de mídia, especialmente, rádio, a medalha de honra ao mérito vai para a Rádio Melodia 97,5 FM que chega ao fim de 2016 consolidada na liderança entre as emissoras do Rio de Janeiro e entre as 3 mais importantes em todo o país. Congratulations!

Já entre resultados de vendas, “Obra Prima”, novo projeto de Damares, fechou o ano na liderança de vendas do mercado com mais de 60 mil cópias vendidas. Importante salientar que Damares também se destaca como a artista gospel brasileira com maior número de assinantes dos serviços de ring back tone, algo em torno de 1,6 milhão de inscritos. Ainda sobre números, Leonardo Gonçalves se firma como artista gospel brasileiro com maior relevância nas plataformas de audio streaming possuindo, apenas no Spotify, mais de 320 mil playlists no mundo, com ao menos uma música sua inserida. Entre as músicas mais executadas e ouvidas nas rádios e plataformas de audio streaming, destaque para “Ninguém Explica Deus” com Preto no Branco e participação de Gabriela Rocha, sem dúvida, a grande canção de 2016.

Já vou finalizando este texto. Para aqueles que consideraram os destaques muito chapa-branca, muito relacionados ao cast ou projetos da gravadora na qual trabalho, o que posso afirmar em minha auto-defesa é que quem discordar, basta elaborar sua própria lista. Este blog sempre foi um espaço bem personalista, pessoal, quase confessional … e de forma muito leve e tranquila, acredito piamente em todos estes destaques que listei acima. Talvez tenha falhado deixando algo ou alguém de fora, mas também a respeito disso já adiantei logo nas primeiras linhas que esta lista era algo feito ‘de cabeça’, sem maiores estudos, pesquisas ou qualquer aprofundamento técnico.

O ano que parece não querer acabar, no campo pessoal foi muito difícil para mim. Tive a perda doída (como me faz falta!) de meu pai no início do ano e isso repercutiu muito ao longo de 2016, inclusive me fazendo rever e repensar algumas atitudes e prioridades. Mas também tive grandes conquistas e em especial, o início das atividades do projeto de música cristã junto à Sony Music México seguindo por completo o modelo do projeto que implantamos por aqui no Brasil. Tive oportunidade de fazer muitas viagens internacionais, inúmeras nacionais (muitas mesmo!) … conheci muita gente interessante, trabalhamos demais (como sempre!), encontramos artistas fantásticos, aprendemos muito, dividimos nosso conhecimento e chegamos ao fim do ano completamente no limite das forças físicas. Mas agradeço imensamente a Deus por ter me sustentado até aqui e por ele insistir em usar uma pessoa tão imperfeita pra trabalhar em seu Reino e realizar coisas tão grandes. Não poderia finalizar este texto, sentado no saguão do aeroporto de Salvador, retornando para casa em pleno domingo, em minha última viagem a trabalho de 2016 recordando-me (e ouvindo) a canção “Princípio e Fim” com Leonardo Gonçalves.

“Quando penso em desistir, lembro que Você, insistiu em mim”

Que venha o novo ano … e com ele melhores notícias para o povo brasileiro, porque confesso que foi difícil aturar 2016 com tantas notícias ruins …

Mauricio Soares, jornalista, pai, esposo, publicitário e um brasileiro que não desiste quase nunca!

  • Lucas

    Notei que depois de um tempo que a Sony Music lançou o projeto sony music live, começaram as enxurradas de lives. “uma profusão de live sessions, algumas nem tão live assim …” (parece que alguns cantores tem medo de cantar ao vivo, ou não querem mostrar que não conseguem cantar nem 50% do que cantam em seus cds super editados. Enfim, outra coisa que lembro foi que tudo começou com o clipe acústico de tarde, da Cristina Mel, época em que não era comum esses “lives”. Esse acústico antecedeu ao projeto sony music live. Cristina Mel nem deve saber, mas foi precursora e lançou moda, rsrsrsrs.