O que nos espera em 2020?

2020

Começo mais esse texto em pleno vôo, agora entre a cidade de Belém e a lindíssima, aprazível, salve salve e amada cidade de Fortaleza! Esse texto está sendo escrito ao som de “I Will Praise You”, novo álbum da cantora Rebecca St. James que em breve chegará ao Brasil através da Sony Music. Pra quebrar esse momento de deleite ouço uma criança aos berros algumas poltronas atrás, o choro é algo compassado, intenso e com desesperador grau de dramaticidade e o pior é que os pais não estão sabendo resolver a situação, mas enfim, vamos observar o mercado!

Dias atrás fui convidado a participar da mesa de debates do Fórum promovido pela EBF Eventos para discutir o mercado gospel nos próximos 10 anos. Para servir como base para às discussões, a Sepal apresentou uma pesquisa inédita até então, a respeito das projeções do segmento evangélico para 2020. Esta é, sem dúvida, a maior e mais científica pesquisa realizada nos últimos tempos em nosso meio e foi realizada com apoio e suporte do IBGE, portanto é algo bastante confiável em contraponto a tantas informações tradicionalmente ‘evangelásticas’ que de tempos em tempos surgem nesse ambiente.

A pesquisa começa apresentando a realidade do mercado atual onde hoje a população evangélica no Brasil representa 26,8% da sociedade totalizando 53,6 milhões de brasileiros. Somente se analisarmos o atual panorama do mercado evangélico no Brasil já podemos constatar que esse número é superior às populações de muitos países da América Latina. Mas voltando à pesquisa, retomamos ao ano de 1960, portanto, cerca de 50 anos atrás. Naquele momento, a população evangélica no país representava 4% da sociedade. Nos 20 anos seguintes, o crescimento foi de cerca de 2%, chegando a 6,63% da população. O grande boom do segmento evangélico deu-se nos últimos 20 anos, especificamente em 1991 quando houve um salto de 8,98% para 15,40% apenas 9 anos depois, já nos anos de 2000. Nesta nova fase, o segmento evangélico consolidou-se e cresceu a passos largos, apenas de 2000 até 2011 o crescimento foi de significativos 11,40% e hoje entende-se que 26,8% professa a fé evangélica em diversas vertentes do que chamamos de confissão de fé cristã.

A título de comparação, em 1970 a população católica no Brasil representava 91,77% da sociedade brasileira. Os evangélicos somavam 5,17% e os que não tinham qualquer religião representavam 0,75% dos brasileiros. Em 20 anos, a população católica caiu para 83,35%, a evangélica subiu para 8,98% e os que não tinham religião para 4,73%, algo a se observar com atenção.

A partir de 2000 as curvas crescentes e decrescentes entre o segmento católico e evangélico passaram a se aproximar, em sentidos diferentes. Naquele momento católicos chegaram a 73,75% enquanto os evangélicos alcançavam 15,40%. Em 2010 essa aproximação se tornou mais intensa com católicos caindo a incríveis 59,35% e os evangélicos alcançando 26,8%. Os que não têm religião subiram bastante e hoje representam 9,99% da sociedade brasileira.

Uma outra informação interessante é que dos 26 milhões de evangélicos, a esmagadora maioria é formada de igrejas Pentecostais, nada menos do que 20 milhões de brasileiros contra 6 milhões de evangélicos das igrejas tradicionais. Eita glória! É muito reteté pentecostal!

Pausa para comentários sobre o álbum de Rebecca St. James, meu momento Milton Merchan Neves! Já estou na faixa 10, a última canção – You Make Everything Beautiful – uma bela e agradável música. Essa intérprete consegue emplacar uma suavidade em suas performances. O CD veio se desenvolvendo super equilibrado, num clima de intimidade bem light. Gostei mesmo! Tanto que já estou voltando ao início! Acho que as cantoras gospel brasileiras poderiam abaixar um pouco o tom de suas interpretações para algo menos histriônico, menos gritado e partirem para essa fase mais cool onde cada palavra, cada nota assumem uma importância maior do que malabarismos vocais performáticos!

Ah! E o bebê agora parece que se acalmou … vamos seguindo nossa viagem!

Partindo para a segunda parte da pesquisa, passamos a projetar o que será esse universo para os próximos 10 anos. Com muito embasamento técnico, o pesquisador da Sepal foi mostrando gráficos, números, análises. O que me chamou muito a atenção em meio a tantas informações foi justamente o que, ou melhor, o quanto seremos em 2020, portanto apenas 9 anos adiante.

A projeção do IBGE é que o Brasil chegue em 2020 totalizando uma população 234.911.523 pessoas. E deste universo, os evangélicos representarão 46,7% da sociedade com um montante de 109.696.027 de brasileiros.

É inegável o crescimento da população evangélica no Brasil! Isto é fato! O que precisamos pensar é se estamos preparados para receber e atender às demandas dessa enorme massa de pessoas. No fórum da EBF Eventos, pastores, mídias e profissionais do mercado discutiram sobre as diversas estratégias para que o segmento possa atender satisfatoriamente toda essa população.

Confesso que saí do evento sem uma absoluta certeza de que estejamos neste momento nos preparando para essa nova fase do segmento evangélico devidamente como deva ser, mas o simples fato de eventos como este promovido pela EBF já me traz uma esperança de que algo está sendo pensado, feito, planejado, mesmo que ainda de forma bastante incipiente, mas já é um começo.

Ainda sobre esse tema, gostaria de iniciar sobre um assunto que poderemos falar em outra oportunidade que tem íntima relação com esses dados apresentados aqui. Quais serão as oportunidades e demandas que surgirão nesse novo mercado nos próximos anos?

De imediato penso em 3 áreas que serão muito promissoras nos próximos anos, são elas: mercado distribuidor, mídias, marketing.

Entenda-se ‘mercado distribuidor’ como livrarias evangélicas dentro do conceito de loja de conveniência. Ainda há muito espaço para empreendedores neste nicho de mercado. Em minhas viagens pelo país tenho me deparado com lojistas em plena expansão de suas estruturas.

As mídias terão papel importantíssimo no mercado religioso. A necessidade de mão de obra especializada já é enorme! Do universo web às mídias tradicionais como TV e Rádio há um a enorme necessidade por profissionais capacitados e empreendedores.

O marketing é peça importantíssima nas mais diversas atividades. Fazemos, vivemos, somos atingidos pelo marketing o tempo todo em todo o tempo. Com o crescimento de um novo mercado, cheio de nuances e peculiaridades, faz-se necessária de forma muita intensa a presença e participação de profissionais especializados neste nicho.

As informações estão disponíveis. As oportunidades idem. As demandas são cada vez maiores e específicas. Cabe aprofundar na pesquisa e estudo destas oportunidades e partir para o combate. Alguém aí se habilita?

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Mauricio Soares, publicitário, marqueteiro, escritor especializado acima de 10 mil pés. Para quem ficou curioso sobre o restante do vôo, depois de dizer que a criança havia se acalmado, ela retomou a cantata e os pais continuam apavorados! Ufa! O piloto já nos alertou sobre a descida em Fortaleza! Parece que essa experiência irá acabar nos próximos minutos. Ou pelo menos até o próximo embarque rumo ao Rio de Janeiro. Por fim, eu indico esse CD da Rebecca St. James, coisa fina!

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