SHOPPING CART

O trem bala está chegando! Embarque logo ou saia dos trilhos!

É impressionante como toda vez em que a grande mídia faz uma abordagem sobre o mercado fonográfico, a introdução da matéria sempre traz uma abordagem sobre a queda do mercado fonográfico. Não importa o viés da matéria, sempre usa-se o bordão “mercado em crise” e coisas do tipo. O cerne da matéria pode ser positivo, mas sempre há um contraponto negativo do tipo: “Mesmo em crise, artista “X” vende milhões de CD”.

No Brasil, os dois últimos anos foram de crescimento no mercado fonográfico. Dados preliminares apontam que 2011 chega ao fim comemorando mais um ano de crescimento em vendas, sendo que alguns artistas como Padre Marcelo Rossi e Paula Fernandes superaram a marca de 1,5 milhão de unidades vendidas. Estamos falando em crescimento na venda física de CDs, atente-se para isso! O mercado de shows está super aquecido, inclusive colocando definitivamente o país no circuito dos grandes astros da música internacional. Neste ano, tivemos o retorno do Rock in Rio ao país e mais outra edição do SWU e de diversos outros festivais.

Particularmente discordo com essa tendência pejorativa na abordagem da mídia quando se refere ao mercado fonográfico. É óbvio que a pujança de vendas de CDs de décadas atrás não temos e não teremos mais no mercado. Também é notório que os canais de venda de música em lojas especializadas praticamente ficaram reduzidas a grandes redes de varejo. Mas isso não significa que o mercado fonográfico é um ser moribundo!

O que estamos vivendo neste momento, em especial no Brasil, é uma mudança radical do processo de consumo do bem “música”. A transição do LP para o CD se deu a partir do momento em que as indústrias de eletroeletrônicos aposentaram a vitrola e passaram somente a produzir aparelhos com tocadores de CD. Essa transição completa não durou mais do que 2 anos e foi realizada automaticamente, onde saíram a vitrola, o LP e a agulha de diamante (lembram-se disso?) e entraram o CD, o 3 em 1 e o disc-man. Já a transição entre o CD físico e o mundo digital não aconteceu de forma linear. É nítido que vivemos um hiato entre o consumo de produtos físicos e digitais. Neste hiato, nem mesmo a indústria fonográfica conseguiu interpretar perfeitamente as tendências e caminhos que o mercado acabaria seguindo. E imagino que esse “medo do desconhecido” acabou provocando um pânico generalizado e até mesmo uma letargia inercial. Daí a ideia que a mídia vem constantemente atribuindo como “a crise do mercado fonográfico”.

 

Na verdade, o mercado digital amplifica e muito os canais de distribuição para a música. Se antes tínhamos cerca de 3 mil pontos de venda de música no país, hoje temos 200 milhões de celulares para comercializar conteúdo. Com a ampliação e melhoria da banda larga no Brasil, outros milhões de usuários da internet passarão a ter acesso ilimitado a arquivos com milhões e milhões de músicas. Hoje há inúmeros canais de comercialização de música no universo digital na web ou mesmo através das operadoras de TV a cabo ou empresas de telefonia. Com a chegada do iTunes tão comemorada nos últimos dias definitivamente ingressamos na nova era digital. Outras plataformas como Power Music Club, Rdio, GVT, Sonora democratizam o acesso à música. Enfim, não há crise no mercado fonográfico! O que há neste momento é uma gama ilimitada de possibilidades para a comercialização de conteúdo no mundo digital.

E posso adiantar que 2012 será o ano da virada do mercado fonográfico no meio digital! Não sou nenhum adepto das profecias de Nostradamus, muito menos estudioso do calendário maia ou mesmo um profeta pentecostal, mas podem me cobrar em 31 de dezembro de 2012 sobre esta minha última afirmação. Teremos grandes novidades no mercado digital a partir dos próximos meses. Uma infinidade de canais de comercialização de conteúdos digitais estarão disponíveis ao consumidor brasileiro daqui em diante.

Poucos são os profissionais que já conseguem vislumbrar todos os desdobramentos do mercado digital para os próximos 10 anos (isso é quase um século em termos de tecnologia!), então o momento é de busca incessante pelo conhecimento, pelo aprimoramento e principalmente pelo planejamento e mudança de estratégias. Neste momento é fundamental que as gravadoras estejam preparadas para essa nova conjuntura do mercado fonográfico! Infelizmente ainda vejo empresas e ‘profissionais’ de gravadoras apenas mirando no mercado físico como único caminho. Na verdade, não consigo pensar em melhor imagem neste caso do que de um trem se aproximando no horizonte, enquanto uma despreocupada pessoa passeia por entre os trilhos degustando um delicioso sorvete. O trem pode até demorar a chegar, mas numa determinada hora ele vai passar por cima do “degustador de sorvete”. E já posso adiantar, que esse trem aí é do tipo que a torcida do Vasco costuma cantar nos estádios … é um autêntico trem bala! O atropelamento é inevitável!

Então, toda vez que alguém comentar que o mercado fonográfico está em crise … ah! manda ler esse artigo … não precisa entrar em nenhuma confusão! Este é um mercado de oportunidades! Mas é fundamental que se esteja preparado para enfrentar e aproveitar as múltiplas opções de negócio … o que não vale é ficar na cadeira de balanço, reclamando da chegada de players profissionais, preparados e focados no futuro do mercado. A concorrência é livre e que venham as novidades!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, casado, pai de dois meninos que já nasceram tecnológicos e digitais. “Papai no seu tempo a TV era em preto e branco? Mas já era em 3D?”

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

Deixe uma resposta