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Observando a montagem do repertório!

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Uma das principais dicas que dou para os artistas que trabalham comigo é sobre a montagem do repertório dos CDs. Infelizmente muitos artistas se preocupam mais com os figurinos das sessões de fotos e encartes ou ainda, com as cordas da Orquestra Sinfônica de Berlim, com o set de guitarras, o ar condicionado do estúdio, a lista dos agradecimentos, o fotógrafo e o designer de griffe, o projeto do MySpace e outros aspectos secundários.

Na verdade, o ponto mais importante e crucial para um projeto musical é justamente onde muitos artistas, mesmo os mais experientes, têm errado sistematicamente, ou seja, a escolha das músicas do repertório. Já soube de casos em que o artista conseguiu fechar um repertório em míseros 10 dias de busca. Assim, começa-se literalmente errando e errando muito feio!

Por mais óbvio que possa parecer, esta questão tem sido negligenciada por muitos artistas. A escolha do repertório deve ser acompanhada por uma pergunta padrão que certamente contribuirá para a definição das músicas. A pergunta que gosto de fazer: o que justifica esta música no repertório? Se a resposta for convincente, pronto! ela fica no repertório, se não for 100% firme, então descarte a música.

O processo de seleção deve ser o mais criterioso possível. Nessa hora não vale a pena querer agradar o tio, primo, namorado, esposa, o pastor de sua igreja… nada disso! Procure pesquisar quem são os compositores do momento porque isso é como safra! Se um compositor está numa boa fase, ele costuma acertar em outras canções. Então pesquise os melhores. Leia nos encartes dos CDs dos artistas que você tem como referência e veja de onde saem as canções deles.

Se você também é compositor além de intérprete, seja o mais criterioso possível! Não aceite suas composições sem que antes uma infinidade de pessoas possam conhecer melhor suas músicas. Agora! O importante é que estas pessoas sejam sinceras e também tenham o mínimo de background musical, afinal você precisa de balisamento e não de bajulação, certo?

Ainda sobre a montagem do repertório, pense na escolha de no máximo 12 canções. O ideal mesmo é que a bolacha tenha 10 faixas produzidas, pois se em 10 músicas você não conseguir passar o seu discurso e idéias, não será em 12 ou 14 canções que irá fazê-lo. Pense que manter uma pessoa exclusivamente ligada, escutando o seu projeto por 45, 60 minutos é um desafio grande. Então seja o mais direto possível e em poucos minutos mostre seu valor e aguce a curiosidade sobre seu repertório.

Existem CDs que as músicas são tão bem selecionadas que o ouvinte se abstrai do tempo e consome agradavelmente as canções em 50 minutos de intenso prazer auditivo. Outros em menos de 15 minutos são uma epopéia de chateação e agressão sonora. Cuidado para não criar uma animosidade imediata ao seu trabalho. Isso é fundamental!

Uma montagem de repertório é como uma receita de bolo… deixe-me explicar… qual é o seu estilo musical, qual sua principal referência? É o pop rock? Então 5 faixas do CD deverão ser neste estilo. Inclua uma pitada de 3 baladas mais lights e 2 mais músicas conceituais, menos comerciais mas onde você possa expor sua versatilidade musical. Esta é uma dica que deve ser adaptada por cada estilo artístico, mas o conceito é geral.

A escolha da ordem das músicas também deve ser observada com cuidado. Nas 3 primeiras faixas você tem que mostrar literalmente para que veio. Se a primeira impressão é a que fica, então você não pode perder esta oportunidade de apresentar seu projeto naquele tempo exíguo. A quarta faixa deve ser mais light, dando um “refresco” na sequência anterior. Isso deve ser bem conversado com seu produtor musical. A definição das músicas deve se dar em comum acordo.

Se eu tivesse que resumir este post a uma só dica, diria o seguinte: apenas dê o start na gravação em estúdio após ter certeza quase absoluta (porque 100% é praticamente impossível!) da escolha do repertório. Lembrando ainda que um repertório só é finalizado após a prensagem do CD em fábrica. Temos inúmeros casos de hits que foram inclusos nos CDs nos últimos instantes da produção ou até mesmo após a masterização do CD, afinal ninguém pode justificar a exclusão de uma música de qualidade, certo?

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