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Observando as opiniões na web ou de quem se julga expert para opinar

A ideia é aproveitar ao máximo a oportunidade destes dias onde estarei fora do meu escritório em meio a mais uma convenção internacional. O ritmo de produção para o blog está frenético e durante os próximos dias teremos uma periodicidade de um texto inédito a cada 2 ou 3 dias sendo publicados, algo bem diferente de nossa realidade habitual. Isso, se nosso editor-censor, Jeferson Baick, permitir que tudo o que está sendo produzido realmente chegue ao conhecimento dos nossos 66 leitores.

Recentemente postei um texto que falava sobre a falta de sensibilidade de alguns criticos que detonavam a realização de eventos promocionais como tardes de autógrafos e afins. Infelizmente para aqueles leitores que curtem o blog pelas dicas artísticas e de marketing que aqui são publicadas, confesso que estou numa fase mais beligerante, tendo que lidar com alguns aspectos e temas que vêm me incomodando muito nos últimos tempos. Há algumas semanas atrás, em meio a um feriado e diante de um tempo em que não tinha nada, absolutamente nada a fazer ou para me distrair, resolvi dar uma navegada em sites, blogs e fanpages. Em determinado momento de minha viagem internética me vi diante de uma postagem na fanpage de uma empresa do segmento fonográfico. Li o texto institucional que divulgava o lançamento de um determinado projeto. Agora não me recordo se era um CD ou um DVD, mas era um lançamento, disso não tenho dúvida. Comecei a ler em seguida alguns dos comentários do público e é a partir daí que quero dedicar algumas linhas neste novo texto.

João Lira – Ah, essa cantora já deu! Prefiro muito mais a XXXXXXXXX que é uma cantora do poder! Affff …

Melquiades Lino – Que capa horrorosa! O disco é bom, mas que foto é essa!

Joana Machadão – Artista? E onde está a adoradora? Meu Deus, como a música gospel mudou nestes anos!!!

Kelvin Jones – Alô gravadora XXXXXXX você precizam se ligar. Istamos quereno saber mais notísias da cantora XXXXXX. Depois não reclamem se ela for para a XXXXXXXXXXX

Jorge Nunes – Linda! Maravilhosa! Diva! Meu sonho é tirar uma foto contigo! Beijo, me liga!

Luis Cascaes – Vai te converter minha irma sucesso jesus não e isso pintura vaidade e mundo converta XXXXXXXXXX

Clotilde Silva – Os arranjos são fracos! A letra é fora da doutrina bíblica! Os riffs de guitarra são pobres …

Carlinhos Fogo Santo – Essa turma só quer vender! Só quer ganhar dinheiro! Quero ver cantar na minha cidade de graça!

* Todos estes textos acima os nomes são fictícios. Já os comentários são todos baseados em fatos, inclusive a forma não ortodoxa do que conhecemos como língua portuguesa.

Ao me deparar com alguns destes comentários nada amigáveis e outros de teor meio duvidoso, aproveitando meu tempo ocioso e de verdade, sem ter nenhuma pena de mim mesmo, resolvi aprofundar-me na pesquisa a respeito daquelas pessoas que pareciam tão cheias de si, tão profundamente experientes, cheias de santidade, de senso estético e principalmente, de opinião. Aí fui um a um destes perfis para conhecer um pouco mais daquelas pessoas. E a impressão é de que o perfil destes críticos se repete a ponto de podermos estabelecer um modelo-padrão. Esta experiência pude compartilhar em meu perfil pessoal no Facebook e fiquei impressionado com a resposta que obtive aos meus comentários. Como meu perfil é restrito aos amigos, minhas postagens não recebem mais do que 3 ou 4 comentários (sempre das mesmas pessoas, rs) e especialmente naquele dia passou de 30 mensagens a respeito de minha ‘pesquisa’.

De acordo com o Data-Soares, cerca de 89% das pessoas que usam as redes sociais para atacar determinadas artistas do universo gospel passam mais de 12 horas conectadas na web por dia, o que me faz pensar que efetivamente não trabalham, não estudam ou que não tem nada a fazer além do que ficar enchendo a paciência alheia. São os chatos on line que se divertem simplesmente atacando a tudo e a todos indistintamente.

Destes chatos on line, há um subgrupo que são os membros de fã-clubes. Neste subgrupo, tudo o que é relacionado à artista (ou ao artista) venerada é maravilhoso, surreal, fantástico, mesmo os figurinos assustadores cheios de babados, cores vibrantes e cortes psicodélicos, isso sem falar da profusão de adereços insólitos. Se é da diva, o feio torna-se lindo, o estranho se torna sofisiticado e até os filhos com carinha de flagelados da seca, são fofos, lindos, um charme! Haja falta de bom senso, my God! Em contrapartida, se esta ‘diva’ tem alguma concorrente à altura ou que trabalhe no mesmo universo artístico, aí esta é taxada de inimiga mortal e merece ser queimada como uma Joana D’Arc em praça pública. Os chatos-fãs vão infernizar a vida da ‘concorrente’ postando mensagens agressivas, injuriosas, criando fatos negativos e tudo mais que venha a atrapalhar. Muitas das artistas que sofreram esse tipo de ataque acabam parando em terapeutas, partindo para o contra-ataque nas redes sociais transformando a web num ringue de TeleCatch, ou melhor de Web-Catch ou ainda, optando pelo simples bloqueio (pra mim o método mais eficaz) daqueles que a atacam nas redes sociais.

Dos críticos pesquisados, cerca de 78% residem em cidades com menos de 100 mil habitantes. O que me faz imaginar que estejam muitas das vezes acessando a web através de Lan Houses onde a diversão é simplesmente exercitar o poder democrático da opinião. Pelos perfis analisados, mais de 90% destes residem em cidades onde a livraria evangélica mais próxima está localizada há uns 200 qulômetros de distância, o que também nos faz crer que não são consumidores tão vorazes de produtos originais. E por falar nisso, alguns dos perfis pesquisados comentam abertamente em suas postagens que têm como hábito visitar sites de downloads ilegais de conteúdo. Nada mais a comentar neste assunto …

Do ponto de vista etário, os comentários são feitos em sua grande maioria por experientes seres de 12 a 24 anos, ou seja, trata-se de um grupo social bem jovem e isto nos traz um paradoxo, afinal sendo tão jovens como estes personagens possuem tanta experiência para expressar opiniões profundas em diferentes assuntos como design, música, moda, teologia, física quântica, comportamento, marketing, mercado digital, administração, tendências e outros assuntos? Estamos diante de um verdadeiro enigma e não me arrisco a decifrá-lo. Talvez um dia eu peça opinião destes mesmos experts em tudo para que solucionem esse problema!

Neste grupo de críticos há outra característica que se repete com muita frequência. Boa parte da turma é formada por adolescentes, rapagotes que adoram fazer selfies com trejeitos, muitos biquinhos, camisetas apertadinhas, vez ou outra com brincos em suas orelhinhas e entre as preferências pessoais, ao lado de cantoras pentecostais, nos deparamos com uma seleção eclética que vai de Beyoncé (A poderosa!), Rihana (A atrevida!), Mariah Carey (A Diva!), Madonna (A Top!), Whitney Houston (A insuperável!), Cláudia Leitte (Divina!), Ivete Sangalo (Arraso total!) só para citar algumas. Em meio a estas selfies, os meninos ainda postam mensagens com versículos bíblicos, fotos com suas divas gospel, fotos com seus amigos e alguns vídeos em que cantam os sucessos de suas artistas. Alguns destes inclusive se aventuram numa carreira artística sonhando com um dia em que também terão seu séquito de seguidores.

Seguindo com os dados estatísticos, cerca de 62% dos comentários são redigidos em um dialeto todo próprio com uma leve influência do que conhecemos como língua portuguesa. Palavras como ANCIOSO, BENÇA e coisas do tipo são bastante comuns. Outra característica deste grupo são mensagens absolutamente sem pé e nem cabeça, quase um enigma que precisa ser decifrado. O cara vai pensando e do jeito que vai digitando a mensagem é enviada, algo como uma coisa meio psicografada no melhor estilo Chico Xavier. Talvez seja isso mesmo, alguns destes seres estão em pleno momento de transe e o resultado desta epilepsia mental pode ser conferido on line nos comentários postados nas redes sociais. Uma coisa de outro mundo mesmo!

Uma característica entre os entendidos e críticos dos projetos gráficos é que boa parte deles são auto-denominados designers. São jovens que fizeram algum curso na internet ou por correspondência e que já se acham aptos a dar palpite no trabalho alheio. Alguns são prodígios e sequer tiveram um tipo de preparo técnico, são autênticos auto-didatas. O problema é que entre estes não encontrei nenhum tipo de trabalho mais relevante produzido. Algumas poucas capas para cantores independentes que lançaram seus projetos em mídia roxa na região de Mococa e arredores, no interior de São Paulo. Nada contra Mococa, por favor! Alguns destes críticos-designers se divertem produzindo capas alternativas para mostrarem às gravadoras como o projeto poderia ficar melhor, são os autênticos engenheiros de obra pronta. Ou seja, pessoas de fino trato, éticos e que na verdade, estão buscando uma oportunidade e optam em atacar os outros profissionais do seu segmento.

Entre os comentários virulentos, especialmente aqueles que trazem uma conotação de Santa Inquisição, cerca de 98% é formada por jovens que almejam no futuro se tornar pastores ou algo envolvido ao ensino teológico. Percebi que muitos destes, em seus perfis pessoais gostam de postar mensagens em vídeo daqueles líderes que adoram bravejar e gritar frases de efeito, quando não sapateiam e dão giros no púlpito como aquela roleta do Silvio Santos. Tem que ter poder! Eita … é muita glória mermão! Outra característica desta turma é que eles têm como hábito fazer um verdadeiro périplo por igrejas e eventos. Uma espécie de Tour do Reteté … ao fim, postam suas selfies, dão testemunhos da noite de poder e voltam para a web a fim de encontrar e denunciar os infiéis que insistem em deturpar os santos ensinamentos e doutrinas. Fogo neles!

Entre estes santarrões há um sub-sub-grupo que foca principalmente seus comentários nas questões sócio-econômicas. É usual vê-los cobrando por parte dos artistas que estes doem seus cachês, que cantem em reuniões de oração, que subam os morros e se apresentem em igrejas de 20 membros, que doem todos os seus bens, que distribuam de graça seus discos e que mantenham instituições de caridade. Na concepção destas pessoas, os artistas de música gospel deveriam ser hippies vivendo de artesanato comercializado nas portas das igrejas, sobrevivendo da caridade alheia, afinal de graça recebei, de graça dai …

E entre estes experts há duas categorias que merecem toda atenção e nas quais farei questão de mencionar finalizando este texto. O primeiro grupo dos experts é formado por estudiosos da música, gente que estagiou com Tom Jobim, fez especialização em Berkeley, trabalhou na Broadway, compôs para os filmes da Disney e que de lambuja ainda trabalhou como jurado do X-Factor, ou seja, experiência plena na área musical. Estes seres são mais presentes em blogs que hoje surgem como praga na web. As opiniões apresentadas em textos jornalísticos (KKKKKK … não contive a gargalhada!) ou na área de comentários são prodigiosas. Sinceramente mesmo com mais de 25 anos de estrada no segmento me sinto um estagiário ao deparar-me com a riqueza de análises desta turma referente às músicas produzidas no nosso segmento. Quem lê um destes textos imagina estar diante de uma Bárbara Heliodora (recém-falecida crítica de teatro, maior especialista da obra de Shakespare no país) da música gospel. Em 93% dos casos, estes críticos não sabem tocar um único instrumento musical, não compuseram uma única música ou têm algum envolvimento com o mercado fonográfico. Ou seja, é melhor eu não falar mais nada …

Mas nem só de música essa turma que critica livremente na web está focada, não mesmo! Muitos destes também se aventuram em analisar as estratégias de marketing das gravadoras e dos artistas. Em minha mesopotâmica pesquisa, deparei-me com Washington Olivettos em profusão, com Jack Welchs aos borbotões, em Steve Jobs pra dar com o pau! O grande problema, ou melhor, o grande paradoxo (mais um, incrível!) é que 99,78% destes críticos que entendem de tudo de marketing, estratégia, promoção, planejamento e marketing digital também não possuem um único case de sucesso ao longo de suas prodigiosas carreiras. Ou melhor, sequer possuem carreiras profisisonais, pois muitos ou ainda são estudantes ou estão desempregados ou trabalham em outras áreas de negócios. Procuro ler todos estes comentários com especial atenção, afinal aprender é um ato contínuo para toda a vida. Estes críticos querem definir o tempo certo de liberação de um single para as rádios, também o momento ideal para se liberar (gratuitamente) uma música pro povão, a divulgação de uma capa e até mesmo o programa de TV em que se deve agendar a ida do artista. Neste caso, especialmente, é só uma questão da gravadora obrigar a produção do programa de TV para convidar o artista, simples assim.

Enfim, a web tornou-se território livre e democrático onde todos podem expor suas opiniões, desejos, postar suas fotos, expor suas vidas, comunicar-se com os amigos, e por isso mesmo, estamos sujeitos a ter que lidar com todo tipo de gente e situações. Já vivi uma fase em que me importava bastante com os comentários destes críticos, mas hoje em dia prefiro tratá-los simplesmente como uma turma de personagens inseguros que na verdade apenas gostariam de ter um pouco mais de atenção. Quando um destes comentários ultrapassam o limite mínimo de educação, respeito e bom senso, simplesmente uso a ferramenta de bloqueio ou de catapultar o referido personagem para fora de minha área. Se no mundo real isso configuraria em algum delito ou algo mais grave, no mundo cibernético é algo normal e, pra falar a verdade, bastante saudável.

Nos últimos anos tive que acudir alguns artistas que não souberam lidar bem com as críticas e acabaram entrando em crise. Devemos separar a crítica, aquela que é feita de forma educada, coerente e através de alguém que merece nosso crédito, dos simples ataques ácidos, covardes e tendenciosos. Neste caso, jamais devemos levar a sério algo que não merece ser tratado como tal. Respire, conte até 20 e depois simplesmente delete!

Vou ficando por aqui. Daqui a pouco desembarco na Cidade de Panamá onde coincidentemente neste momento está havendo a Cúpula das Américas com a presença da digníssima senhora presidente Dilma Roussef e boa parte de seus asseclas do PT. Espero sinceramente não encontrá-la deitada na praia curtindo o sol caribenho. Seria uma imagem que poderia trazer sérios transtornos à minha mente pelos próximos anos!

Enjoy!

 

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, pai, tricolor e para que não restem dúvidas: EU não votei na Dilma!!!!

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  • Lucas

    Ótimo texto! Não entendo como uma pessoa tem o trabalho de acessar a página de um cantor, apenas para o insultar. O indivíduo nem gosta do artista, é só para vomitar todo o lixo que carrega dentro de si, algo absurdo! E a desculpa sempre é a mesma “LIBERDADE DE EXPRESSÃO”. Na verdade o que falta é educação e bom senso. Se eu não admiro o trabalho do cantor X, eu simplesmente não curto, no caso do facebook, a página dele, nem sigo ele seja em qual rede social for. Ninguém é obrigado a admirar todos os trabalhos de um artista, mas educação é fundamental.

  • TheKid

    Acho que o tal do Rene Girard têm razão quando fala que a violência do ser humano aflora quando alguem vê alguem sendo feliz e deseja aquela felicidade a qualquer custo. É o tal do desejo mimético na prática. E por favor, não me julguem como especialista, só estou concordando com a opinião de dois especialistas em suas áreas, Mauricio Soares e René Girard, respectivamente. (rs)

  • Rosimery Cruz

    Muito bom!