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Observando o mercado de eventos no Brasil

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Na última edição da Revista Exame está publicada uma matéria a respeito do Rock in Rio que acontecerá em setembro deste ano novamente na cidade que deu origem ao projeto e que hoje já é uma marca consolidada de shows de sucessos internacionais. O grande destaque desta matéria é como um festival de música tornou-se num negócio internacional que movimentará mais de 125 milhões de reais em sua próxima edição no Brasil.

Os números são impressionantes! Vamos destacar alguns para que você possa entender essa operação. Estima-se em 30 milhões de reais a venda no varejo de produtos relacionados ao evento. Entre os licenciadores, marcas como Chilli Beans e Technos.

50 milhões de reais já é a receita de patrocínios junto a empresas como Coca-Cola, Itaú, Volkswagen e Claro. Outros 68 milhões de reais é a renda estimada pelos organizadores proveniente da venda de ingressos ao público. O custo total do evento está orçado em 95 milhões de reais.

O número de atrações será de 100 artistas entre solistas e bandas, nacionais e internacionais. A expectativa é de que 600 mil pessoas assistam ao vivo o evento no Rio de Janeiro.

O Rock in Rio é o festival de música com maior média de público mundial reunindo as edições do Brasil, Portugal e Espanha alcançando 93.000 pessoas. O recorde de público do Rock in Rio foi alcançado em 2001 com Red Hot Chilli Peppers.

Todas estas informações apenas reforçam a pujança do mercado de entretenimento que movimenta bilhões de dólares todos os anos. Com o crescimento da economia brasileira e a maior profissionalização dos grandes eventos, o país definitivamente entrou na rota das grandes turnês internacionais, caso recente dos pop stars Shakira e U2, que foram até recebidos pela nossa presidente Dilma Roussef.

No caso gospel, o país também segue essa mesma tendência, ou seja, a presença mais constante de artistas internacionais em terras brazucas. No início do ano tivemos um show histórico com Third Day nas areias da Praia da Costa em Vila Velha/ES para um público de mais de 70 mil pessoas. Agora em maio, Casting Crowns desembarca pela primeira vez no Brasil para a conferência Livres 2010 em São Paulo.

O próprio Third Day retorna em junho para uma série de 7 ou 8 shows pelo país e, possivelmente aproveite a oportunidade para gravar um DVD com a participação de artistas brasileiros. Outro nome que estará debutando em terras brasileiras é a banda Jars of Clay programado para Recife/PE e em maio, também pela primeira vez por aqui, chega o pop star do momento, Jeremy Camp em São Paulo. Ainda deverão vir em breve ao Brasil artistas como Kirk Franklin, Fireflight e Kerrie Roberts.

A notícia triste recente foi o cancelamento da turnê do P.O.D., mas neste caso motivado exclusivamente por problemas da própria banda e seu manager. Nada a ver com os contratantes brasileiros, muito pelo contrário.

Nestes últimos dias estive em Manaus participando do evento LouvaRei que contou com shows de Kleber Lucas, Aline Barros e uma atração local. Cerca de 20 mil pessoas estiveram presentes em plena quinta-feira no Sambódromo da capital amazonense e de lá não arredaram os pés até que a última canção fosse apresentada. Sucesso absoluto de organização e de presença de mídia, público e personalidades locais.

Conversando com pessoas da cidade, todos foram unânimes em comentar a carência da cidade em receber grandes eventos. O que mais ouvi por ali é que o público tinha poucas opções de lazer e entretenimento e que este tipo de evento era ansiosamente aguardado por todos naquela região.

Como várias outras atividades ligadas ao mercado gospel, a área de eventos é algo extremamente promissor, mas também como todo tipo de negócio necessita de planejamento, profissionalismo e organização. Infelizmente temos muitos casos de ‘promotores’ de shows evangélicos completamente despreparados contribuindo para uma imagem negativa da atividade.

Creio que hoje temos 2 ou 3 tipos de ‘promotores’ de eventos no segmento gospel. O primeiro é o aventureiro, aquela pessoa que por organizar festinhas de aniversário ou convenção de jovens na igreja local, se intitula o próprio Roberto Medina do gospel e parte para vôos mais altos. Geralmente os vôos mais altos proporcionam quedas mais abissais, catastróficas e traumatizantes! Geralmente estes ‘promotores’ não duram mais do que 2 ou 3 produções desastradas e “pedem pra sair!”.

O segundo tipo de “promotor” é aquele que conseguiu relativo sucesso nos primeiros eventos e se viu motivado a seguir na atividade. Entre sucessos e fracassos vai criando sua expertise e seguindo aos solavancos na esperança de um dia “acertar na veia!”.

O terceiro tipo de promotor de eventos (este já sem as aspas) é aquele profissional que tem um cartel de grandes eventos de sucesso no currículo. No meio gospel existem alguns eventos, poucos ainda é verdade, que já têm uma marca consolidada, um histórico de realizações. E com esses que gostaria de me alongar neste texto, pois creio que agora abre-se um novo momento, uma fase onde a chance de rentabilizar sobre a marca é infinitamente maior do que em tempos atrás.

Uma das fontes de receita dos grandes eventos é o licenciamento de sua marca. Hoje, grandes empresas buscam associação de marca com eventos de sucesso e principalmente voltados ao público jovem. O maior desafio que vejo neste momento não é mais o distanciamento de grandes corporações junto ao mercado religioso, mas sim, na qualidade da abordagem e da apresentação do evento em si por parte dos próprios promotores.

O mercado evangélico é um fenômeno social que está sendo acompanhado bem de perto pelas grandes corporações. Em pouco mais de 9 anos, estima-se que o segmento evangélico represente mais de 40% da população do país, o equivalente às populações de muito países no mundo, ou seja, um enorme mercado consumidor.

Como potencial patrocinador de eventos de música gospel, recebo quase que semanalmente projetos dos mais diferentes modelos para análise. Os projetos vão de festival de novos talentos a óperas, cantatas, feiras, exposições, shows e congressos. Como profissional de mercado, independente de minha fé, confesso que a qualidade dos projetos que me chegam às mãos são assustadoramente amadores!

É importante entender que todo profissional de marketing ao analisar um projeto de patrocínio tem alguns aspectos básicos que não pode deixar de ver com o máximo critério. Só para citar alguns, destaco que a relevância da associação da marca da empresa ao projeto de patrocínio é algo bastante importante. Para quê e porque aquela determinada empresa deve associar sua marca com o evento? O que efetivamente irá trazer de retorno comercial e institucional aquela ação?

Outro aspecto tem a ver com o público-alvo que o evento irá atingir. Será que é o mesmo público que a empresa deseja buscar para suas ações de marketing e vendas? Não adianta buscar uma empresa de alta tecnologia para patrocinar um congresso de senhoras! Há adequação entre o público do evento e a empresa patrocinadora?

A associação da marca é válida? Um dos maiores ativos de mercado hoje é a marca! Existem empresas em que sua marca é tão ou mais valiosa que os ativos fixos da companhia. E neste caso, o profissional de marketing vai analisar friamente se a participação num evento gospel vai ajudar na consolidação da marca. Eventos em primeira edição dificilmente conseguirão apoios mais consistentes do mercado, no entanto, em contrapartida, eventos com história, com edições anteriores, são bastantes atrativos para as grandes empresas.

Sinceramente creio muito neste mercado de negócios em se tratando de segmento gospel. Ainda acho que eventos consolidados do meio gospel – e posso citar uns 5 a 10 eventos desse tipo no país – ainda carecem de uma postura mais profissional na abordagem e captação de patrocinadores. Os recursos estão disponíveis e o mercado está ávido por novos nichos de negócios, o que deve ser repensado neste momento, é como será a estratégia certa para atingir essas empresas. Vamos lá! Mãos à obra!

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Mauricio Soares, publicitário, incentivador contumaz do mercado gospel, ávido por inovações, participante de eventos pelo país em busca de novidades, jornalista e atleta diletante das segundas-feiras e fim de semana.

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