Observando uma carreira artística de sucesso

Dias atrás a Sony Music, representada por diversos executivos do seu staff, fez uma justa homenagem ao cantor Roberto Carlos pelos 50 anos de carreira e a incrível vendagem de mais de 100 milhões de unidades mundialmente. Sem dúvida, o Rei, como é carinhosamente celebrado pelos seus fãs, é um dos artistas brasileiros mais importantes da MPB, não só no Brasil como também no exterior.

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Kevin Kelleher, Executive Vice President & Chief Financial Officer, Sony Music, Ryan Wright, Senior Vice President, Global Marketing, Stuart Bondell, Executive Vice President, Business & Legal Affairs, Richard Sanders, President, International & Global Marketing, Roberto Carlos, Kathy Chalmers, Executive Vice President & Chief HR Officer, Sony Music, Fernando Cabral, Vice President, Marketing, Latin Region, Alexandre Schiavo, President, Sony Music Brazil, Julie Swidler, Executive Vice President, Business Affairs and General Counsel, Sony Music and Carmine Coppola, Senior Vice President & CFO, International

Além de seu carisma, Roberto Carlos é reconhecido como um artista extremamente focado na sua carreira. Dono de grandes sucessos e de uma discografia impressionante, desde muito jovem o artista já se preocupava com a longevidade de sua carreira. Hoje quando vemos Roberto Carlos comemorar 50 anos de carreira e ainda arrastar multidões nas inúmeras apresentações que ele faz no país e no exterior, constatamos que sua pretensão de ter uma carreira sólida e de longos anos, foi extremamente vitoriosa.

Se considerarmos a volatilidade das carreiras artísticas, ainda mais hoje em tempo de celebridades instantâneas, da velocidade da web e da informação. Um artista manter-se no auge por muitos anos não é das tarefas mais fáceis.
Artistas que venderam milhões de discos depois de poucos anos de estrada, hoje vivem no mais absoluto ostracismo. A banda de rock Ultraje a Rigor, por exemplo, chegou a ter 5 singles emplacados nas paradas de sucesso (que expressão mais antiga né?) de todo o país de um mesmo álbum. Isso sem falar de grupos de pagode, outras bandas do cenário pop rock e artistas dos mais diferentes estilos. Muitos ficaram pelo caminho!
Certamente que muitos destes artistas que alcançaram o estrelato vieram baseados em uma única música e não conseguiram se sustentar na concorrida selva que é o mercado fonográfico. Outros não souberam lidar com o sucesso imediato e se envolveram em problemas com álcool e drogas. Os motivos para não se manter no topo são vários e infelizmente o que percebemos é que muitos destes artistas não tiveram um suporte adequado ou mesmo optaram por seguir sua descida ladeira abaixo de forma egoísta e independente.
Adaptando esta situação ao dia a dia do artista gospel, também convivemos com inúmeros artistas extremamente talentosos que com o passar dos anos foram perdendo sua força e representatividade no mercado. Em contrapartida, percebemos que outros nomes nem tão prodigiosos e cheios de talento musical consolidaram-se no panteão dos grandes nomes da música gospel. Qual é a fórmula do sucesso duradouro?
Por mais óbvio que possa parecer, o maior inimigo de uma carreira duradoura no meio artístico é justamente o próprio artista. Em 20 anos de mercado, já me deparei com muitos artistas que batalharam, se esforçaram, trabalharam bastante até conquistarem espaço numa gravadora de ponta e ter seu talento reconhecido e de forma meteórica se envolveram em problemas de relacionamento e de postura que atrapalharam significativamente o desenrolar de suas carreiras. É impressionante o poder destruidor de um artista que não tem a cabeça no lugar! E no meio gospel, infelizmente isso é uma constante!
Grande parte dos artistas da geração 1980 do meio gospel, que foram os pioneiros da música gospel como fenômeno de consumo, viveram o auge do mercado e receberam em troca de seus trabalhos, altíssimas somas de recursos financeiros. Nesta época, era comum trocar matrizes de LPs por carros esportivos do último tipo ou apartamentos. Infelizmente vemos hoje que muitos destes artistas simplesmente voltaram a morar de aluguel e são obrigados a cantar quase que diariamente para pagar suas contas no fim do mês. Poucos são os artistas gospel desta época que conseguiram acumular um bom patrimônio ao longo destas inúmeras oportunidades.
É muito importante que o artista pense em sua carreira como algo a ser montado em longo prazo. Hoje como diretor do projeto gospel de uma grande gravadora tenho conversado semanalmente com muitos artistas. O que observo é que a grande maioria destes, ainda não tem noção do que é uma carreira longeva de sucesso. Hoje o mercado fonográfico vive um momento especial de migração gradativa e irreversível para o modelo 360º (ver post Observatório Cristão) e o mercado digital. Ou seja, a forma da indústria e o consumidor se relacionarem com a obra do artista é hoje bem diferente de anos atrás.
Ainda ressaltando experiências do meu dia-a-dia como executivo de uma gravadora, o que vejo se repetir nas conversas com estes artistas é uma enorme ignorância sobre as inúmeras possibilidades do mercado digital e da força do mercado interiorano de shows pelo Brasil. Vejo nos olhos destes artistas uma vontade de ingressarem neste novo universo, uma enorme satisfação pelas novidades, mas quando acaba o discurso de apresentação destas inúmeras opções, a pergunta que geralmente se repete é: E eu ganharei quanto de advanced neste contrato?
Confesso que quando ouço este tipo de pergunta e vejo aflorar a mentalidade pragmática do artista, minha decepção é latente! Penso que o artista que hoje tem a possibilidade de entrar no cast de uma gravadora profissional deve agarrar esta oportunidade com toda a sua força! Hoje o modelo de negócio mudou radicalmente. É fundamental que o artista veja a gravadora como canal de distribuição e divulgação de seu trabalho, incrementando ao máximo seu trabalho e assim, conseqüentemente ampliando a sua demanda de shows.
Conheço diversos artistas do meio gospel que pela ganância e miopia de conseguirem uns míseros reais de adiantamento, optam por contratos nebulosos com gravadoras de ‘quinta categoria’. Com isso, entram num ciclo vicioso pulando de gravadora para gravadora (sempre de ‘quinta categoria’ vale ressaltar!) até chegarem a um ponto determinante de suas carreiras onde ainda poderão num último suspiro frear esta queda recomeçando um novo momento numa gravadora de qualidade ou simplesmente despencar mais ainda rumo ao ostracismo total.
A tendência mundial do mercado fonográfico para o artista neste momento é a seguinte: ou o artista mantém uma carreira de qualidade atuando de forma independente, sempre bem antenado com a velocidade das novidades web e dos novos hábitos de consumo, ou o artista está inserido numa grande gravadora capaz de divulgar e distribuir seus produtos na forma física e digital, trabalhando sua imagem e ampliando exponencialmente o alcance de sua imagem, música e talento. Para as gravadoras pequenas e de médio porte, o futuro aponta para dois caminhos distintos: absorção de seu catálogo por uma grande gravadora sendo tratada como um selo ou o simples desaparecimento do mercado. Daqui há alguns anos, vamos poder constatar a situação daqueles artistas do segmento gospel que entenderam que suas carreiras mereciam tratamento e foco especial e com isso mantiveram-se fortes e atuantes no cenário e em contrapartida observar também a situação daqueles artistas que optaram por uma administração predatória de suas carreiras. Você já pode imaginar o resultado?
Por Mauricio Soares

Se considerarmos a volatilidade das carreiras artísticas, ainda mais hoje em tempo de celebridades instantâneas, da velocidade da web e da informação. Um artista manter-se no auge por muitos anos não é das tarefas mais fáceis.

Artistas que venderam milhões de discos depois de poucos anos de estrada, hoje vivem no mais absoluto ostracismo. A banda de rock Ultraje a Rigor, por exemplo, chegou a ter 5 singles emplacados nas paradas de sucesso (que expressão mais antiga né?) de todo o país de um mesmo álbum. Isso sem falar de grupos de pagode, outras bandas do cenário pop rock e artistas dos mais diferentes estilos. Muitos ficaram pelo caminho!

Certamente que muitos destes artistas que alcançaram o estrelato vieram baseados em uma única música e não conseguiram se sustentar na concorrida selva que é o mercado fonográfico. Outros não souberam lidar com o sucesso imediato e se envolveram em problemas com álcool e drogas. Os motivos para não se manter no topo são vários e infelizmente o que percebemos é que muitos destes artistas não tiveram um suporte adequado ou mesmo optaram por seguir sua descida ladeira abaixo de forma egoísta e independente.

Adaptando esta situação ao dia a dia do artista gospel, também convivemos com inúmeros artistas extremamente talentosos que com o passar dos anos foram perdendo sua força e representatividade no mercado. Em contrapartida, percebemos que outros nomes nem tão prodigiosos e cheios de talento musical consolidaram-se no panteão dos grandes nomes da música gospel. Qual é a fórmula do sucesso duradouro?

Por mais óbvio que possa parecer, o maior inimigo de uma carreira duradoura no meio artístico é justamente o próprio artista. Em 20 anos de mercado, já me deparei com muitos artistas que batalharam, se esforçaram, trabalharam bastante até conquistarem espaço numa gravadora de ponta e ter seu talento reconhecido e de forma meteórica se envolveram em problemas de relacionamento e de postura que atrapalharam significativamente o desenrolar de suas carreiras. É impressionante o poder destruidor de um artista que não tem a cabeça no lugar! E no meio gospel, infelizmente isso é uma constante!

Grande parte dos artistas da geração 1980 do meio gospel, que foram os pioneiros da música gospel como fenômeno de consumo, viveram o auge do mercado e receberam em troca de seus trabalhos, altíssimas somas de recursos financeiros. Nesta época, era comum trocar matrizes de LPs por carros esportivos do último tipo ou apartamentos. Infelizmente vemos hoje que muitos destes artistas simplesmente voltaram a morar de aluguel e são obrigados a cantar quase que diariamente para pagar suas contas no fim do mês. Poucos são os artistas gospel desta época que conseguiram acumular um bom patrimônio ao longo destas inúmeras oportunidades.

É muito importante que o artista pense em sua carreira como algo a ser montado em longo prazo. Hoje como diretor do projeto gospel de uma grande gravadora tenho conversado semanalmente com muitos artistas. O que observo é que a grande maioria destes, ainda não tem noção do que é uma carreira longeva de sucesso. Hoje o mercado fonográfico vive um momento especial de migração gradativa e irreversível para o modelo 360º e o mercado digital. Ou seja, a forma da indústria e o consumidor se relacionarem com a obra do artista é hoje bem diferente de anos atrás.

Ainda ressaltando experiências do meu dia-a-dia como executivo de uma gravadora, o que vejo se repetir nas conversas com estes artistas é uma enorme ignorância sobre as inúmeras possibilidades do mercado digital e da força do mercado interiorano de shows pelo Brasil. Vejo nos olhos destes artistas uma vontade de ingressarem neste novo universo, uma enorme satisfação pelas novidades, mas quando acaba o discurso de apresentação destas inúmeras opções, a pergunta que geralmente se repete é: E eu ganharei quanto de advanced neste contrato?

Confesso que quando ouço este tipo de pergunta e vejo aflorar a mentalidade pragmática do artista, minha decepção é latente! Penso que o artista que hoje tem a possibilidade de entrar no cast de uma gravadora profissional deve agarrar esta oportunidade com toda a sua força! Hoje o modelo de negócio mudou radicalmente. É fundamental que o artista veja a gravadora como canal de distribuição e divulgação de seu trabalho, incrementando ao máximo seu trabalho e assim, conseqüentemente ampliando a sua demanda de shows.

Conheço diversos artistas do meio gospel que pela ganância e miopia de conseguirem uns míseros reais de adiantamento, optam por contratos nebulosos com gravadoras de ‘quinta categoria’. Com isso, entram num ciclo vicioso pulando de gravadora para gravadora (sempre de ‘quinta categoria’ vale ressaltar!) até chegarem a um ponto determinante de suas carreiras onde ainda poderão num último suspiro frear esta queda recomeçando um novo momento numa gravadora de qualidade ou simplesmente despencar mais ainda rumo ao ostracismo total.

A tendência mundial do mercado fonográfico para o artista neste momento é a seguinte: ou o artista mantém uma carreira de qualidade atuando de forma independente, sempre bem antenado com a velocidade das novidades web e dos novos hábitos de consumo, ou o artista está inserido numa grande gravadora capaz de divulgar e distribuir seus produtos na forma física e digital, trabalhando sua imagem e ampliando exponencialmente o alcance de sua imagem, música e talento. Para as gravadoras pequenas e de médio porte, o futuro aponta para dois caminhos distintos: absorção de seu catálogo por uma grande gravadora sendo tratada como um selo ou o simples desaparecimento do mercado. Daqui há alguns anos, vamos poder constatar a situação daqueles artistas do segmento gospel que entenderam que suas carreiras mereciam tratamento e foco especial e com isso mantiveram-se fortes e atuantes no cenário e em contrapartida observar também a situação daqueles artistas que optaram por uma administração predatória de suas carreiras. Você já pode imaginar o resultado?

Por Mauricio Soares

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