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Novo Observatório Cristão!

Não! Você não errou de lugar … este é mesmo o nosso tradicional e amado blog Observatório Cristão, só que com cara nova e muitas novidades. Estamos caminhando para o décimo segundo ano deste espaço e especialmente nos últimos tempos contamos com a prestigiosa parceria com o escritório de marketing Eudesign de Goiânia, meu querido amigo Jeferson Baick e equipe, que sempre apoiaram este dileto projeto. Como não consigo dar a devida atenção ao blog, infelizmente ficamos muito tempo sem uma mudança no visual e nas ferramentas, mas agora em que cada vez mais estou ciente de que devo dedicar mais minha atenção à área de palestras, consultoria e mentoria, obrigatoriamente deverei levar este espaço mais a sério como, de fato, ele merece e, claro, nossos incansáveis 69 leitores. Pelo menos esta é minha expectativa …

Começo a escrever este texto numa hora e lugar bem inusitados … acabei de desembarcar em Miami e neste momento, pontualmente às 5h21 encontro-me sentado no saguão da área de Rent a Car aguardando a chegada de um amigo “paulista” que vem do Brasil em outro vôo cerca de 2 horas mais tarde. Então, aproveitando este enorme tempo ocioso tentarei escrever mais um texto.

Outro dia destes em meu Instagram postei uma foto de um aparelho de toca CDs que encontrei em um quarto de hotel. Como sempre, não perdi a oportunidade para registrar o ‘encontro’ surpreendente e aproveitei para aludir a respeito da nova forma de consumo da música, o streaming. Como em todas minhas postagens que referem à música, inclui a hastag “vemprostreaming”, que tornou-se uma de minhas marcas registradas. Horas depois, quando fui conferir os comentários e o alcance daquela postagem me deparei com umas 2 mensagens não muito simpáticas a mim e pior ainda ao consumo de música pelo streaming. Os rapazinhos cheios da coragem que as redes sociais parecem suscitar, levantaram-se como paladinos da tradição e história do consumo de música através de CDs e DVDs. Opiniões divergentes fazem parte do game … das redes sociais … do nosso dia a dia, afinal vivemos numa democracia e precisamos respeitar opiniões contrárias. Até aí tudo bem … o problema passa a existir quando estes rapazinhos confundem seus hábitos e preferências pessoais, com as tendências inequívocas do mercado e da sociedade como um todo.

Vou explicar mais uma vez pra que você não tenha o menor risco de dúvida: a música digital chegou, substituiu os formatos físicos e não perderá mais espaço para outra modalidade de consumo de música baseada nos conceitos de posse, que seja físico ou que não permita ao consumidor o pleno controle de sua vontade, nos próximos 10 anos, no mínimo. Estima-se que no Brasil, entre 2018 e 2019, a indústria fonográfica fature acima de 1 bilhão de reais, o maior resultado histórico de todos os tempos. Isso é incrível! E nunca na história do planeta Terra, consumiu-se tanta música! Então, estamos diante de uma transformação irreversível, quer você concorde ou não!

Quero me ater a partir de agora destacando uma importante mudança a partir da transição do formato físico para o digital. Quando ainda vivíamos a realidade dos CDs e DVDs, o público tinha muito menor poder de decisão. Aos consumidores era oferecida apenas uma opção: Compre o CD! Mesmo que este produto contivesse apenas uma única música que o agradasse de verdade. Não importava! Se você queria ter a posse daquela música, deveria comprar o pacote todo. Claro, se você não optasse pelo mercado pirata onde teria mais liberdade na montagem de seu disco escolhendo faixa a faixa de sua preferência e artistas. De alguma forma, estes profissionais do mercado paralelo de consumo de música, foram de certo modo precursores das playlists que tempos depois tornaram-se tendência nos formatos digitais. Mas seguindo com a ideia do consumidor, vale ainda ressaltar que muitas das vezes o custo para se adquirir o disco chegava a preços exorbitantes, o que mais uma vez, abria espaço para os famigerados profissionais do mercado paralelo de consumo de música, em outras palavras, o “pirateiro” … que inclusive no meio gospel fez muitos estragos por mais que a própria indústria insista em afirmar que esta prática ilegal não nos afetou como no mercado secular, uma grande mentira!

Hoje em dia, o consumidor tem pleno controle da situação e isso traz de forma inerente uma série de pontos de atenção para os artistas, mídias e para a própria indústria em si. Arrisco a dizer que nunca na história das sociedades, o consumidor se colocou numa posição tão poderosa, tão cheia de atitude e com tanto poder de decisão. Para os usuários de música através dos apps de áudio streaming, a facilidade em dar um SKIP e mudar de faixa é absurdamente simples, tranquila, sem maiores traumas. Voltando ao tempo remoto do CD e DVD, quem nunca se forçou a ouvir um disco e garimpar por mais faixas que tivessem qualidade para que sua compra não se tornasse uma grande frustração? Eu mesmo posso afirmar categoricamente que forcei uma barra pra ouvir algumas vezes um determinado disco porque paguei por aquele produto e deveria fazer valer cada centavo investido! Imagino que isso não tenha acontecido só comigo … a verdade é que para quem já está inserido no ambiente digital, o consumo de música se tornou algo realmente prazeroso e uma experiência sempre positiva, porque se não for, ninguém precisa de terapeuta ou psicólogo, basta apertar um botão e saltar para a faixa seguinte, simples assim!

Seguindo esta mesma linha de raciocínio, o usuário digital de música que tem um pouco mais tempo e dedicação, pode ele mesmo ser o curador de uma playlist. Para quem ainda não teve esta oportunidade, sugiro que a faça o quanto antes. É uma diversão maravilhosa! Em meus momentos de lazer procuro atualizar minhas playlists, criar novos repertórios e pesquisar por artistas e novidades. Este garimpo é algo sensacional e permite ao consumidor ter o controle total do conteúdo que irá consumir. Ah, lembrando aos artistas, que nos modos Off Line (Premium) e mesmo em Playlists a monetização segue normalmente, ou seja, basta que o consumidor ouça sua música por no mínimo 30 segundos para que gere um valor pra sua conta.

Dentro do atual conceito de que o “consumidor é o cara!”, todos nós envolvidos com a indústria da música precisamos mudar por completo nossas atitudes, estratégias e expectativas. E esta mudança começa pela necessidade dos artistas em manter a atenção do consumidor para seus conteúdos. E como se faz isso? Principalmente através de suas redes sociais onde o artista deve de forma bem criativa falar constantemente de suas músicas, projetos e lançamentos. Inclusive falamos sobre este tema em alguns dos nossos últimos textos aqui publicados, vale a pena pesquisar. Outro dia tirei um tempo para analisar as redes sociais de 20 artistas de forma aleatória. Ou seja, não me ative a artistas do cast Sony Music, simplesmente listei 20 artistas e fui pesquisar suas respectivas redes sociais. Em resumo, o resultado foi bem desalentador do ponto de vista do engajamento dos artistas para a divulgação de seus conteúdos. Algo como 70% dos artistas simplesmente não comentaram NADA de música em suas últimas 2 semanas de postagens. Tinha de tudo pelas redes, dotes culinários e pratos incrementados prestes a serem devorados, frases de auto-ajuda, indiretas sutis (ou nem tanto!), fotos de carão, bocão, cabelão, no melhor estilo ‘modelete’, jabás, merchandising e afins, imagens de eventos, encontros fortuitos em aeroportos, imagens da família, enfim, uma infinidade de assuntos, mas uma escassez completa de postagens relacionadas à música! Acredite se quiser! Então, se vivemos o desafio de reter a atenção do consumidor, como alcançar este objetivo se sequer mencionamos de nossos conteúdos artísticos nas próprias redes sociais? Me parece difícil … praticamente impossível! E aí não adianta transferir a responsabilidade para a gravadora, selo ou algo que seja, porque esta tarefa é única e exclusivamente da parte do próprio artista … péraí vou repetir e frisar para que não fique qualquer dúvida sobre o que estou afirmando: a responsabilidade de divulgar os conteúdos artísticos é uma atribuição prioritária do próprio artista que deve se tornar rotina, algo cotidiano e realizada de forma criativa e atraente para reter a atenção do consumidor em todo o tempo!

O consumidor hoje é como dizia aquele velho samba em referência ao dinheiro … “é vendaval”, ou seja, ele muda seu foco como o vento. Basta uma nova canção, uma nova campanha, um novo lançamento, uma nova promoção, para que ele se torne o fã número 1 de uma canção, abandonando a paixão anterior. Sim, isso é fato! Não é metáfora! Basta analisarmos o desempenho de streams de alguns dos lançamentos dos últimos meses. Na mesma velocidade em que algumas faixas surgiram e atingiram resultados incríveis de consumo, nas semanas seguintes, estas mesmas faixas despencaram ladeira abaixo nos rankings de consumo de música. Semanalmente acompanho o Top3000, ranking que inclui as faixas mais executadas em streams no Brasil, entre os segmentos nacionais e internacionais, gospel e secular. Especialmente nas últimas 8 semanas estamos com uma quantidade de faixas de música gospel neste segmento estável, algo como 60 a 70 canções, o que demonstra que mesmo com o grande número de lançamentos semanais, poucas são as faixas que após seu lançamento conseguem permanecer neste seleto grupo. Explicando melhor, entre estas 60 faixas em média, algo como 40 canções se mantém firmes no ranking semana após semana, já outras 20 a 30 se revezam num entra e sai constante. Ou seja, os artistas precisam seguir trabalhando suas faixas mesmo após o lançamento, mesmo após o frenesi dos primeiros dias. Este é um detalhe que precisa ser observado pelos artistas e vou destacar mais uma vez para que fique claro a importância da informação. O trabalho de lançamento de uma faixa é tão importante como o trabalho de manutenção desta mesma faixa! Não se pode trabalhar com foco apenas no pré-lançamento e depois por mais 2 ou 3 dias da faixa chegar às plataformas. O trabalho deve ser mantido no mínimo até o lançamento de uma próxima faixa! Estejam atentos a esta dica!

O consumidor deve ser observado! A utilização das diversas ferramentas deve ser base diária do trabalho do artista. Ferramentas como o Spotify for Artists devem ser utilizadas da mesma forma como escovamos os dentes, tomamos banho e nos alimentamos. É dessa forma mesmo! É algo de consulta diária e as informações ali contidas precisam ser interpretadas e analisadas por profissionais capacitados (este é o mundo ideal!), mas não contando com esta assessoria, o artista deve acompanhar a curva de consumo, estabelecer metas de crescimento e analisar performances. O consumidor não deixa dúvidas se gostou ou não da música. Não deixa dúvidas de seu engajamento ou não. Ele responde de imediato às postagens e campanhas dos artistas, portanto é fundamental que o artista esteja permanentemente provocando seu público a interagir e demonstrar suas opiniões.

Meu amigo “paulista” está demorando …

Por fim, o consumidor reage! Sim, ele é extremamente suscetível a provocações e as redes sociais são o terreno propício para esta interação. O artista precisa, como o próprio termo define, se tornar sociável nas redes, ou seja, não há mais espaço para o monólogo onde o artista em seu pedestal manda suas notícias, impõe suas necessidades e pede para que todos se envolvam. Isso já não funciona mais! O artista que quer reações do público em prol de seus objetivos e projetos, deve manter permanentemente o canal de comunicação com o consumidor. Não pega bem mais hoje em dia aquele artista que fica “simpático” somente em época de lançamentos. O consumidor já não interage com o artista que não responde, que não promove uma aproximação, que não é gente normal … é impressionante esta mudança! Artistas que naturalmente mantém uma relação social com o público em todo o tempo, têm suas campanhas com muito maior eficácia do que aqueles que só aparecem em época de lançamento repetindo o que fazem os políticos em época de campanha. Portanto, em todo o tempo, mantenha-se próximo do público!

Ficamos por aqui, espero que curtam o novo Observatório Cristão. Imagino que teremos mais novidades em breve! Enquanto isso, vamos buscando tempo e inspiração para publicar novos textos! E eu, sigo aqui esperando meu amigo “paulista”… o cara deve ter se perdido! Rs

Enjoy!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém entusiasmado com o mercado da música, com novas tecnologias e possibilidades deste mercado!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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