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Olhando para o futuro. Preparando-se no presente.

Uma das perguntas mais recorrentes que tenho recebido nos últimos dois anos tem a ver com a continuidade, com o futuro do mercado fonográfico. Recordo-me que anos anteriores, na mudança da mídia LP para o CD, muitas pessoas também faziam projeções mirabolantes e assustadoras do que seria o futuro da música. Depois com a chegada da internet, mais uma vez os arautos do apocalipse já previam o extermínio das gravadoras e de inúmeras outras formas de entretenimento como o cinema, rádio e a própria TV.
Dias atrás passei uma semana em contato direto com lojistas, profissionais, artistas, público consumidor, mídias e todo tipo de gente durante a Expo Cristã. O evento consegue reunir em um mesmo espaço, pessoas dos mais diferentes estilos, interesses, expertises e pontos de vista. Acho muito importante estar presente em eventos como a Expo Cristã, mesmo que sejam dias de extremo cansaço e dedicação. E na Expo, pude observar a entrada de novos players no meio fonográfico gospel, a consolidação de outras empresas, o desaparecimento de alguns selos e gravadoras, a mudança de postura de outras. A verdade é que temos diferentes estratégias, opiniões, atitudes, visões e posturas entre as empresas, mesmo que todas estejam atuando num mesmo mercado.
Como bom e atento observador, também tive a oportunidade de conversar e ouvir opiniões de profissionais sobre o que estão pensando a respeito do mercado fonográfico em nosso meio. Da mesma forma, as opiniões são absurdamente divergentes, mesmo numa roda de amigos. O certo é que, na minha modesta opinião, temos pontos de vista tão diferenciados que fica praticamente impossível traçar uma tendência para o futuro apenas levando-se em consideração as opiniões de quem hoje está à frente desse mercado.
Não creio que o nosso mercado fonográfico sucumbirá como a cidade de Pompéia, destruída do dia para a noite por um enorme cataclisma. Também não creio que estejamos espiritualmente protegidos de toda maldição da falência, da perda de vendas ou da mudança de hábitos dos consumidores. Conversando com alguns profissionais do mercado secular fonográfico, está cada vez mais claro para todos que o Brasil ainda não tem a mínima noção da grandiosidade e possibilidades do mercado digital. Ou melhor, já começamos a ter essa visão do que pode ser, mas ainda não conseguimos vislumbrar até onde podemos chegar!
Infelizmente, ao caminhar pela Expo, vi muitas empresas do nosso segmento ainda vivenciando esse modelo antigo e ultrapassado de mercado fonográfico. Me assustei ao ver alguns profissionais ainda raciocinando no antigo modelo de negócio baseado na produção de CDs, vendas, marketing, distribuição e promoção. Posso alertar a todos que este modelo já está antiquado, retrógrado e a cada dia que passa, mais perto do fim. O novo modelo de mercado fonográfico digital está focado em novos hábitos de consumo, agilidade, interação, portabilidade, vídeo, mobile e marketing digital tendo as redes sociais como principal ferramenta.
É importante também destacar que não só boa parte das gravadoras gospel ainda seguem nesse modelo do século passado, mas também artistas e profissionais de mídia estão bastante desatualizados sobre essas novas tendências do mercado fonográfico. Neste novo ambiente, cada vez mais as empresas precisarão conhecer os hábitos de consumo de seus clientes. Cada vez mais os profissionais de marketing serão obrigados a trabalhar com gráficos, informações, pesquisas. O feeling, em grande parte, será substituído pelas tendências apontadas em pesquisas. Ferramentas e métricas serão cada vez mais utilizadas no dia a dia das gravadoras.
Nos EUA, no ano passado, pela primeira vez na história, as vendas digitais (52%) ultrapassaram as vendas físicas (48%). Estudiosos garantem que dificilmente esta tendência se reverterá nos próximos anos na terra do Tio Sam. O mercado digital só cresce! No Brasil, as vendas digitais vêm crescendo ano a ano e já em 2012 deverão representar uma importante fatia do faturamento do mercado nacional. E este crescimento é até fácil de entender. Se antigamente, tínhamos cerca de 3.000 pontos de venda de CDs no Brasil, hoje temos mais de 200 milhões de usuários de celulares, potencialmente consumidores de música e conteúdo digital. Além disso, a nova geração de consumidores já chega ao mercado completamente ambientada às novas tecnologias. Um adolescente hoje já chega ao mercado com hábitos de consumo definidos como a agilidade, impulsividade, modismos e redes de relacionamentos bem definidos, com linguagem própria e enorme poder de mobilização.
E as gravadoras do segmento gospel precisam estar atentas a estas mudanças! Há algumas poucas décadas atrás, quando a inflação no país galopava a 76% por mês, o governo baixou uma série de medidas que transformaram a economia. O Plano Real trouxe estabilidade ao nosso país e também contribui decisivamente para uma série de mudanças nos hábitos de consumo da população brasileira. Naquele momento, as empresas, inclusive as que atuavam no meio evangélico, precisaram mudar por completo suas formas de agir e entender o mercado. De igual forma, neste momento é necessária essa mudança na forma de pensar o mercado, em especial no segmento fonográfico. E temo, que estas adequações, estas mudanças de enfoque e atuação, devam ser efetivadas num tempo mais imediato do que boa parte dos profissionais e empresas do nosso segmento estejam pensando. Infelizmente creio que muitas empresas ficarão pelo caminho pela simples inércia!
Ainda na Expo, vi muita gente vendo, pensando, agindo como se o mercado tradicional fonográfico gospel estivesse alheio às mudanças mundiais. Para estes, asseguro que as transformações serão bastante intensas e realmente acredito que trarão resultados desastrosos para quem não estiver preparado. As mudanças são inevitáveis, a diferença está somente em como os profissionais que atuam no meio gospel as enfrentarão. Neste momento, em uma fria análise, posso dizer que os prognósticos não os mais alvissareiros. Temo pelo que teremos pela frente e de como as empresas e profissionais estarão preparados para essa nova dinâmica do mercado digital.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, sobrevivente do mercado fonográfico, entusiasta do mercado gospel tupiniquim.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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