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Os gringos querem vir ao Brasil …

Neste momento estou em um quarto de hotel na cidade de Saint Louis, estado do Missouri, EUA. Estou participando de mais uma convenção da CBA, a associação de livreiros e mercado cristão norte americana. Esta é a minha oitava participação neste evento que ao longo destes anos viveu a opulência da economia da terra do Obama e mais recentemente sofre com as dificuldades que praticamente estagnaram o país nos últimos 3 anos.
A feira em si, mantém-se no mesmo perfil de tempos anteriores. É interessante como os stands são práticos e simples. Não há por aqui nenhum espírito de competição entre os expositores. Basicamente os espaços são de 20 a 30 metros quadrados, tudo muito frugal, direto, desprovido daquelas megaestruturas que vemos nas feiras do segmento pelo Brasil, algo meio carnavalesco e kitsch até. Basicamente, a CBA é uma feira de negócios e o objetivo único de boa parte dos participantes é apresentar seu produto e realizar bons negócios. As reuniões acontecem a todo momento e é interessante ver o corre corre pelas ruas da CBA de pessoas seguindo de uma para outra reunião. Os brasileiros em especial chamam a atenção porque cria-se neles uma preocupação quanto à pontualidade, algo que sinceramente não vemos o mesmo acontecendo no nosso país.
E seguindo essa mesma cultura de várias reuniões durante a CBA, no primeiro dia do evento participei de alguns encontros. E entre tantas conversas, uma em especial me chamou a atenção e será o mote do texto que iremos desenvolver nessa manhã ensolarada na cidade onde se forma o Rio Mississipi, o segundo maior em extensão dos Estados Unidos. A reunião em questão foi com dois representantes de uma empresa de assessoria a artistas. Uma espécie de empresa de management, responsável por cuidar da carreira e principalmente da agenda de shows e eventos de artistas. No cast, cerca de 25 artistas dos mais variados tamanhos e estilos. A lista tem nomes como Leeland, Casting Crowns, Britt Nicolle, Kari Jobe, Sandi Patty, Twilla Paris, Building 429, Newsboys, entre outros.
E a reunião basicamente foi focada em como poderemos trabalhar em conjunto para que estes artistas possam ter presença mais constante no Brasil. E, ressalte-se, shows com maior organização, qualidade e resultados favoráveis. É notório que o Brasil vem exercendo uma atenção cada vez maior aos artistas do segmento gospel. O mesmo fenômeno já se percebe no show business secular nos últimos 5 anos com a presença constante em nossas terras de artistas do primeiro time da música mundial. A maior reclamação dos managers dos artistas gospel internacionais tem a ver com a organização dos eventos realizados no Brasil. Ficou claro que eles pretendem cada vez mais marca presença em nosso país, mas neste momento eles estão à procura de produtores locais que garantam o mínimo de segurança e qualidade em suas turnês. E este é um problema que realmente temos em nosso país.
Então, temos uma oportunidade neste momento para quem pretende seguir na área de realização de grandes shows internacionais e turnês. Os artistas querem trabalhar mais forte em nosso país. Só precisam ter segurança de que temos condições de desenvolver algo mais profissional e organizado. E essa ‘profissionalização’ do mercado de eventos no meio gospel brasileiro não depende tão somente dos promotores, mas em boa parte do próprio público cristão. Digo isto porque criou-se uma cultura – que julgo estar sendo modificada pouco a pouco – onde evento gospel não pode ter custo superior a 15 reais de ingresso, quando não, ser mesmo com entrada franca. E este conceito acaba criando um círculo vicioso onde o público paga pouco e recebe em troca, artistas de menor expressão, muitas das vezes sem qualquer estrutura de show, iluminação, palco, segurança … tudo extremamente simples e sem qualidade. E essa cultura acaba emperrando o desenvolvimento de um conceito de eventos de melhor qualidade no melhor estilo “efeito tostines” onde o público paga pouco e recebe em troca shows pobres e os shows são pobres porque o público paga pouco!
Precisamos romper com essa cultura de não-valorização para os eventos de música gospel! E este rompimento passa diretamente por uma maior disposição do público em investir em eventos com tickets mais caros e em contrapartida, nos promotores em oferecer melhores estruturas para acolher os consumidores, na melhor apresentação dos palcos, divulgação e principalmente na escolha das atrações. O mercado publicitário também precisa estar atento a esta nova oportunidade. Não podemos esquecer que o segmento evangélico continua crescendo no país e é hoje um importante mercado consumidor. E não somente de produtos direcionados, mas também de serviços e bens de consumo. É impressionante como as empresas de telefonia móvel e de refrigerantes, para citar apenas algumas, insistem em fechar os olhos para este público.
Como terei mais uma maratona de reuniões neste segundo dia, vou despedindo-me agora. Se tiver disposição, hoje ainda irei escrever um pouco mais sobre a figura do manager. Acho que os artistas do meio gospel brasileiro precisam urgentemente mudar suas mentalidades e passarem a considerar com máxima urgência a presença de um profissional de gerenciamento de carreira em suas respectivas estruturas, mas isso é papo para outro texto.
Abraços,

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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