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Pela última vez vamos explicar o óbvio, se preciso irei desenhar!

Muitas e muitas semanas depois, eis que me encontro diante do meu computador para voltar a escrever um novo texto para o blog. Na verdade, não deixei de dedicar-me a atualizar este espaço por falta de assunto, muito pelo contrário! Nestes últimos 60 dias, em especial, tivemos muitas novidades, muitas mudanças e até mesmo, a chegada de novos players ao tão concorrido mercado digital. O que aconteceu comigo foi nada mais, nada menos do que a falta de parar e escrever … simples assim! Chego ao fim de 2018 completamente estafado, no meu limite físico e muito além do suportável em termos mentais, ou seja, preciso mesmo de férias e espero em meu período de ócio, trabalhar muito escrevendo conteúdos para o Observatório Cristão. Afinal, a gente descansa exercitando a mente … rs

No dia 31 de outubro conseguimos reunir mais de 400 pessoas para nosso tradicional Treinamento Digital Sony Music. Em mais de 7 horas de palestras conseguimos dar um completo overview do mercado digital no Brasil e no mundo, além de atualizar a todos sobre as tendências, estratégias e ferramentas das plataformas de áudio e vídeo streaming, além das redes sociais. Tivemos a presença de alguns dos mais importantes profissionais do mercado digital no Brasil dando palestras incríveis, muita informação e muitos conteúdos inéditos e exclusivos. Durante o Treinamento apresentamos alguns dados do mercado da música no Brasil … e os números são alvissareiros, muito positivos mesmo! Por exemplo, o Brasil assumiu a 9ª posição entre os mais importantes mercados de música no mundo, crescendo 2 posições no último ano. A América Latina foi a região no mundo com maior crescimento em receita no mercado fonográfico, e o Brasil lidera a região com mais de 1 bilhão de reais de faturamento em 2017 (dados do IFPI).

Seguindo com os números … no mundo, o crescimento do streaming foi de 41% em contraste com a queda no consumo de produtos físicos da ordem de 5% e do download em 20%. Já o crescimento da receita digital no mundo foi de 19%, um resultado incrível! Se o cenário mundial é positivo, em nossas cercanias os resultados são absurdos! A receita de streaming no Brasil cresceu 64%, bem acima da média global. Já as vendas físicas – pra desespero de alguns aficionados pelos CDs e DVDs – despencaram impressionantes 56%, enquanto que o download caiu 31% em receitas. Já o faturamento digital no Brasil cresceu 46%, mais do que o dobro da média mundial. Ou seja, os números apontam para a transição completa do mercado da música no Brasil em 2018. As expectativas apontam que neste ano, as receitas do mercado fonográfico seguirão crescentes na ordem de 30% sobre o último ano e que as receitas digitais corresponderão a 99% do faturamento do mercado no Brasil. Especificamente no caso da empresa da qual trabalho, esta tendência já prova ser uma realidade. Estamos com cerca de 99,2% das receitas digitais contra 0,8% de produtos físicos. Em 2017 lançamos 328 projetos, sendo apenas 2 títulos com produtos físicos. Em 2018, chegaremos muito possivelmente a 450 lançamentos entre álbuns, singles, EPs e Lyric Videos e neste mesmo período lançamos apenas 1 único projeto no formato físico, a saber: o CD/DVD “Imaginaline” da Aline Barros. Ou seja, crescemos muito em resultados e praticamente mudamos o mindset do negócio. Usando um termo mais comum a nós cristãos, promovemos uma verdadeira ‘metanóia, uma mudança completa da mente, das estratégias, das expectativas e principalmente das ações.

Dias atrás resolvi ir a campo para fazer algumas pesquisas. Neste caso, o campo seria o digital, mais especificamente as redes sociais, o que para muitos é o verdadeiro campo minado, local de batalhas sangrentas, opiniões as mais tresloucadas e non sense possível, ou seja, um lugar pra se pisar com cuidado. Então, como um verdadeiro antropólogo resolvi fazer uma imersão no meio do público. Minha estratégia ‘meio suicida’ foi começar a postar textos no Twitter e Instagram abordando a questão do consumo de música, inclusive deixando claro de que o consumo de música através de CDs e DVDs beirava a mais absoluta falta de coerência e explicação. Fui muito enfático de que o consumo de música pelas plataformas digitais era uma questão irreversível e que não possui qualquer ponto negativo se comparado ao tradicional (antiquado, na verdade) modelo de produtos físicos. Fiz uns 6 a 7 posts a respeito e fiz questão de interagir ao máximo com o maior número de comentários surgidos em meu perfil.

Felizmente, a imensa maioria dos comentários foi positiva e bem humorada. Sempre faço questão de colocar algum tipo de sarcasmo em minhas postagens, mesmo em se tratando de temas mais sérios ou polêmicos e, como reciprocidade, também recebo muitos comentários super criativos e humorados de volta. No entanto, em meio a isso tudo, alguns comentários me chamaram a atenção por alguns motivos. Boa parte daqueles que defenderam o indefensável eram pessoas jovens … o que contradiz a máxima de que o formato físico ainda se mantém firme e forte entre aqueles acima de 45 anos. Em minhas redes encontrei moçoilos de 14 anos cheios de opinião e atitude (bem típico do ambiente das redes sociais onde a coragem se torna mais presente) tecendo loas ao consumo de CDs … os argumentos eram os mais variados e todos com uma profundidade de meio palmo de terra, enfim, facilmente confrontados com dois ou três argumentos realistas e exatamente isso foi feito um a um. Entre os argumentos dos meninotes, alguns gostaria de destacar …

“Eu gosto de ler os encartes, as fichas técnicas, ver as fotos” – sem dúvida, os produtos físicos e, aí eu destaco principalmente os LPs, de fato contavam com espaço para maiores informações do projeto e dos profissionais envolvidos e claro, fotos dos artistas em sessões exclusivas. No entanto, o digital também pode proporcionar estas mesmas experiências. Só que em vez do papel, os artistas podem tranquilamente fornecer estas informações através de suas redes sociais ou sites oficiais. Os artistas ainda não têm este tipo de atitude padrão, mas é uma simples questão de inserir esta atitude aos novos hábitos. Inclusive estarei sugerindo este tipo de informação para os artistas e projetos que estaremos lançando em 2019.

“Eu gosto de cheirar o encarte, manusear o produto em mãos” – aí é caso de se buscar um terapeuta, um tratamento ou algo do tipo. Até porque o cheiro de tinta dos encartes não é nada agradável, mas como dizem: tem maluco pra tudo! Ainda falando de embalagem … quer coisa mais chata do que aquela estrutura de acrílico que sempre quebrava no miolo em que se encaixava o disco? E para abrir aquele plástico? Havia técnicas muito próprias como o uso da tampa da caneta e até mesmo aquele brinde que tinha um sistema de navalhas pra abrir as embalagens. Uma experiência incrível, sem dúvida …

“Não tenho dinheiro pra ficar pagando pelos aplicativos!” – a questão financeira vira e mexe surge nestes debates e aí, com a simples informação de que tanto no Spotify quanto na Deezer há assinaturas gratuitas, a conversa já cessa e o interlocutor fica com a cara do jogador Marinho (não me lembro o clube em que ele jogava à época) ao fim de uma entrevista em que infantilmente ganhou um cartão amarelo e por isso, ficou fora de um importante jogo na sequência, ou seja, cara de bobo. E tem ainda mais um argumento ‘vencedor’ nesta questão de grana … se antes o consumidor comprava um CD (original, né? Sempre! Ou será que os crentes compravam CD pirata? Será mesmo? Acho que não …) pelo valor de 16, 18 e até 25 reais … hoje com um valor de R$ 16,90 ele não tem acesso apenas às 10 faixas de um disco, mas a todo um acervo de 50 milhões de músicas e que a cada semana recebe mais e mais lançamentos de artistas do mundo todo. Ou seja, não basta ter mais do que 2 anos de idade pra entender que simplesmente não há comparação entre as modalidades de consumo de música.

“Eu gosto de colecionar CDs e DVDs” – pois é, eu gostava de colecionar réplicas em miniatura de bicicletas. Cheguei a ter mais de 150 bikes nos mais diferentes formatos, tamanhos e procedência, várias de outros países além do Brasil. Até que eu achei que já estava demais … estava difícil guardar todas, expô-las e ainda pior, mantê-las limpas e organizadas. Em minha sala de trabalho cheguei a ter algo em torno de 4 mil CDs e DVDs a ponto de criar uma verdadeira ‘muralha da China’ que me impedia de usufruir a belíssima vista de minha sala … no caso das bikes, resolvi doar algumas que eu tinha repetidas, me desfiz de algumas que estavam danificadas e decidi não comprar mais nenhum exemplar (minha esposa amou a ideia!). Já na questão dos produtos físicos, eu simplesmente eliminei todos de minha sala … não tive o menor apego a tantos e tantos produtos que foram lançados por mim ao longo de tantos e tantos anos, pelo simples motivo: ocupavam espaço e todos aqueles conteúdos eu tinha através dos apps de áudio streaming. Se você é destes que se apegam à coleção de CDs minha dica é para que opte por outro item colecionável. Coloca todas as músicas de sua preferência em uma playlist e viva a vida! Divirta-se!

“A concorrência segue vendendo CDs” – aí é uma questão de estratégia e muito também de lucidez … ou da falta dela, afinal o mercado brasileiro e mundial já demonstraram claramente que tudo mudou. Então, persistir numa estratégia antiquada e comercialmente inviável não me parece tão inteligente assim. Outro dia li nos comentários de meu perfil no Instagram um ‘PHD’ em tecnologia e consumo #sqn dizendo que eu seria um ‘espertalhão’ forçando a barra pelo digital enquanto todas as demais gravadoras seguiam falando de CD … sinceramente não sei em que planeta esse ser vive, mas a verdade é que há muitas gravadoras atentas ao digital e não somente minha empresa e, que se há outras empresas ainda insistindo numa mídia obsoleta, o erro não seria meu, mas deles. De fato, procuro sempre estar muito atento a todas as novidades, inovações, tendências. Não brinco de executivo. Faço de meu trabalho algo absolutamente sério! Então, se sou taxado de ‘espertalhão’ por enxergar algo que a concorrência não se atentou, então recebo esse adjetivo de forma absolutamente simpática.

Finalizo este texto após 4 viagens em 3 dias. Comecei escrevendo este texto no saguão do Santos Dumont e agora a bordo do vôo de volta ao Rio de Janeiro. Neste dias gravamos o projeto Kemuel Nation em Itu/SP e já no dia seguinte em BH produzimos o novo projeto do Weslei Santos, estreando como artista solo em nosso cast. Dias muito corridos! Mas absurdamente felizes por tudo o que criamos e produzimos. Quando releio esse texto que você está acabando de ler agora (assim espero, rs) me bate uma sensação estranha, um misto de chateação e decepção por ter que ainda, em pleno 2018 às portas de 2019, me sentir obrigado a convencer pessoas de que estamos diante de algo irreversível, incrivelmente superior em termos de qualidade, portabilidade, acessibilidade e mesmo questões econômicas. Ter que explicar que a fase do CD – assim como do LP e do Cassete – passou e não voltará tão cedo, me parece óbvio demais, chato demais, atrasado demais, antiquado demais! Então, em nosso regresso de textos inéditos no Observatório espero que tratemos apenas de assuntos relacionados ao digital, ferramentas e marketing, ou seja com questões de presente e até mesmo futuro, nada mais de passado … isso eu deixo para aqueles que insistem em viver focados no retrovisor.

Entenderam? Ou preciso desenhar? Tenho certeza de que fui bem claro!

Vamos em frente!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante e usuário contumaz das plataformas digitais.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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