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Preste atenção! Esteja atento às mudanças do mercado

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Pra quem despertou do sono nestes dias recentes, as transformações que estamos vivenciando nas relações interpessoais com a proliferação de aplicativos e redes sociais ou mesmo na relação do consumidor com a música, com a mudança nos formatos e canais de acesso, podem parecer algo incrível, inimaginável, uma autêntica revolução de hábitos e costumes. Mas a verdade é que estas mudanças já vêm acontecendo há pelo menos uma década, portanto não há nada mais fora de sintonia do que surpreender-se com estas ‘novidades’.

E por serem consideradas por muitos como ‘novidades’ boa parte destas mudanças não foram compreendidas e interpretadas corretamente como deveriam. E justamente é neste momento que surgem alguns ‘facilitadores’ que se beneficiam da ignorância e inocência generalizada e realizam ações que, bastando um mínimo de entendimento e conhecimento, seriam simplesmente ignoradas pelo mercado.

Já comentei em outros posts sobre a importância do artista valorizar novos números e objetivos. Sai de cena o foco em se angariar ‘followers’ (muitos inclusive desembestaram em ‘conquistar/comprar seguidores e hoje ficaram com um autêntico ‘mico na mão’) nas redes sociais e agora busca-se os ‘seguidores’ dos perfis nos canais de audio e video streaming. O objetivo é ter um número relevante de seguidores no YouTube e nas playlists do artista no Spotify, Deezer e AppleMusic, consequentemente ter número consistente e crescente de streamings nestas mesmas plataformas.

Mas é aí que quero concentrar minhas próximas linhas neste post – que surpreendentemente não está sendo escrito num saguão de aeroporto ou durante algum vôo – e espero contar com sua leitura. Diariamente pesquiso sobre a performance de artistas utilizando-me de ferramentas da web. Hoje em dia há uma série de informações que busco quando quero analisar o posicionamento do artista junto ao público, seu alcance e relevância. E entre tantos números, sem dúvida, o número de seguidores em canais de streaming e a performance nas visualizações têm papel de destaque. E, de forma surpreendente, percebo que muitos artistas do primeiro time do mainstream gospel simplesmente não possuem canais oficiais de vídeos porque a gravadora em que estão vinculados concentra todo os conteúdos em um canal único, institucional, corporativo. Em rápidas palavras, em vez de postar os vídeos do artista X em um canal exclusivo, dedicado ao próprio artista, a gravadora optou (pensei em outros termos, mas vou manter a fleuma …) em colocar todos os vídeos de seu cast num único canal, administrado pela própria empresa. Em outros tempos, em que eu simplesmente falava de forma mais direta e sem papas na língua, eu diria que estamos diante de um autêntico estelionato digital, mas com a idade tornei-me mais leve e comedido em minhas observações, então posso afirmar que estamos diante de um possível erro por desconhecimento da nova conjuntura … mais eufemístico, impossível …

Todo o conteúdo artístico deve estar publicado no canal do próprio artista. Não há nenhuma razão plausível que justifique uma gravadora concentrar no seu canal os conteúdos do artista, ou melhor, dos artistas de seu cast, lembrando que o artista não é propriedade de gravadora alguma, ele apenas mantém uma relação comercial, contratual com a empresa. Para o artista é fundamental que o seu canal de conteúdo tenha o maior número de seguidores. Não se justifica e entendo como sendo algo contraditório que um canal reúna pessoas que curtem pop rock e música pentecostal, ou seja, um canal de conteúdos de uma gravadora neste formato (miscelânea) foge completamente ao conceito da segmentação. Além do fato do próprio artista correr um sério (seriíssimo!) risco de ter suas monetizações sobre streaming colocadas todas num único balaio, o que certamente irá dificultar bastante os relatórios e posteriores pagamentos.

É inadmissível alguns artistas ‘gigantes’ em redes sociais com milhões de seguidores, ter minguados 10, 20 mil seguidores em seu canal de vídeos ou nas plataformas de audio streaming. É importante que os artistas entendam a importância destes canais e que busquem estratégias para potencializar os resultados. De igual forma, é fundamental que os artistas procurem entender o quanto antes sobre este novo universo digital, suas oportunidades, demandas e mudanças de atitudes.

Fica a dica!

Mauricio Soares, publicitário, consultor, jornalista, diretor artístico, 27 anos de mercado gospel. Editor do Observatório Cristão, palestrante e torcedor do Fluminense.