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Priorizando o que realmente faz a diferença

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Mesmo que alguns dos 66 leitores estejam achando estranha a produção em massa de textos para o blog nos últimos dias, posso assegurá-los de que não contratei um ghost writer pra suprir minhas constantes ausências por aqui. Sempre deixei claro de que antes de mais nada o processo de produção do Observatório seguiria algumas premissas, entre elas, principalmente tempo, qualidade dos textos e relevância dos temas. E como neste momento consegui alguns espaços de tempo ocioso na agenda, com muitos deslocamentos aéreos e espera em saguões de aeroporto, então parte do processo foi resolvido. Pra completar alguns assuntos vêm surgindo e servindo como mote para os textos. Vivemos um momento de grandes transformações e isso tudo desencadeia em bons insights para os textos. Já, na questão da qualidade dos textos, prefiro que vocês mesmos analisem sobre este aspecto. Meu senso crítico pode estar meio descalibrado nos últimos dias o que fatalmente me faz perder a noção da qualidade dos textos. A conferir.

Começo a escrever este texto ouvindo o álbum “Final Feliz” da cantora e compositora Deise Jacinto. Pra mim, uma das melhores produções no nosso meio nos últimos meses, um disco pra ser degustado, com muita calma, atenção, sensibilidade … sugiro que você a inclua em suas playlists.

Há alguns anos os profissionais de gravadoras observavam determinados detalhes para decidir num processo de contratação entre os artistas novatos. Música tocando na rádio, agenda intensa de eventos, vendas de discos (mesmo que somente em mercados locais), participação em grandes shows e festivais regionais, apresentações em programas de TV, enfim, estas eram algumas das análises que os profissionais de A&R constantemente faziam antes de resolver investir num artista até então desconhecido. Depois estas análises foram ampliadas incluindo outras premissas como visualizações de clipes, seguidores em redes sociais, em especial o Facebook. Hoje em dia, todas estas informações são muito importantes num processo decisório, mas em especial há um fator que tem se destacado e atuado decisivamente a favor ou contra dos artistas num momento de pesquisa do A&R. A palavra do momento é “RELEVÂNCIA”, ou seja, a capacidade do indivíduo em ser percebido pelo público e consequentemente provocar reações, mudanças comportamentais, comentários e, principalmente influenciar pessoas. 

A web é um ambiente dinâmico, cheio de modismos, que determina tendências e que cada dia está mais presente na vida das pessoas. Hoje praticamente é impossível que um cidadão comum permaneça mais do que alguns dias (ou mesmo horas) sem se relacionar com o ambiente digital, em especial, a web. E neste universo, alguns jovens e adolescentes com espinha na cara, jeitão descolado (às vezes precisando de um banho!), linguajar próprio (quase um dialeto!) e falando num ritmo intenso, frenético, surgem na tela falando dos assuntos os mais variados possíveis. O cardápio de assuntos é bastante variado, são comentários sobre filmes, games, relacionamento, educação ou mesmo coisas sem sentido, tudo faz parte do menu à disposição do público. E o mais incrível é que estes ‘ilustres desconhecidos’ se tornam do dia para a noite verdadeiras celebridades arrebanhando multidões em sessões de autógrafos (Sim! Eles conseguem lançar livros!), palestras, workshops ou simplesmente eventos que contam com a presença do dito cujo para tirar selfies e mais selfies

Mas não vou me alongar comentando sobre estes fenômenos de popularidade que também são chamados de YouTubers, Influencer Marketing, It Girl/Boy, ou qualquer coisa do gênero. Meu foco como sempre está voltado ao universo artístico musical e toda esta introdução é só para fazer um paralelo entre esta tendência dos influenciadores digitais e os números que realmente importam neste momento em se tratando de carreira artística. Se tempos atrás ter um número gigante de seguidores no Instagram ou no Facebook era algo muito importante, neste momento o foco está todo direcionado para o número de seguidores nos canais oficiais dos artistas. Todo o trabalho de angariamento de novos seguidores deve estar focado prioritariamente para o canal de vídeos. É a partir daí que todas as demais ações de marketing digital começam e se tornam vencedoras. Em algumas pesquisas na web percebi que determinados artistas com dezenas de milhões de followers no Facebook, por exemplo, não reuniam mais do que 100 mil seguidores em seu canal de vídeos, que por sinal também carecia de conteúdos inéditos e relevantes.

Então, como meus leitores são extremamente inteligentes e não têm muito tempo a perder, irei direto ao assunto. A estratégia do momento é aumentar o número de seguidores nos canais de vídeos porque consequentemente as chances dos conteúdos terem maior visualização são bem maiores. Com os inscritos no canal de vídeos do artista, todo conteúdo inédito imediatamente é comunicado aos seguidores. Assim as ações de marketing digital ficam mais direcionadas ao público que ainda não faz parte desta comunidade. Outro detalhe importante que demonstra inclusive o nível de importância que o artista dá ao seu canal de vídeos tem a ver com a periodicidade em que esta disponibiliza conteúdos inéditos. Se a colocação de novos conteúdos é muito lenta, o artista acaba passando uma sinalização de que não se importa tanto assim com este canal de interação com seu público. Se diferentemente disso, o artista é ativo, constantemente disponibiliza clipes e conteúdo em vídeo em seu canal, automaticamente o número de seguidores e visualizações em seus vídeos aumentará exponencialmente.

Mas engana-se quem pensa que devemos só focar em video streaming … muito pelo contrário, da mesma forma que devemos aumentar e focar na conquista de followers para o canal de vídeos, devemos seguir a mesma estratégia em se tratando de seguidores para as playlists. Todos os artistas devem ter sua playlist com conteúdo próprio e, se possível, outras playlists onde atue como curador artístico, assim tornam-se ainda mais influenciadores. A importância de seguidores em canais de vídeos e playlists é porque estas 2 ferramentas são as principais fontes de monetização neste momento da indústria fonográfica. O Spotify é o maior parceiro da indústria fonográfica mundial e o YouTube/VEVO vem logo em seguida. 

Aumentar o número de seguidores em Instagram, SnapChat, Facebook, Twitter e outras redes sociais continua sendo fundamental, mas todas estas plataformas são especificamente ambientes de promoção e divulgação. Já os canais de audio e video streaming, além de divulgação e promoção, seguem como importantes fontes de receita para toda a cadeia de envolvidos na música.

Pra bom entendedor, parágrafo é livro! 

Mauricio Soares, entusiasta das novas tecnologias, cada vez mais antenado nas tendências, curador de algumas playlists no Spotify, jornalista, publicitário e fã da boa música.

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