Procurando o Equilíbrio e Bom Senso

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Ultimamente tenho permanecido um pouco mais distante das salas de embarque e dos vôos pelo nosso imenso Brasil e coincidência ou não, os meus textos para o Observatório Cristão também rarearam nos últimos dias. Na verdade, além de permanecer mais tempo em solo do que o habitual, minha vida tem sido uma verdadeira loucura com a aproximação da Expo Cristã e com inúmeros projetos em CD e DVD em produção simultânea que demandam muita atenção, cuidado e tempo. Então, peço desculpas aos 41 leitores (isso mesmo! Já passamos a incrível marca de 40 leitores assíduos ao blog!) pela demora na atualização de textos de nosso humilde, mas limpinho blog.

Quero aproveitar também para informar aos nossos leitores de que nos próximos dias teremos um novo visual no Observatório Cristão. O nosso web designer Vlad Lacerda está caprichando para lançarmos a versão 2.0 do blog com uma série de ferramentas e novidades.

Nestes dias de sequidão criativa para o blog fiquei pensando sobre qual tema eu deveria tratar para o Observatório Cristão. Hoje conversando com um produtor musical ele me sugeriu falar sobre “equilíbrio” do ponto de vista do marketing. O nosso papo surgiu ao comentarmos de uma determinada artista que tinha uma conduta pessoal de não participar de muitas ações de marketing, algo como uma “artista caramujo” ou algo do tipo. Na conversa eu disse que discordava daquela postura, até porque cada vez mais a concorrência irá se acirrar e cada artista deverá buscar a melhor exposição de seu trabalho e tudo mais.

Aí o papo enveredou para o oposto do ‘marketing de mosteiro’, ou seja, o ‘marketing de celebridades’ onde o artista não perde uma oportunidade de se expor, muito mais ainda do que expor seu talento ou sua arte. O meu querido amigo produtor começou a elencar atitudes cotidianas que extrapolam o bom senso da auto-promoção e tive que concordar com ele de que realmente tem muita gente em nosso meio exagerando na dose!

Pano rápido …

Anos atrás entrei numa discussão com um dono de gravadora que demonizava o marketing e fazia loas ao purismo da adoração e louvor. O seu discurso era espiritualizado demais, mas cheio de contradições, afinal ele vendia seus produtos, portanto de qualquer forma, utilizava-se das ferramentas do marketing. Recordo-me que perguntei a ele se os seus produtos eram doados, se eles não tinham um tratamento estético de capa, se ele não investia nas mídias, enfim, se ele efetivamente agia como opositor ferrenho das mais básicas noções do marketing.

Voltando …

Analisando o nosso mundinho gospel e dentro da sugestão do meu amigo produtor, percebo que devemos realmente buscar um perfeito equilíbrio entre o marketing e o espiritual ou mesmo o bom senso. Do ponto de vista do marketing, todo e qualquer artista deve estar antenado às ferramentas e tendências que a sociedade moderna nos apresenta. Neste momento, o must do marketing tem a ver com a internet, redes sociais, segmentação, interatividade, novas mídias e outras novidades.

Todas estas novidades estão chegando ao mercado musical gospel e trazendo reações bem diferenciadas. Hoje temos artistas que fazem tudo por um flash ou uma pauta nas mídias especializadas. Meses atrás tive acesso a um release de um cantor que estaria se casando com a proprietária de uma gravadora. Uma coisa impressionante! A história era típica da Turma do Didi, mas foi enviada para várias mídias como se fosse realmente algo digno de ser publicada (por conta do crivo editorial e censor de meu amigo Carlos André, esse post não foi publicado!). A necessidade de se virar notícia é algo que impressiona! E para isso, infelizmente, tem muita gente não medindo esforços e perdendo o senso do ridículo!

No entanto, essa característica de auto-promoção não está restrita aos artistas, mas também a muitas empresas do meio. É impressionante como existem empresas no segmento que agem como se o mundo exterior não existisse! Tudo o que fazem é maravilhoso! Tudo o que realizam é estupendo! Qualquer ida a um programa da Rede Brasil com audiência zero assume ares de intervalo do SuperBowl com zilhões de telespectadores. Chega a ser hilário ler as notícias e textos auto-elogiosos destas empresas, um tratado do que não se deve fazer em termos de formação e consolidação de imagem!

Em contraposição à postura de massificação e exacerbação da imagem, também lidamos com aqueles ‘eremitas’ que preferem se esconder do mundo, do estrelato, em suas redomas protegidas usando como argumento a espiritualidade. Em seus discursos perfeitamente assépticos, estes artistas marcam posição contra toda exposição e marketing afirmando que “toda honra e glória não a mim, mas somente a Ele” e, com isso, seguem suas vidinhas numa estratégia de marketing meticulosamente planejada de não se expor criando assim, efetivamente, uma marca própria do não-marketing como marketing. Neste caso é óbvio que toda a glória deve ser dada a Deus! Ninguém discorda disso! Mas mesmo Jesus era um bom orador, entendia de psicologia e da natureza humana, não fugia das polêmicas, do contato com o público e era um excelente marqueteiro, afinal seus ensinamentos se perpetuaram até os dias atuais, sem que tivesse a imprensa, rádio, TV ou mesmo a web como ferramentas de divulgação.

Por fim, temos o artista do “bom senso”! E confesso, este é alguém meio raro nesse meio de holofotes que vivemos hoje! E o que é um artista de “bom senso” no tocante ao marketing pessoal? É justamente aquele artista que consegue entender que as ferramentas do marketing devem ser meticulosamente utilizadas para atingir a objetivos próprios. Uma das maiores características do marketing, inerente ao processo, é justamente o planejamento. Vejo que muito artistas, a grande maioria por sinal, ainda não entendeu o que é planejar uma carreira artística. O planejamento de marketing é algo imprescindível no dia a dia de um artista de “bom senso”, pois desta forma ele poderá dosar com todo cuidado suas ações de marketing sem risco de extrapolar na exposição e resultados.

O artista de bom senso no meio gospel é aquele indivíduo que sabe perfeitamente que o objetivo principal de sua arte é divulgar a Palavra de Deus e como tal, com toda esta responsabilidade divina, deve ser tratada com máxima atenção e dedicação. Quando o artista entende que justamente por ser para Deus que deve ser feito todo esforço, trazendo uma uma imagem de qualidade e eficácia à sua carreira, objetivamente o bom senso passa a operar.

Em rápidas palavras, o artista deve entender que equilíbrio em nosso meio significa saber usar as ferramentas do marketing com eficácia e profissionalismo. Significa também que o artista nunca deve perder o objetivo principal de sua arte, que é levar a mensagem de Deus. Sabendo dosar estas duas atribuições, chegamos ao protótipo (quase) perfeito de um artista com bom senso e equilíbrio. Quem se habilita?

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista e alguém sempre à procura do perfeito equilíbrio.

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