Promotores de eventos: Ame-os ou Deixe-os

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O profissionalismo ou mesmo a falta dele no mercado gospel é um dos temas mais recorrentes de nosso blog, lido avidamente por nossos leais 17 leitores. Já abordamos sobre a necessidade do artista conduzir sua carreira de forma planejada com visão de médio e longo prazos. Também já falamos sobre a necessidade do artista contar com uma estrutura profissional para o atendimento de agenda. Em outros posts falamos sobre a necessidade por jovens profissionais para este mercado tão promissor que é o segmento gospel.

Seguindo este mesmo foco, mas desta vez mirando em outros personagens, vamos falar sobre a qualidade dos promotores de shows evangélicos que trazem verdadeiro pânico aos artistas e seus assessores.

Parece até uma orquestração por parte dos artistas, mas todos eles são unânimes em relatar histórias de shows ‘micados’, cachês não pagos, envelopes de depósito recheados de vácuo e sem dinheiro algum, estrutura de palco, som e luz mambembes e muitas outras atrocidades.

É padrão entre os artistas a troca de informações sobre promotores de shows pelo país. Aos poucos vem sendo formada uma lista negra de promotores caloteiros, desorganizados e mal intencionados. E de igual forma, vem sendo formada uma lista de contratantes ISO 9000, que possuem um currículo de grandes realizações.

Assim como em qualquer ramo de negócio, a realização de eventos não permite amadorismo! Ao longo destes anos cansei de ver pessoas super bem intencionadas, com o coração totalmente devotado às causas mais nobres e cristãs, mas que ao fim de um famigerado evento, desesperadas, ficam culpando a Deus pelo próprio fracasso.

Um show é algo bem mais complicado do que organizar um chá de senhoras ou mesmo um congresso de jovens na igreja local. Infelizmente o currículo de grande parte dos atuais promotores de evento está resumido em gincanas, festividades, encontros e congressos.

Mas quais sãos os desafios para se fazer um evento gospel de qualidade?

Os desafios são muitos e podem surgir mesmo com todo tipo de planejamento. A questão é se você estará preparado para enfrentá-los ou não! Se não tiver o mínimo de organização e principalmente frieza, mesmo um pequeno contratempo poderá assumir a força de uma Tsunami e varrer o sucesso do seu projeto rapidamente.

Um evento não começa no horário marcado para a entrada do público ou do artista no palco, mas justamente meses e meses antes de sua realização. É impressionante como a questão de planejamento com tempo hábil é renegada muitas das vezes a segundo ou terceiro plano. Já tive contato com promotores de shows ‘organizando’ eventos que aconteceriam 10 dias depois do primeiro contato com a atração principal.

Então, dependendo da envergadura do evento, o tempo necessário para planejamento e execução das diversas atividades de pré-produção é de 3 a 6 meses. Neste período todas as diversas atividades devem ser listadas, planejadas e colocadas em prática com o máximo de atenção.

Vale ressaltar que um show é uma cadeia de atividades ligadas entre si e que qualquer problema isolado poderá acarretar problemas em série trazendo prejuízos ao sucesso da empreitada.

Em se tratando de show evangélico, é fundamental, diria até que imprescindível, que a FM gospel local – caso não haja emissora de programação gospel, a emissora de rádio mais popular da região –, esteja participando como ‘apoiadora’ do evento. Não tem como realizar um show (exceto exclusivos para igrejas que já detém público garantido) sem o apoio de mídia local! Também é impressionante como existem promotores de evento que não mantém parceria com mídias locais! O resultado é sempre pífio!

Outra questão fundamental para o sucesso do evento é a qualidade do som, luz e palco! Não dá para você convidar o ‘astro pop gospel’ com sua banda de 785 componentes e o palco ter exíguos 20 metros quadrados, os spots serem de lâmpada 100w ou o som ser aquele “emprestado da igrejinha do pastor Getúlio, gente muito boa mesmo!”

Atenção aos equipamentos locados! De preferência, confira in loco a utilização e a performance da equipe de áudio e luz que irão atendê-lo! Inclusive confira a qualidade do atendimento destes profissionais durante o show porque muitas confusões antes do show acontecem entre os produtores dos artistas e estes operadores que quase sempre trabalham de mau humor e má vontade!

A qualidade do local de realização do evento também deve ser observada! Não pense que o público aceita qualquer tipo de acomodação. Hoje em dia, muitos contratantes são acionados juridicamente, inclusive pelo Ministério Público em função do desrespeito ao consumidor. Ainda sobre o local de evento, não se iluda acreditando que o público vai a qualquer lugar por causa de seu artista de preferência! Não adianta você trazer o Michael W. Smith para um show onde Judas fez seu último show antes de perder suas botas! A localização do evento é fundamental para o sucesso do show!

Se o evento é ingressado, então é fundamental ter todos os custos devidamente planilhados. Nada de surpresas de última hora! O ideal para um evento ingressado é que a lucratividade do evento seja proveniente exclusivamente da venda de bilhetes. O maior risco (corra disso!) é contar com a venda de bilhetes para o custeio de todo o projeto. O certo é que o evento esteja 100% pago através de patrocínios e parcerias.

Nunca se comprometa com o que nem você acredita que irá realizar! A pior coisa para um artista é ser ludibriado com as promessas do contratante! Isso definitivamente é a pior forma de condução de um problema.

A área de entretenimento é um dos ramos de negócio com maior potencial para os próximos anos. Em se tratando de eventos evangélicos, de igual forma a potencialidade é enorme, mas precisamos contar com profissionais focados e bem mais preparados. Este assunto é bastante complexo e nos próximos posts poderemos seguir dando mais algumas dicas neste tema. Enquanto isso, leia atentamente estas dicas a seguir:

1) Tudo deve feito em contrato. Desde a contratação de prestadores de serviço como das atrações musicais. Busque a orientação de um advogado. Nada de ‘contratos verbais’ ou de ‘fio de bigode’, os tempos são outros;

2) A atração do show, principalmente se for ingressado, não pode ter feito qualquer outro evento na região durante 6 meses antes ou 3 meses após a realização do seu projeto. Isto deve estar descrito no contrato;

3) Nada de lotar o evento com 786 bandas e cantores locais “só para ‘esquentar”. Essas atrações servem apenas para cansar o público e atrasar o cronograma. A atração principal deve subir ao palco no máximo às 21h30. Muitos artistas já estabelecem estas questões em contrato. Observe atentamente a este detalhe;

4) Som, luz e palco são o seu cartão de apresentação! Não poupe recursos para fazer um show memorável! Com grandes eventos, seu currículo e principalmente imagem perante o mercado crescerá vertiginosamente e você verá que os eventos seguintes serão bem mais tranqüilos;

5) Show é entretenimento. Não confunda evento gospel com culto de ação de graças, comício político ou gincana de escola. Já estive em show ingressado em que um pastor pregou por mais de uma hora aos gritos e a atração musical teve que encolher sua apresentação para míseros 30 minutos.

Acho que por momento é isso! Responsabilidade, respeito, organização, planejamento e paciência são a chave do sucesso nesta área. Respire fundo e bons eventos em 2011!
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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, presença em centenas de eventos pelo país com zilhões de horas em backstage acompanhando grandes, médios, pequenos eventos, muitos sucessos e outros tantos ‘micos’. Recentemente participou da equipe de produção do YouTube Live Sertanejo, o primeiro show ao vivo do YouTube na América Latina.

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