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QUANDO O MAIS É BEM MENOS! NÃO DEIXANDO-SE LEVAR PELA GRAMA DO VIZINHO!

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Neste momento tenho alguns textos na gaveta. Alguns ainda carecem de melhor acabamento, outros resumem-se a poucas linhas … a verdade é que sempre procurei tratar o Observatório Cristão como um hobby e por isso mesmo, não determino uma periodicidade, um peso, uma responsabilidade além da conta. Por isso mesmo, preciso agradecer aos nossos diletos 69 leitores que mantém-se fiéis, mesmo sabendo que esta relação muitas das vezes é desequilibrada.

De tempos em tempos preciso publicar alguns textos atualizando sobre tendências, novidades e novas formas de encarar o mundo artístico e tudo que o ronda. Pois neste momento há uma série de dúvidas quanto à importância do artista estar junto à uma gravadora, sobre o papel de empresas agregadoras e afins. Então, sem muitos rodeios, vou tentar elucidar algumas destas dúvidas.

Em primeiro lugar, gostaria de falar sobre o papel da gravadora em tempos digitais. Muita gente acredita que pela facilidade em se disponibilizar conteúdos nas plataformas digitais, o trabalho e a importância das gravadoras esvaiu-se gradativamente como ações da EBX do outrora bilionário Eike Batista. Ledo engano. Neste momento em que as plataformas digitais tornaram-se os principais canais de negócios, distribuição e monetização, estar debaixo de um selo, de uma gravadora, faz toda a diferença! E longe de se autoproclamar como um bem necessário, cabe aqui destacar que estas plataformas, até por questões de praticidade e organização, reservam-se ao direito de relacionar-se prioritariamente com as grandes gravadoras e selos. Ou seja, por mais criativo, influente, investidor ou diferenciado que o artista independente seja, a realidade é que muito dificilmente este terá atenção por parte das plataformas de streams. E aí não cabe nenhum preconceito, bullying, cartel ou algo do tipo, isto ocorre simplesmente porque a quantidade de lançamentos habituais que as majors possuem já são tão grandes que praticamente inviabiliza a atenção e espaço nas plataformas.

Nos tempos físicos, vale ressaltar que as Lojas Americanas, Saraiva, Leitura, Cultura, Carrefour e outras grandes redes de varejo, também restringiam absurdamente o contato com pequenos fornecedores, pequenos selos ou gravadoras. Artistas com grande força de vendas no mercado de distribuição gospel, não necessariamente tinham seus produtos disponíveis nas gôndolas das grandes redes de varejo. No entanto, como já mencionamos anteriormente, estes ainda possuíamos canais de distribuição específicos que garantiam o sustento do projeto. A diferença hoje em dia é que não temos canais segmentados de distribuição, ou seja, o mercado da música está totalmente direcionado às plataformas digitais.

Vejo alguns artistas tomando atitudes bastante equivocadas neste momento de transformação do mercado fonográfico. No afã de terem seus ganhos aumentados pela mudança nos percentuais de royalties com a utilização de empresas agregadoras, alguns artistas têm optado em seguir de forma independente. Para quem não está ambientado aos termos, cabe explicar que ‘empresas agregadoras’ são aquelas especializadas em disponibilizar os conteúdos dos artistas e labels nas plataformas digitais. Observe bem o verbo que utilizei para explicar o serviço básico de uma empresa agregadora: disponibilizar. Sim, apenas incluir os conteúdos nas plataformas digitais, algo como colocar uma música em meio a outras 40 milhões de canções. É como se você tivesse um produto, um único produto, colocado na prateleira de um destes enormes supermercados com mais de 40 milhões de outros itens … imagina a chance de seu produto chamar a atenção do consumidor … seria mais ou menos a mesma proporção de um único bilhete da Mega Sena acertar as 6 dezenas. Pouco provável né?

O trabalho das agregadoras, em sua imensa maioria, é tão somente incluir os produtos nas plataformas, não fazem parte do serviço ações de marketing, impulsionamentos, relação mais estreita com as plataformas ou mesmo com os artistas. Cabe ressaltar que em boa parte destas empresas, toda a operação se dá de forma sistematizada pela web. O artista preenche formulários, envia os arquivos e só … nada além de uma relação virtual. Claro que desta forma, estas empresas podem oferecer condições de royalties bastante agressivas e aparentemente vantajosas. Muitas destas empresas trabalham com royalties de 70 a 80%, bem acima dos percentuais praticados por gravadoras. A questão toda é a seguinte: tem como comparar batata com tomate? Neste caso é claro que não! E aí reside o problema porque alguns artistas estão olhando tão somente para o percentual, esquecendo-se de que os serviços oferecidos são completamente distintos e o pior de tudo, como há uma perda de relevância, de espaço junto às plataformas, é bem provável que o alcance do artista caia sensivelmente a partir do momento que este caminhar de forma independente. Com isso, o 100% de resultado de streams também irá cair muito, acarretando uma queda ainda maior nos 80% prometidos e esperados. Em suma, um artista que hoje se encontra numa gravadora que venha fazendo um bom trabalho digital, optar em trocar de status para aventurar-se numa carreira independente, é como se estivesse trocando 6 não por meia dúzia, mas por 3 ou menos do que isso. Ou seja, é um verdadeiro tiro no pé!

E por que é tão importante ter acesso às plataformas digitais? Muito simples porque através delas o artista/gravadora consegue maior destaque para seus conteúdos e lançamentos. Por exemplo, ter uma música em playlists oficiais da plataforma já garante a visibilidade entre centenas de milhares de usuários aumentando consideravelmente o resultado de streamings. Ter sua imagem na capa de uma playlist também traz uma visibilidade e relevância absurdas! Além disso, a colocação da música entre as primeiras faixas de uma playlist contribui decisivamente no resultado final. Tudo isso já potencializa muito os resultados, mas não para por aí … quando um artista entra como prioridade para a plataforma, seu lançamento é impulsionado para as redes da plataforma e consegue uma série de ações estratégicas e de marketing aumentando ainda mais o alcance e número de streams. Simples assim. Deu pra entender?

E aí você deve estar se perguntando: e como eu devo proceder se ainda não estou numa gravadora? Muito simples também. Seguir trabalhando muito nas redes sociais, com ações de marketing digital para que seus resultados chamem a atenção de uma gravadora. Os números de streams, de ouvintes mensais e seguidores, são dados muito importantes e acessíveis às gravadoras que trabalham de forma profissional. Hoje há gravadoras com equipes muito antenadas em resultados de artistas independentes e de nicho, na web acompanhando tudo o que há de novidades por aí. Foi exatamente através deste trabalho de pesquisa que nomes como Isadora Pompeo, Priscilla Alcântara, Deise Jacinto, Marcela Taís, Pier49, entre outros foram descobertos e em seguida contratados por gravadoras.

Vamos ao trabalho e nada de preguiça, inclusive para descobrir novos talentos e artistas!

Mauricio Soares, diretor artístico, jornalista, publicitário, alguém que curte música, gente, literatura e história, não necessariamente nesta ordem.

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