Quem é evangélico?

No dia 13 de julho, o Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma entrevista com a advogada Ieda Cristina Martins, esposa do publicitário Eduardo Martins acusado de matar o zelador de um prédio em São Paulo. E agora a polícia carioca investiga a participação do casal na morte do ex-marido de Ieda, o empresário José Jair Farias, em 2005 no Rio. Logo no início da matéria a entrevistada aparece com uma Bíblia na mão e o repórter a apresenta como evangélica.
No dia da morte do zelador imagens das câmeras de segurança do prédio onde moram, o casal coloca uma mala e um saco (segundo a polícia onde estava o corpo do zelador) no carro afirmando que se tratava de uma doação para a igreja católica Santa Rita, em São Paulo. Contudo, poucos sites de notícias citaram o nome da igreja. Se em nenhum momento foram identificados como católicos por levarem doações à igreja, porque no Fantástico Ieda foi apresentada como evangélica? Por estar com uma Bíblia na mão? Ou se identificou como religiosa? Seria muito fácil acusar a mídia por todas as mazelas do mundo e os jornalistas como carniceiros que só pensam na audiência. Contudo, não fiquei sabendo de nenhuma instituição evangélica que tenha enviado a Imprensa carta de repúdio ou questionamento cada vez que uma pessoa se passa por evangélica e quando na verdade não é.
A imprensa precisa ser informada oficialmente que para ser evangélico é preciso ser batizado e fazer parte do rol de membros de uma igreja. Hoje qualquer pessoa que assiste culto na televisão se diz crente. Não estou discriminando, sei que a fé vem por ouvir e ouvir a Palavra de Deus. Antes que os críticos digam que estou sendo dura quero esclarecer que sou autora do livro “Na Humildade, uma investigação jornalística sobre as consequências do crime e das drogas”, um livro reportagem com depoimento de presos de três unidades do Complexo de Gericinó, em Bangu (RJ). Sei que muitas vidas são transformadas dentro do cárcere por meio da fé em Jesus. Porém, lá dentro não é a palavra de que define um evangélico e sim suas as atitudes.
Então como presidente do Conselho de Jornalistas da Associação Brasileira de Mídias Evangélicas (ABME) quero pedir ajuda aos colegas de profissão e donos de mídias para juntos nos manifestarmos contra informações imprecisas.
Nós da ABME acreditamos que nossa principal missão é focar no relacionamento entre os evangélicos com mídia secular. Sem ser pretenciosa buscamos estreitar um relacionamento e sermos canal de informação para veículos de imprensa sobre a sociedade gospel. E acima de tudo, sermos referência neste segmento. É nosso dever nos apresentar a mídia secular, mostrar nosso formato e fazer circular informação correta.
Por isso convidamos aos profissionais da mídia evangélica e empresários do ramo a conhecer mais sobre a ABME. Venha trazer novas ideias, somar com o pequeno grupo que começou essa associação e juntos seremos fortes.

Diane Duque
Jornalista e presidente do Conselho de jornalistas da ABME
www.abme.com.br

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